Publicações enganosas mostram uma placa sem símbolo como nova regra de proibição total, mas sinal nunca existiu no Brasil
Um post que viralizou nas redes sociais no começo de junho mostra uma suposta nova placa de trânsito com um círculo vermelho e o centro branco, completamente vazio.
A imagem, que foi apelidada de “R-100“, sugere que a placa indica proibição total de circulação para todos os tipos de veículos — carros, motos, bicicletas, patinetes. Mas, segundo o G1, a informação é falsa.
Segundo a Associação Nacional dos Departamentos de Trânsito (AND), a placa R-100 simplesmente não existe no Brasil.
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A placa viral é inventada
A publicação afirma que a placa “sem símbolo” está sendo usada para indicar bloqueio total de tráfego em algumas regiões.
O texto adota um tom alarmista e afirma que muitas pessoas ficam confusas com o novo modelo.
O problema é que esse “modelo” nunca foi criado oficialmente.
A imagem mostra apenas um círculo com borda vermelha e o centro em branco.
Sem o traço diagonal característico das placas de proibição e sem qualquer ícone. Isso contraria o padrão estabelecido pelo Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito (MBST).
De acordo com a AND, toda placa de proibição precisa seguir regras claras de padronização.
A presença de um traço vermelho na diagonal, cruzando o símbolo da ação proibida, é uma exigência comum em placas como “proibido estacionar“, “proibido ultrapassar“, “sentido proibido“, entre outras.
Como nasce uma placa de trânsito de verdade
O Brasil tem regras rígidas para aprovar uma nova placa de sinalização viária. O processo não é simples nem rápido.
A primeira etapa envolve um estudo técnico. Esse estudo é feito por órgãos especializados e deve justificar a necessidade da nova sinalização.
Com o estudo aprovado, a proposta é analisada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que pode instaurar uma resolução específica.
Só depois disso, a placa entra para o Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito. É esse manual que define o formato, a cor, o símbolo e o significado de cada sinal utilizado no país.
A tal “R-100” nunca passou por nenhuma dessas etapas. Ela não foi estudada, não tem resolução, não consta no manual.
Placas são padronizadas nacionalmente
Outro detalhe importante: todas as placas de trânsito do Brasil precisam seguir o mesmo padrão em qualquer lugar do território nacional.
Não existe sinalização local, municipal ou regional que crie modelos próprios. Toda alteração ou criação precisa seguir as regras do Contran.
Isso garante que qualquer pessoa, de qualquer estado, entenda o significado das placas ao circular pelas vias.
Inventar uma placa nova, como a imagem da “R-100”, pode até parecer uma brincadeira, mas na prática pode confundir motoristas, causar interpretações erradas e até provocar acidentes.
Placas precisam ter significado claro
O uso de símbolos é essencial em qualquer sistema de sinalização.
O círculo vermelho com fundo branco, sem nenhum símbolo no centro, não comunica nenhuma informação objetiva ao condutor.
Por isso, o manual brasileiro determina que toda placa deve ter um ícone padronizado — uma seta, uma letra, um número ou um traço.
Tirar isso e deixar o centro da placa em branco é ir contra a lógica da sinalização pública.
A proposta da “R-100”, como circula nas redes, não é só falsa: ela é ilógica.

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