A AeroVironment anunciou em 24 de março de 2026 a terceira geração do seu sistema laser anti-drone, o LOCUST X3, com potência escalável de 20 a 35 quilowatts e custo de engajamento abaixo de US$ 5 por disparo. Segundo comunicado da AeroVironment, o novo sistema combina pela primeira vez IA-targeting embarcada com arquitetura modular plug-and-play para vencer enxames de drones em maremoto. A apresentação acontece um mês antes de a Marinha americana confirmar publicamente um teste histórico realizado em outubro de 2025 a bordo do porta-aviões USS George H.W. Bush, deslocando o programa de protótipo para arsenal operacional.
O salto técnico mira um adversário específico: o drone iraniano Shahed-136, que custa entre US$ 20 mil e US$ 40 mil por unidade e foi usado em massa nas crises do Mar Vermelho e na Ucrânia. Conforme apurou a The War Zone, o custo médio para abater um Shahed com mísseis tradicionais ultrapassa US$ 2 milhões por disparo.

Por que outubro de 2025 muda o jogo naval
Em outubro de 2025, o sistema LOCUST Palletized High Energy Laser (P-HEL) foi instalado em configuração contêinerizada sobre o convés de voo do USS George H.W. Bush (CVN-77). Os testes neutralizaram múltiplos veículos aéreos não tripulados em sequência única, segundo o Naval Today.
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O teste foi conduzido em parceria entre a US Navy e o Army Rapid Capabilities and Critical Technologies Office (RCCTO). Segundo a AeroVironment, o anúncio público veio apenas em 21 de abril de 2026.
O ciclo de demonstração mostrou que o sistema pode ser desembarcado em horas. Engenheiros descrevem a operação como roll-on/roll-off, com recarga via baterias internas ou energia direta do navio. Cross-platform: veículos terrestres, embarcações de superfície e convés de porta-aviões.
O programa tem precedente em hardware com centenas de implantações anteriores. A AeroVironment cita as iniciativas AMP-HEL (Army Multi-Purpose High Energy Laser) e PHEL (Palletized High Energy Laser) como bancos de teste do mesmo blueprint que originou o LOCUST X3.
Como Pequim olha para um arsenal a US$ 5 por tiro
Pequim acompanha o desenvolvimento porque o cálculo de custo-eficácia inverte a lógica que sustenta os enxames de drones modernos. Segundo análise da Center for International Maritime Security (CIMSEC), o uso de mísseis Standard Missile-2 a US$ 2,1 milhões para abater drones Houthis de US$ 2 mil tornou a defesa convencional economicamente insustentável durante a crise do Mar Vermelho entre 2024 e 2025.
Conforme apurou a Military Times, o LOCUST X3 muda essa equação ao trazer o custo do disparo para menos de US$ 5. Em um cenário de 50 drones em massa, a diferença é de US$ 250 versus US$ 105 milhões.
O reveal técnico: AV_Halo PINPOINT troca operador por algoritmo
Por dentro, o LOCUST X3 estreia o software AV_Halo PINPOINT, plataforma de IA que assume detecção, rastreamento e engajamento automatizados. Em vez de operadores humanos identificarem cada alvo, o sistema processa simultaneamente dezenas de pistas e prioriza engajamentos por nível de ameaça. Engenheiros da AeroVironment descrevem a arquitetura como MOSA, sigla para Modular Open Systems Approach, padrão do Departamento de Guerra (Department of War) dos EUA.
O director óptico é modular. A plataforma aceita configurações de baixa potência até 30+ kW sem trocar o chassi. Componentes comerciais maduros baixam o custo de produção em escala. O LOCUST X3 cobre alvos Grupo 1 a 3, categoria que engloba quadcópteros táticos, drones de longa autonomia e veículos de superfície não tripulados.
Plataformas táticas compatíveis incluem o Joint Light Tactical Vehicle (JLTV), o Infantry Squad Vehicle (ISV), instalações fixas e convés navais. A AeroVironment promete integração com radares e sistemas C2 já existentes nas frotas da OTAN, evitando reformas estruturais nos navios.

