Ovelhas substituíram cortadores de grama em um vinhedo da Virgínia, que reduziu custos externos em quase 60% e passou a adotar práticas regenerativas.
Um rebanho que começou com apenas 10 ovelhas em 2020 mudou a forma como um vinhedo da Virgínia, nos Estados Unidos, controla a vegetação, cuida do solo e administra parte de seus custos.
Cinco anos depois, a Riverside Vines, em Dinwiddie, mantém 85 animais, tornou-se o primeiro vinhedo com certificação regenerativa no estado e está entre apenas dois com essa certificação na Costa Leste.
A estratégia foi adotada por Alan Thibault, proprietário da Ashton Creek Vineyard & Riverside Vines, diante do aumento dos gastos agrícolas e da intenção de reduzir a dependência de produtos químicos.
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A meta agora é ampliar o rebanho para 100 animais, aproximando ainda mais o manejo da ideia que levou o produtor a substituir grandes máquinas por animais pastando entre as videiras.
Custos externos caíram quase 60% após mudança no manejo
O efeito financeiro apareceu principalmente na compra de insumos. Segundo Thibault, os custos externos diminuíram quase 60%, resultado associado à redução do uso de fungicidas, inseticidas, herbicidas e fertilizantes.
A presença das ovelhas acabou levando a outras mudanças. Como os animais seriam colocados dentro dos vinhedos para se alimentar, o produtor afirmou que diversificou as culturas de cobertura e eliminou inseticidas e, de maneira mais ampla, a maior parte dos pesticidas utilizados anteriormente.
A decisão, portanto, não se limitou à troca do equipamento usado para manter a vegetação baixa. O rebanho passou a fazer parte de um sistema no qual alimentação animal, controle da cobertura vegetal e manejo do solo acontecem dentro da própria área produtiva.

Matéria orgânica do solo aumentou 400%, afirma proprietário
Os resultados observados abaixo das videiras também chamaram atenção de Thibault. Ele afirma que a matéria orgânica presente no solo aumentou 400% em cinco anos, enquanto a quantidade de carbono registrada no terreno dobrou no mesmo período.
Foi justamente a intenção de melhorar a qualidade do solo sem depender de insumos químicos caros que ajudou a impulsionar o projeto iniciado na primavera de 2020. Desde então, a quantidade de animais cresceu mais de oito vezes.
O sistema também contribuiu para que a propriedade avançasse na adoção de práticas regenerativas. A Riverside Vines acabou conquistando a certificação que a colocou em uma posição incomum entre os vinhedos da região.
Ovelhas entram em áreas de um acre e retiram folhas das videiras
O manejo exige controle porque as ovelhas também gostam das folhas das uvas. Em vez de permanecerem livremente em toda a propriedade, os animais são deslocados por blocos de aproximadamente um acre durante os períodos definidos para pastoreio.
Thibault aproveita justamente esse comportamento para retirar parte das folhas existentes ao redor dos cachos.
O objetivo é ampliar a circulação de ar na região das frutas, integrando a alimentação do rebanho a uma tarefa que interessa ao cultivo.
As videiras, portanto, não são simplesmente deixadas à disposição dos animais. A movimentação ocorre de forma planejada, de modo que cada grupo passe por setores específicos antes de seguir para outra parte do vinhedo.

Traminette está entre variedades cultivadas na propriedade
Entre as uvas encontradas na área está a Traminette, utilizada pela propriedade na produção de alguns de seus vinhos de maior destaque. Thibault cita tanto uma versão envelhecida em carvalho quanto o Willies White entre os produtos feitos com essa variedade.
O produtor também associa a evolução do solo a mudanças percebidas nos próprios vinhos. Na avaliação dele, as bebidas se tornaram mais expressivas e passaram a representar melhor as características particulares do local, conceito tratado no setor vitivinícola pelo termo terroir.
Mesmo com a evolução apontada pelo proprietário, os preços das garrafas permaneceram estáveis. Thibault atribui essa possibilidade, em grande parte, à redução dos gastos obtida com o novo sistema de produção.
Rebanho também abastece restaurante da própria propriedade
As ovelhas ganharam ainda uma segunda função econômica. A Ashton Creek mantém um restaurante no modelo “da fazenda à mesa”, onde cordeiro fresco produzido na propriedade faz parte da oferta.
Thibault afirma que a alimentação dos animais influencia positivamente o sabor da carne. Segundo ele, o rebanho encontra uma dieta variada dentro da área e ocasionalmente chega a consumir algumas uvas durante o pastoreio.
Dessa forma, os animais que ajudam a controlar a vegetação e participam do manejo das videiras também entram em outra atividade comercial ligada ao estabelecimento.
Próximo passo será colocar porcos no vinhedo
O resultado obtido com o rebanho levou Thibault a ampliar a presença de animais no sistema produtivo. A nova experiência envolve porcos, introduzidos para colaborar tanto com o pastoreio quanto com a aeração do solo.
A mudança mostra como uma decisão inicialmente motivada pelo custo de máquinas e insumos acabou alterando diferentes etapas da rotina agrícola.
As ovelhas passaram de substitutas dos cortadores de grama a participantes do manejo da vegetação, das videiras e da fertilidade do terreno.
Com 85 animais e intenção de chegar a 100, a Riverside Vines mantém um modelo no qual o rebanho deixou de ser um elemento complementar.
As ovelhas passaram a ocupar uma função direta na produção, ao mesmo tempo em que ajudaram a reduzir despesas e abriram caminho para outras práticas de agricultura regenerativa.

