A startup americana Picket Defense Systems apresentou no SOF Week 2026 em Tampa, entre 18 e 21 de maio, o Inferno RTC, primeira torre giratória hemisférica do mundo desenhada pra abater enxames de drones kamikaze em menos de 3 segundos com mais de 54 canos fixos em ângulos diferentes, sem emitir um único sinal de radar.
O sistema é uma cúpula que gira em movimento contínuo.
Os canos ficam fixos, distribuídos em ângulos diferentes pela superfície da torre.
Em vez de uma metralhadora que aponta e dispara, o Inferno aciona o cano que estiver na posição correta no instante exato.
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O algoritmo onboard calcula a trajetória do drone, escolhe o cano e a munição certa, e dispara.
Zero latência de mira.
A detecção é totalmente passiva.
Não usa radar.
Usa um arranjo de microfones 3D que escuta o som do propulsor do drone vindo, e câmeras ópticas que confirmam visualmente.
É IA onboard com processamento TinyML que classifica o alvo em tempo real.
O resultado é uma arma silenciosa para contramedidas eletrônicas.
Drones equipados com jammer ou guerra eletrônica não conseguem enxergar o Inferno chegando.
Duas variantes, cinco calibres
A versão menor pesa 20 kg e tem 36 canos.
A versão maior pesa 40 kg e leva mais de 54 canos.
Os canos podem disparar cinco calibres diferentes, da munição leve de fuzil até granadas de baixa velocidade.
A mistura permite que cada cano seja otimizado para um tipo específico de drone.
Drone leve cai com granada a uma distância segura.
Drone de média massa pega tiro de calibre intermediário.
Drone-bomba kamikaze rápido é destruído com rajada de munição leve.
A zona de morte garantida fica em 40 metros.
A detecção começa por volta de cem metros, o que dá ao sistema cerca de três segundos para escolher cano, calibre e disparar contra um drone FPV típico.
Por que essa torre apareceu agora
O Inferno RTC nasce da experiência recente em Ucrânia e em Israel.
Enxames de drones FPV de poucos dólares cada vêm derrubando sistemas antiaéreos de milhões por bateria.
O cálculo de custo-benefício do escudo antiaéreo virou de cabeça para baixo na última década.
O Phalanx CIWS naval, o Stinger portátil e o Iron Dome israelense foram projetados para interceptar mísseis e aeronaves tripuladas, não enxames descartáveis baratos.
O Pentágono distribuiu no último ano vários contratos paralelos para startups desenvolverem soluções cinéticas contra drone barato.
A Picket Defense entra nessa onda com uma parceria recente firmada com a L3Harris, gigante de eletrônica militar com presença em projetos antidrone do Exército americano.

O setor virou laboratório aberto entre startups e contratantes tradicionais.
O Picket Inferno é uma das poucas soluções que abre mão completamente do radar.
Outras opções foram pelo caminho do laser, como o LOCUST X3 da AeroVironment, de 35 quilowatts, que a Marinha americana testou recentemente em porta-aviões.
Cada caminho tem trade-off claro: o laser é silencioso e tem munição infinita, mas falha em fumaça e mau tempo; o cinético funciona sempre, mas precisa repor cartucho.

O Brasil olha de fora
O Brasil tem um problema antidrone potencial sério no horizonte próximo.
As fronteiras com Venezuela e Colômbia já viram drones civis adaptados em situações irregulares.
O exercício anual Iguaçu, das Forças Armadas, treina defesa contra drone há alguns anos.
Mas o equipamento usado é importado, caro e dependente de radar.
Uma única bateria antidrone com radar custa vários milhões de dólares, exatamente a faixa que o Inferno RTC pretende substituir.
Sistemas como o da Picket Defense, sem radar e com hardware estimado em frações desse valor por unidade, mudam a lógica de orçamento da defesa antidrone inteira.
Olhando assim, parece o tipo de tecnologia que o país deveria importar com urgência, ou tentar replicar com indústria nacional.
Confesso que assusta o ritmo dessas startups americanas de defesa: em pouco mais de um ano saem do zero ao protótipo testado, enquanto o Brasil debate mais doze meses de processo de licitação para um sistema parecido.
E você, o Brasil precisa importar urgentemente sistemas antidrone como o Inferno ou tentar desenvolver hardware próprio? Conta aí.
