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Previsão mostra o Brasil partido ao meio pelo clima nesta semana: enquanto o Sul amanhece com temperaturas próximas de zero e risco de geada, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás podem bater 38 graus com anomalias de até 9 graus acima da média

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 27/04/2026 às 14:17 Atualizado em 27/04/2026 às 14:35
A previsão mostra o Brasil partido: temperaturas de 0°C no Sul com geada e 38°C no Sudeste. Anomalias de até 12°C abaixo da média no RS. imagem: ilustrativa
A previsão mostra o Brasil partido: temperaturas de 0°C no Sul com geada e 38°C no Sudeste. Anomalias de até 12°C abaixo da média no RS. imagem: ilustrativa
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A previsão do modelo europeu ECMWF indica que o Brasil enfrentará uma semana de extremos térmicos simultâneos: no Sul, as temperaturas podem cair até 12°C abaixo da média com mínimas próximas de 0°C e risco de geada, enquanto São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso podem registrar máximas de 38°C com anomalias de até 9°C acima do normal. A terça-feira (28) será o dia mais frio no Sul e o contraste deve durar até meados de maio.

A previsão para esta semana desenha um Brasil literalmente partido ao meio pelo clima. Uma massa de ar frio que avança sobre a região Sul desde domingo (26) vai derrubar as temperaturas até 12°C abaixo da média no Rio Grande do Sul, enquanto uma bolha de ar quente estacionada sobre o centro-leste do país empurra os termômetros para perto dos 40°C em São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Mato Grosso. O índice de previsão extrema do modelo ECMWF confirma que tanto o frio quanto o calor desta semana são eventos incomuns para o período.

O contraste térmico é tão intenso que o Brasil pode ter temperaturas negativas e próximas a 40°C no mesmo dia. Na terça-feira (28), enquanto o amanhecer no Rio Grande do Sul registra mínimas entre 0°C e 4°C com risco de geada, a tarde em Goiás e no interior de São Paulo pode ultrapassar 36°C. A diferença de quase 40 graus entre as regiões mais fria e mais quente do país configura um episódio de amplitude térmica continental que exige alertas distintos para cada parte do território.

O frio extremo que derruba temperaturas 12°C abaixo da média no Sul

Segundo informações divulgadas pelo portal Meteored, a terça-feira (28) será o dia mais frio da semana na região Sul. As mínimas no Rio Grande do Sul devem ficar entre 3°C e 4°C segundo o modelo ECMWF, mas condições de céu limpo e ventos calmos podem levar as temperaturas em superfície a 0°C ou valores negativos. A ausência de nuvens favorece a perda de calor por radiação, fenômeno que pode reduzir a temperatura do solo em até 5°C em relação ao ar, elevando o risco de formação de geada.

Em Santa Catarina, as mínimas ficam até 10°C abaixo da média, com madrugadas abaixo de 10°C em boa parte do estado. As máximas na terça também serão frias: entre 15°C e 17°C na metade sul do Rio Grande do Sul e na faixa leste de Santa Catarina e Paraná, valores que normalmente só aparecem no auge do inverno. O frio intenso deve manter mínimas abaixo de 10°C na região Sul até pelo menos sexta-feira (1º), embora a partir de quarta-feira as temperaturas mais baixas fiquem restritas ao Rio Grande do Sul e à Serra Catarinense.

O calor de até 38°C que assa o Centro-Oeste e o Sudeste ao mesmo tempo

Enquanto o Sul congela, o centro do Brasil vive cenário oposto. Na dianteira da frente fria, ocorre um fenômeno chamado advecção quente que favorece a elevação das temperaturas antes da chegada do ar frio, empurrando os termômetros para patamares extremos. Na quarta-feira (29), o interior de São Paulo pode registrar máximas de 36°C, valor que representa 6°C acima da média para o período.

No estado do Rio de Janeiro, as anomalias previstas para quarta-feira alcançam impressionantes 9°C acima da média durante a tarde, o que significa máximas que podem se aproximar ou ultrapassar 35°C. Na sexta-feira (1º), o calor se intensifica ainda mais: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Piauí podem bater 38°C ou mais, configurando um evento de calor extremo que coincide com a permanência do frio no Sul do país.

O que explica dois extremos climáticos acontecendo ao mesmo tempo

O mecanismo é meteorológico, não coincidência. A mesma frente fria que transporta ar gelado para o Sul gera, em sua dianteira, um fluxo de ventos quentes que aquece o centro do Brasil antes de sua passagem. É como um sanduíche atmosférico: atrás da frente, ar polar derruba as temperaturas; à frente dela, ventos de norte puxam ar quente e seco que eleva os termômetros muito acima do normal.

A bolha de ar quente que atua sobre o centro-leste do Brasil se intensifica justamente porque o sistema frontal comprime o ar quente contra a região central. O resultado é uma semana em que as anomalias de temperatura são extremas nos dois sentidos: 12°C abaixo da média no Sul e até 9°C acima no Sudeste. O padrão, segundo o ECMWF, deve se manter até a semana entre 11 e 18 de maio, com previsão de anomalias semanais de até 6°C em ambas as direções.

O que esperar dia a dia no Sul, Sudeste e Centro-Oeste

Na segunda-feira (27), o frio começa a avançar pelo Rio Grande do Sul com queda significativa das temperaturas à noite. Na terça-feira (28), o dia mais extremo, as mínimas atingem 0°C a 4°C no Sul enquanto as máximas já ultrapassam 33°C em São Paulo e Goiás. Na quarta-feira (29), o frio se mantém no Sul com mínimas de 5°C a 8°C, mas as máximas já começam a subir acima de 20°C na maioria das cidades gaúchas.

No Sudeste e Centro-Oeste, o calor se intensifica progressivamente. Na quinta-feira (30), Mato Grosso e Goiás já registram máximas próximas de 37°C, e na sexta-feira (1º) os termômetros podem alcançar ou ultrapassar 38°C em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Piauí. No Paraná, a frente fria provoca queda nas temperaturas entre quarta e quinta-feira, com mínimas de 13°C no amanhecer de quinta.

Como se preparar para uma semana de extremos em cada região

Para quem está no Sul, a recomendação é a mesma de uma onda de frio de inverno: agasalhos adequados, atenção a idosos e pessoas em situação de rua, proteção de culturas agrícolas contra geada e cuidado com hipotermia nas madrugadas de terça e quarta. Produtores rurais do Rio Grande do Sul devem monitorar a previsão hora a hora porque a diferença entre geada e apenas frio intenso pode ser determinada por condições locais de vento e cobertura de nuvens.

No Sudeste e Centro-Oeste, o calor extremo exige hidratação constante, evitar exposição solar entre 10h e 16h e atenção à umidade relativa do ar, que pode cair abaixo de 30% em áreas do interior. A previsão indica que o padrão de contraste térmico pode se estender por pelo menos mais duas semanas, o que significa que o Brasil não terá alívio rápido nem no frio sulista nem no calor do centro do país.

Você está no frio do Sul ou no calor do Sudeste nesta semana? Conte nos comentários qual é a temperatura na sua cidade e se prefere enfrentar o risco de geada ou os 38 graus do centro do Brasil.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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