Dados reunidos pela Conab mostram que a caixa de 27,2 quilos paga ao produtor mais que triplicou entre junho e agosto. A recuperação da oferta deve ganhar força a partir de meados de novembro, enquanto uma normalização mais consistente é esperada perto do fim do ano.
O limão tahiti chegou ao início de outubro com preços muito superiores aos registrados no começo da entressafra. A redução da oferta ocorreu depois que chuvas acima da média atingiram áreas produtoras de São Paulo, prejudicaram a florada e o pegamento dos frutos e dificultaram a colheita.
A Agência Brasil, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), informou que a pressão também apareceu na origem: a caixa de 27,2 quilos passou de R$ 32,10 em junho para R$ 55,60 em julho e alcançou R$ 104,78 em agosto.
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Entre junho e agosto, a valorização acumulada para o produtor chegou a 226,4%. O preço de agosto também ficou 71% acima do registrado no mesmo mês de 2025, mostrando que a elevação superou a diferença normalmente associada apenas à passagem para a entressafra.
Bebedouro e Matão estiveram entre as regiões mais afetadas pelas chuvas. Os dois municípios concentram aproximadamente 68% da área cultivada com limões e limas no cinturão paulista, de onde sai grande parte da fruta destinada ao abastecimento do mercado brasileiro.
Chuva comprometeu florada e qualidade comercial
O excesso de umidade atingiu diferentes etapas do ciclo produtivo. As chuvas prejudicaram o pegamento, fase em que as flores fecundadas começam a se desenvolver como frutos, e reduziram o potencial de produção que deveria ajudar a recompor a oferta durante o segundo semestre.
A maior umidade e a menor incidência de luz também favoreceram a presença de limões mais claros, que têm menor valor comercial. Ao mesmo tempo, as condições no campo dificultaram a colheita justamente durante um período em que a disponibilidade da fruta já tende a diminuir.
A entressafra normalmente começa no fim de maio e avança até meados de setembro, antes de uma recuperação gradual dos volumes. Neste ano, porém, a oferta esperada para setembro e outubro permaneceu limitada porque floradas anteriores também tiveram o desenvolvimento dos frutos prejudicado.
A principal florada destinada a formar parte da oferta do segundo semestre ocorreu em julho e foi atingida pelas chuvas acima da média em áreas de Matão e Bebedouro. Como há um intervalo entre a florada e a chegada da fruta ao mercado, os efeitos se prolongaram pelos meses seguintes.
Esse volume deve começar a aparecer de forma mais relevante a partir de meados de novembro. Até lá, a quantidade disponível segue mais apertada, embora as cotações possam oscilar de uma semana para outra conforme a entrada de produto nos centros atacadistas.
Calor aumentou procura durante oferta menor
A redução da disponibilidade coincidiu com temperaturas mais altas em agosto e setembro, período em que a procura pela fruta aumentou no mercado interno. Com menos limões disponíveis, esse avanço da demanda contribuiu para manter os preços pressionados durante a entressafra.
O mercado brasileiro também divide parte da produção com compradores estrangeiros. Cerca de 11% da safra é destinada às exportações, principalmente para a Europa, parcela que continua sendo retirada do volume total produzido mesmo quando a oferta doméstica diminui.
A valorização não ficou restrita ao atacado paulista. Na CeasaMinas da Grande Belo Horizonte, o preço passou de R$ 2,50 para R$ 8,50 no período comparado pela Conab, uma alta de 240%, indicando pressão semelhante sobre as cotações em outro grande centro de abastecimento.
Na origem, o movimento elevou os valores recebidos pelos produtores ao mesmo tempo em que o produto ficou mais caro nos mercados atacadistas. A intensidade das altas varia conforme região, classificação e momento de comercialização, mas os dados mostram que a oferta reduzida atingiu diferentes etapas da cadeia.
A recuperação deve depender da entrada da produção formada pela florada do segundo semestre. A expectativa apresentada pela Conab é que o aumento do volume disponível comece a aliviar o mercado ao longo de novembro, com normalização mais consistente perto do fim do ano.
O clima continuará sendo decisivo para esse processo. Calor excessivo e déficit hídrico podem causar estresse nas plantas e prejudicar novas floradas, o que mantém a próxima etapa da produção condicionada às condições meteorológicas nas principais regiões produtoras.
