Com novos projetos e descobertas, a CNOOC elevou a produção global em 2026 e destacou a contribuição brasileira. O balanço detalha a expansão internacional, os resultados financeiros e os avanços em Búzios.
A petroleira chinesa CNOOC colocou nove novos projetos de petróleo e gás em operação, anunciou cinco descobertas e alcançou uma produção recorde de 593,7 milhões de barris de óleo equivalente nos nove primeiros meses de 2026.
O resultado representa um crescimento de 2,7% em relação ao mesmo período do ano passado, com contribuição das operações internacionais, incluindo o Brasil.
Os números foram divulgados na sexta-feira (30 de outubro de 2026), durante a apresentação dos resultados operacionais do terceiro trimestre da companhia, uma das principais produtoras de petróleo e gás offshore da China.
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Segundo o comunicado oficial da CNOOC, a produção fora do território chinês cresceu 4,3% e atingiu 185,1 milhões de barris equivalentes entre janeiro e setembro. A empresa destacou os projetos no Brasil e na Guiana entre os responsáveis pelo avanço.
O recorde de 593,7 milhões de barris equivalentes considera as operações globais da companhia e corresponde ao maior volume já registrado pela CNOOC para os nove primeiros meses de um ano, não à produção exclusiva do Brasil.

Brasil contribui para crescimento internacional da CNOOC
As operações internacionais tiveram um crescimento superior ao registrado no mercado doméstico chinês durante os três primeiros trimestres de 2026.
Enquanto a produção fora da China avançou 4,3%, o volume extraído dentro do país aumentou 1,9%, alcançando 408,5 milhões de barris de óleo equivalente.
A CNOOC atribuiu parte do desempenho internacional à contribuição de empreendimentos no Brasil e na Guiana, onde mantém participações em projetos de exploração e produção.
No território brasileiro, um dos principais ativos da companhia é o campo de Búzios, localizado no pré-sal da Bacia de Santos, a aproximadamente 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro.
A empresa participa do empreendimento por meio da subsidiária CNOOC Petroleum Brasil, que possui 7,34% de participação na jazida compartilhada.
A Petrobras responde pela operação do campo, com participação de 88,99%, enquanto a CNODC Brasil Petróleo e Gás detém os 3,67% restantes.
O crescimento da produção em Búzios também envolve a entrada de novas plataformas em operação, ampliando a capacidade instalada de extração de petróleo e gás em águas profundas.
Plataforma P-79 amplia produção no pré-sal brasileiro
Entre os projetos que começaram a produzir em 2026 está Búzios 8, desenvolvido com a plataforma P-79, que iniciou suas atividades em 1º de maio.
A unidade possui capacidade nominal para produzir 180 mil barris de petróleo e processar 7,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Esses valores representam a capacidade total projetada da plataforma, não a parcela de produção pertencente à CNOOC.

De acordo com o comunicado da Petrobras sobre o início da operação da P-79, a plataforma começou a produzir com três meses de antecedência em relação ao cronograma previsto no Plano de Negócios 2026–2030.
A entrada da unidade ampliou a infraestrutura produtiva do campo de Búzios, que passou a contar com oito sistemas de produção em operação.
Em junho, a Petrobras informou que o campo havia superado a marca de 1,2 milhão de barris de petróleo produzidos por dia. O resultado ocorreu durante a ampliação gradual das atividades das plataformas P-78 e P-79.
A CNOOC também mencionou Búzios 8 em seu balanço semestral, publicado em agosto, como um dos cinco projetos colocados em produção pela companhia durante os primeiros seis meses de 2026.
Além da participação em campos já desenvolvidos, a empresa informou que ingressou em três blocos exploratórios no Brasil e na Indonésia durante o primeiro semestre.
Conforme o relatório divulgado pela CNOOC em 26 de agosto, uma dessas áreas representa sua primeira atuação como operadora em um bloco localizado no pré-sal da Bacia de Santos.
Nove projetos entram em operação e cinco descobertas são anunciadas
O avanço da produção internacional acompanhou a entrada em operação de novos empreendimentos em diferentes regiões onde a companhia atua.
Nos nove primeiros meses de 2026, a CNOOC iniciou a produção em nove projetos, sendo cinco durante o primeiro semestre e quatro no terceiro trimestre.
Entre os empreendimentos destacados pela empresa está o campo de Bozhong 26-6, localizado na região do Mar de Bohai, na China, onde a ampliação da capacidade produtiva contribuiu para aumentar a oferta de petróleo e gás.

Outro projeto mencionado é o campo de Panyu 10-4, no Mar do Sul da China, que passou a utilizar sistemas inteligentes para automatizar as atividades de produção, processamento e transferência de petróleo.
A unidade também emprega um sistema de recuperação de calor da água produzida para geração de energia, tecnologia utilizada para reduzir o consumo energético e as emissões associadas às operações.
Na exploração, a petroleira informou cinco novas descobertas e a avaliação de 23 estruturas geológicas com presença de petróleo ou gás entre janeiro e setembro.
Entre as áreas destacadas estão Bozhong 8-3 Sul e Huizhou 21-8, ambas na China. Segundo a companhia, as avaliações ampliaram as estimativas de recursos dessas estruturas, que apresentam potencial para desenvolvimento de campos de médio e grande porte.
As descobertas e os novos projetos fazem parte do balanço global da CNOOC. O comunicado de outubro não atribui os cinco novos achados ao Brasil nem informa que todos os nove empreendimentos iniciados estejam localizados em território brasileiro.
Receita de petróleo e gás cresce 19,5% em 2026
O aumento da produção também apareceu nos resultados financeiros apresentados pela companhia.
Entre janeiro e setembro, a receita de vendas de petróleo e gás da CNOOC alcançou 305,35 bilhões de yuans, crescimento de 19,5% em comparação com o mesmo período de 2025.
O lucro líquido atribuível aos acionistas chegou a aproximadamente 119,12 bilhões de yuans, avanço de 16,8% na comparação anual.
Já os investimentos de capital somaram cerca de 89,9 bilhões de yuans nos nove primeiros meses de 2026, conforme os dados ainda não auditados divulgados pela empresa.
O presidente e diretor-executivo da CNOOC, Huang Yongzhang, afirmou no comunicado de 30 de outubro que a companhia pretende manter os investimentos em exploração e desenvolvimento durante o quarto trimestre, com atenção ao controle de custos e ao cumprimento das metas operacionais.
No balanço semestral, a petroleira havia estabelecido uma meta de produção anual entre 780 milhões e 800 milhões de barris de óleo equivalente para 2026.
Os resultados acumulados até setembro serão utilizados pela companhia no acompanhamento dessas metas, enquanto continuam as atividades de produção nos campos brasileiros e nos demais empreendimentos internacionais que integram seu portfólio.
