Vegetação aquática avança sobre trecho do Rio Dourados em Lins, impede navegação, provoca destruição de estruturas de madeira e amplia preocupação de moradores diante do aumento da eutrofização em rios paulistas monitorados por órgãos ambientais.
Grandes massas de plantas aquáticas tomaram parte do Rio Dourados, em Lins (SP), e passaram a bloquear a navegação de embarcações e danificar estruturas instaladas às margens do curso d’água, segundo relatos de moradores e proprietários de ranchos na região.
Além de comprometer o deslocamento de barcos e motos aquáticas, o acúmulo da vegetação criou barreiras em trechos usados para lazer, turismo e acesso às propriedades ribeirinhas, ampliando os transtornos enfrentados pelos moradores.
Ao contrário dos aguapés comuns em cidades como Barra Bonita, as plantas observadas em Lins são apontadas como maiores, mais densas e pesadas, circunstância que aumenta a pressão exercida pela correnteza sobre píeres, ancoradouros e estruturas de madeira.
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Plantas aquáticas bloqueiam navegação no Rio Dourados

Imagens registradas por moradores mostram o leito praticamente tomado por uma extensa camada de vegetação, que avança lentamente sobre a água e acaba se acumulando diante de ranchos instalados ao longo das margens do rio.
Impulsionada pela correnteza, a massa verde já teria quebrado estruturas de madeira, destruído partes de píeres e comprometido ancoradouros utilizados por proprietários que mantêm embarcações no local.
Segundo relatos dos moradores, o problema se agrava nas proximidades da ponte que liga Lins a Sabino, ponto em que as plantas encontrariam dificuldade para atravessar sob a estrutura e acabariam formando uma espécie de bloqueio natural.
Com isso, a vegetação passa a se concentrar em áreas específicas, reduz a circulação da água em determinados trechos e amplia os prejuízos para quem depende do rio para lazer, navegação ou manutenção das propriedades.
Auren Energia diz que proliferação ocorre naturalmente
Responsável pela Usina Hidrelétrica de Promissão, a Auren Energia informou que a proliferação das macrófitas, nome técnico dado às plantas aquáticas, ocorre naturalmente em rios afluentes e não estaria relacionada à geração de energia.

De acordo com a concessionária, fatores como temperatura elevada, períodos de chuva e disponibilidade de nutrientes na água favorecem o crescimento da vegetação, que posteriormente se desprende e acompanha o fluxo do rio.
A empresa declarou ainda que realiza monitoramento constante da qualidade da água e mantém diálogo com órgãos públicos sobre a situação, enquanto moradores afirmam já ter procurado a concessionária e também a Marinha em busca de providências.
Até a publicação da reportagem, a Marinha havia sido procurada, mas não havia enviado posicionamento sobre o caso.
Cetesb relaciona avanço das plantas à eutrofização
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo informou que o avanço da vegetação está ligado à eutrofização, processo em que o excesso de nutrientes na água favorece a multiplicação de algas e plantas aquáticas.
De acordo com o órgão ambiental, altas temperaturas e períodos de chuva podem acelerar esse fenômeno, especialmente quando há carga orgânica ou nutrientes disponíveis no ambiente aquático.
A Cetesb afirmou que mantém ações de fiscalização na região, sob coordenação da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo.

Desde o ano passado, segundo o órgão, foram feitas mais de 400 inspeções no Rio Tietê e em afluentes, com aplicação de multas que somam R$ 13,8 milhões por irregularidades ambientais.
Monitoramento ambiental segue em análise na região
Equipes técnicas analisam a situação para identificar a espécie predominante e definir formas de remoção que não provoquem novos danos ao ecossistema local.
A identificação é considerada necessária porque diferentes plantas aquáticas exigem métodos específicos de manejo, e a retirada sem planejamento pode espalhar fragmentos, deslocar organismos e alterar a dinâmica do rio.
Enquanto a avaliação avança, moradores continuam relatando dificuldades para circular no trecho atingido e preocupação com a possibilidade de novos danos às estruturas instaladas nas margens.
O caso também reacende o alerta sobre a qualidade da água em rios paulistas, já que a eutrofização costuma estar associada ao desequilíbrio ambiental provocado pelo excesso de nutrientes.

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