Hannah Cairo refutou uma teoria matemática com mais de 40 anos. A história de uma jovem brilhante que surpreendeu o mundo científico.
Durante a pandemia, milhões de pessoas buscaram novos passatempos. No caso de Hannah Cairo, uma adolescente de 17 anos, esse novo interesse a levou a conquistar um feito impressionante na matemática.
Educada em casa e autodidata, ela dominou o cálculo aos 11 anos, leu livros de pós-graduação por conta própria e contou com tutores contratados pelos pais.
A jovem se envolveu com o clube Math Circles de Chicago, que promove encontros entre estudantes e professores para resolver problemas matemáticos.
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Curiosa, decidiu participar também do programa de verão da filial do clube em Berkeley, Califórnia.
Aos 14 anos, escreveu em sua inscrição que possuía conhecimento equivalente a um diploma avançado. Foi aceita sem dificuldades.
Avanço além do esperado
Zvezdelina Stankova, matemática da Universidade de Berkeley e fundadora do Math Circles local, elogiou o desempenho de Hannah.
Segundo ela, a estudante sempre se destaca, superando os níveis esperados em qualquer programa em que se inscreve.
Depois de repetir o curso de verão, Hannah foi orientada por Stankova a ingressar no programa de matrícula simultânea da universidade.
Esse programa permite que estudantes do ensino médio assistam a aulas de nível universitário.
A jovem foi aceita e começou a cursar matérias mais avançadas. Lá, conheceu o professor Ruixiang Zhang, que apresentou a ela a conjectura de Mizohata-Takeuchi, um dos problemas mais intrigantes da matemática moderna.
Desafios e insistência
A conjectura, proposta décadas atrás, trata de comportamentos específicos de ondas em superfícies curvas.
Embora diversos matemáticos tenham tentado refutá-la, todos falharam. Quando Zhang apresentou uma versão simplificada do problema aos seus alunos, incentivou-os a ir além e buscar generalizações.
Hannah aceitou o desafio. Porém, nas primeiras tentativas, suas ideias não funcionaram.
Ela buscava o professor nos horários de atendimento para mostrar novas abordagens, mas sempre recebia a mesma resposta: não era suficiente. Mesmo assim, não desistiu.
“Fui ao horário de expediente e perguntei a ele: ‘Essas ideias funcionam?’. Acabou que não, porque eram bobas“, contou à revista Quanta. Persistente, continuou reformulando hipóteses até encontrar algo realmente promissor.
A descoberta inesperada
Depois de muito esforço, Hannah teve um visão. Ela propôs uma nova forma de encarar o problema, utilizando um conjunto peculiar de ondas sobre uma superfície curva.
Ao contrário do esperado, essas ondas se amplificavam, algo que a conjectura afirmava ser impossível.
Ela então simplificou sua demonstração para deixá-la o mais clara possível. Zhang, que até então havia refutado todas as ideias, desta vez concordou com o raciocínio apresentado.
O resultado foi um artigo inédito, publicado em fevereiro, antes mesmo de passar pela revisão por pares.
Repercussão no mundo acadêmico
A publicação gerou surpresa entre especialistas da área. O mais importante foi o espanto com a idade da autora.
Tony Carbery, da Universidade de Edimburgo, afirmou que estuda o problema há quase 40 anos e ficou completamente impressionado ao ver a solução vinda de uma adolescente.
Itamar Oliveira, da Universidade de Birmingham, também demonstrou surpresa. “Ficamos todos chocados, absolutamente”, comentou à Quanta. Para ele, o trabalho de Hannah foi algo inédito.
Novo passo em direção ao futuro
Mesmo com todo o reconhecimento, Hannah decidiu continuar expandindo seus horizontes. Ela foi aceita pela Universidade de Maryland, que, junto com a Johns Hopkins, foi uma das únicas instituições a permitir sua entrada sem diploma formal de ensino médio ou graduação.
Agora, Hannah se prepara para iniciar essa nova etapa ainda no outono. Quando concluir o curso, será seu primeiro diploma oficial — uma conquista simbólica para quem já mostrou ao mundo que talento e dedicação não têm idade.