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Uma torre americana de 54 canos giratórios mata enxames inteiros de drones kamikaze em menos de 3 segundos sem precisar de radar, enquanto o Brasil ainda gasta milhões em sistemas dependentes de eletrônica detectável e fáceis de driblar em conflito real

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 25/05/2026 às 15:07
Atualizado em 25/05/2026 às 15:08
Torre giratória Inferno RTC da Picket Defense Systems em ambiente de laboratório com canos visíveis
A Inferno RTC, torre giratória da Picket Defense Systems, apresentada no SOF Week 2026 em Tampa.
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A startup americana Picket Defense Systems apresentou no SOF Week 2026 em Tampa, entre 18 e 21 de maio, o Inferno RTC, primeira torre giratória hemisférica do mundo desenhada pra abater enxames de drones kamikaze em menos de 3 segundos com mais de 54 canos fixos em ângulos diferentes, sem emitir um único sinal de radar.

O sistema é uma cúpula que gira em movimento contínuo.

Os canos ficam fixos, distribuídos em ângulos diferentes pela superfície da torre.

Em vez de uma metralhadora que aponta e dispara, o Inferno aciona o cano que estiver na posição correta no instante exato.

O algoritmo onboard calcula a trajetória do drone, escolhe o cano e a munição certa, e dispara.

Zero latência de mira.

A detecção é totalmente passiva.

Não usa radar.

Usa um arranjo de microfones 3D que escuta o som do propulsor do drone vindo, e câmeras ópticas que confirmam visualmente.

É IA onboard com processamento TinyML que classifica o alvo em tempo real.

O resultado é uma arma silenciosa para contramedidas eletrônicas.

Drones equipados com jammer ou guerra eletrônica não conseguem enxergar o Inferno chegando.

Duas variantes, cinco calibres

A versão menor pesa 20 kg e tem 36 canos.

A versão maior pesa 40 kg e leva mais de 54 canos.

Os canos podem disparar cinco calibres diferentes, da munição leve de fuzil até granadas de baixa velocidade.

A mistura permite que cada cano seja otimizado para um tipo específico de drone.

Drone leve cai com granada a uma distância segura.

Drone de média massa pega tiro de calibre intermediário.

Drone-bomba kamikaze rápido é destruído com rajada de munição leve.

A zona de morte garantida fica em 40 metros.

A detecção começa por volta de cem metros, o que dá ao sistema cerca de três segundos para escolher cano, calibre e disparar contra um drone FPV típico.

Por que essa torre apareceu agora

O Inferno RTC nasce da experiência recente em Ucrânia e em Israel.

Enxames de drones FPV de poucos dólares cada vêm derrubando sistemas antiaéreos de milhões por bateria.

O cálculo de custo-benefício do escudo antiaéreo virou de cabeça para baixo na última década.

O Phalanx CIWS naval, o Stinger portátil e o Iron Dome israelense foram projetados para interceptar mísseis e aeronaves tripuladas, não enxames descartáveis baratos.

O Pentágono distribuiu no último ano vários contratos paralelos para startups desenvolverem soluções cinéticas contra drone barato.

A Picket Defense entra nessa onda com uma parceria recente firmada com a L3Harris, gigante de eletrônica militar com presença em projetos antidrone do Exército americano.

Drone kamikaze Hero-30 do tipo loitering munition que pode ser abatido pelo Inferno RTC

O setor virou laboratório aberto entre startups e contratantes tradicionais.

O Picket Inferno é uma das poucas soluções que abre mão completamente do radar.

Outras opções foram pelo caminho do laser, como o LOCUST X3 da AeroVironment, de 35 quilowatts, que a Marinha americana testou recentemente em porta-aviões.

Cada caminho tem trade-off claro: o laser é silencioso e tem munição infinita, mas falha em fumaça e mau tempo; o cinético funciona sempre, mas precisa repor cartucho.

Sistema antiaéreo Phalanx CIWS da Marinha americana com radar embutido na cúpula branca

O Brasil olha de fora

O Brasil tem um problema antidrone potencial sério no horizonte próximo.

As fronteiras com Venezuela e Colômbia já viram drones civis adaptados em situações irregulares.

O exercício anual Iguaçu, das Forças Armadas, treina defesa contra drone há alguns anos.

Mas o equipamento usado é importado, caro e dependente de radar.

Uma única bateria antidrone com radar custa vários milhões de dólares, exatamente a faixa que o Inferno RTC pretende substituir.

Sistemas como o da Picket Defense, sem radar e com hardware estimado em frações desse valor por unidade, mudam a lógica de orçamento da defesa antidrone inteira.

Olhando assim, parece o tipo de tecnologia que o país deveria importar com urgência, ou tentar replicar com indústria nacional.

Confesso que assusta o ritmo dessas startups americanas de defesa: em pouco mais de um ano saem do zero ao protótipo testado, enquanto o Brasil debate mais doze meses de processo de licitação para um sistema parecido.

E você, o Brasil precisa importar urgentemente sistemas antidrone como o Inferno ou tentar desenvolver hardware próprio? Conta aí.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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