Histórico: 2017, El Paso e a primeira faísca
O LOCUST original entrou em testes em 2017 com 20 kW. Segundo a The War Zone, uma das primeiras demonstrações forçou o fechamento temporário do espaço aéreo em El Paso, Texas, em 2023. A geração X3 vem depois de a AeroVironment absorver tecnologia derivada do contrato de US$ 95,4 milhões assinado pela BlueHalo com a SMDC do Exército Americano.
Os ciclos anteriores entregaram unidades a Bahrein, Arábia Saudita e a navios próprios da Marinha. A documentação pública lista hundreds of prior deployments — em torno de 80 unidades operacionais em 9 países entre 2018 e 2025.
O reveal humano: Nawabi, Clum e Caudle
Wahid Nawabi, CEO da AeroVironment, declarou em 24 de março de 2026 que o LOCUST X3 entrega solução acessível e escalável para neutralizar ameaças aéreas em larga escala. Mary Clum, presidente do segmento Space, Cyber & Directed Energy da AeroVironment, afirmou que o sistema transforma a resposta a ataques de drones em massa, conforme reportou a DefenseScoop.
Do lado da Marinha, o almirante Daryl Caudle, comandante do US Fleet Forces Command, declarou em fevereiro de 2026 que a Golden Fleet do futuro próximo será sustentada por armas de energia dirigida. Caudle pediu aceleração de contratos de produção e citou o LOCUST entre as três tecnologias críticas.
John Garrity, vice-presidente de Directed Energy Systems da AeroVironment, descreveu o sistema como capaz de entregar proteção em todos os domínios na velocidade da luz, em qualquer plataforma. Garrity supervisionou a integração do P-HEL no USS Bush em outubro de 2025.
O contexto internacional: BlueHalo, Lockheed e os concorrentes
O mercado de armas de energia dirigida vive corrida acelerada. A BlueHalo recebeu em janeiro de 2026 contrato de US$ 95,4 milhões com a SMDC para desenvolver lasers de alta energia em conjunto com a US Army. A Lockheed Martin opera o HELIOS de 60 quilowatts no destróier USS Preble, da classe Arleigh Burke Flight IIA. Segundo a IMARC Group, o mercado global deve passar de US$ 9,3 bilhões em 2024 para US$ 21,4 bilhões em 2030, crescimento médio anual de 14,8%.
Comparativo entre os três principais sistemas em operação parcial ou plena na Marinha americana em 2026:
- LOCUST X3 (AeroVironment): 20-35 kW escalável, custo < US$ 5 por disparo, AI-targeting AV_Halo PINPOINT, plataforma JLTV/ISV/naval, mira Grupo 1-3 UAS.
- HELIOS (Lockheed Martin): 60 kW, integrado ao radar AEGIS, destacado no destróier USS Preble (Arleigh Burke Flight IIA), abateu enxame de 4 drones em demonstração no Pacífico.
- ODIN (Northrop Grumman): baixo kW, foco em ofuscar sensores ópticos de drones inimigos, instalado em sete destróieres entre 2020 e 2025.

O reveal futuro: contratos, Irã e a janela 2027
A AeroVironment espera primeiras entregas operacionais do LOCUST X3 entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. A produção será em parceria com a Anduril, que coordenará integração com o Lattice OS, sistema de comando-e-controle autônomo distribuído entre as forças americanas. O Pentágono solicitou em abril de 2026 que o Strategic Command (STRATCOM) avalie o uso operacional do laser em frotas próximas ao Estreito de Ormuz, caso o regime iraniano de Ali Khamenei intensifique o emprego de Shahed-136 contra petroleiros.
O HESA Shahed-136 opera com alcance de 2.500 quilômetros, ogiva de 50 quilos e velocidade de até 185 km/h. O drone foi exportado para a Rússia e usado contra alvos urbanos ucranianos em quantidades que superam 6.000 unidades disparadas entre 2022 e 2025, segundo levantamento do think tank Royal United Services Institute (RUSI).

O calendário aperta. Ainda assim, o LOCUST X3 chega num momento em que o Departamento de Guerra dos EUA prepara o orçamento de 2027 com US$ 1,2 bilhão dedicados a sistemas de energia dirigida, dobro do valor de 2024. A AeroVironment confirmou que a primeira leva de unidades operacionais será entregue até janeiro de 2027 com prioridade para a 7ª Frota no Pacífico, frente direta à expansão naval chinesa no Mar do Sul.

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