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Petrobras transfere 6,6 milhões de barris de petróleo em alto-mar em apenas um mês com navios que dispensam terminais em terra

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Escrito por Ana Alice Publicado em 31/10/2026 às 21:33 Atualizado em 31/10/2026 às 21:34
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Petrobras transferiu 6,6 milhões de barris de petróleo por navios CTV em agosto, com operação em alto-mar que dispensa terminais em terra. - Imagem: Ilustrativa via I.A
Petrobras transferiu 6,6 milhões de barris de petróleo por navios CTV em agosto, com operação em alto-mar que dispensa terminais em terra. – Imagem: Ilustrativa via I.A
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A Petrobras ampliou a movimentação de petróleo em alto-mar com embarcações especializadas, em meio ao crescimento da produção offshore. Os resultados divulgados pela estatal também trazem informações sobre a logística e o escoamento das cargas.

A Petrobras movimentou 6,6 milhões de barris de petróleo em agosto de 2026 utilizando embarcações especializadas que permitem transferir cargas entre plataformas offshore e grandes petroleiros diretamente em alto-mar, sem a necessidade de passar por terminais em terra nessa etapa do transporte.

O volume foi divulgado pela estatal na quarta-feira (28 de outubro de 2026), durante a apresentação dos resultados operacionais do terceiro trimestre. A movimentação ocorreu por meio de navios conhecidos como CTV, sigla em inglês para Cargo Transfer Vessel.

Segundo o comunicado oficial da Petrobras, a tecnologia contribui para ampliar a flexibilidade logística das operações marítimas e atender à demanda de escoamento da produção de petróleo.

O resultado foi apresentado em um período de crescimento da extração de óleo e gás pela companhia, acompanhado pelo aumento dos embarques destinados ao mercado internacional.

Navio SeaLoader 2, embarcação especializada na transferência de petróleo entre plataformas offshore e petroleiros convencionais, utilizada nas operações marítimas da Petrobras. Crédito: Divulgação / Mitsui O.S.K. Lines (MOL) / SeaLoading.
Navio SeaLoader 2, embarcação especializada na transferência de petróleo entre plataformas offshore e petroleiros convencionais, utilizada nas operações marítimas da Petrobras. Crédito: Divulgação / Mitsui O.S.K. Lines (MOL) / SeaLoading.

Como os navios CTV transferem petróleo em alto-mar

O transporte do petróleo produzido em plataformas marítimas envolve uma operação logística que começa antes de a carga chegar aos terminais ou às refinarias.

Em unidades do tipo FPSO, responsáveis pela produção, armazenamento e transferência de petróleo, o óleo processado permanece em tanques até ser retirado por embarcações especializadas.

Tradicionalmente, parte dessa operação utiliza navios aliviadores equipados com sistemas de posicionamento dinâmico. Esses equipamentos permitem manter a embarcação na posição necessária para receber o petróleo da plataforma, mesmo com a movimentação provocada pelas condições do mar.

Dependendo do destino, o navio precisa seguir até um terminal ou uma área de transferência para que a carga seja posteriormente embarcada em outro petroleiro.

O sistema CTV permite eliminar essa etapa intermediária em determinadas operações. A embarcação especializada conecta o FPSO a um navio-tanque convencional, possibilitando que o petróleo seja transferido diretamente entre as estruturas no ambiente marítimo.

Isso permite utilizar petroleiros de grande porte sem exigir que todos possuam os sistemas específicos normalmente empregados no carregamento junto às plataformas.

A tecnologia já é utilizada no Brasil pela Petrobras. Em março de 2024, a japonesa Mitsui O.S.K. Lines (MOL) anunciou um contrato de afretamento do SeaLoader 2, pertencente à sua subsidiária SeaLoading.

De acordo com o comunicado da MOL, o equipamento havia realizado mais de 30 operações experimentais de transferência de petróleo em FPSOs da Bacia de Santos, incluindo carregamentos envolvendo petroleiros de grande porte.

A utilização de CTVs, entretanto, não elimina os terminais terrestres das demais atividades da Petrobras. Trata-se de uma alternativa para operações específicas de escoamento, que continuam exigindo planejamento marítimo e procedimentos de segurança.

Relatórios da Petrobras apresentam volumes diferentes para junho

No comunicado de outubro, a Petrobras classificou os 6,6 milhões de barris movimentados em agosto como um novo recorde mensal de transferência por CTV.

A companhia informou que o resultado teria superado a marca anterior de 6,2 milhões de barris, atribuída a junho de 2026.

Entretanto, o número apresentado para junho diverge de outro dado oficial divulgado pela própria estatal.

Em 6 de agosto, durante a apresentação dos resultados financeiros do segundo trimestre, a Petrobras havia informado que movimentou 15,4 milhões de barris por CTV em junho, classificando aquele volume como recorde.

O número consta no comunicado de resultados do segundo trimestre da Petrobras e no material operacional referente ao período.

Assim, os documentos apresentam duas referências distintas para o mesmo mês: 15,4 milhões de barris na divulgação de agosto e 6,2 milhões na atualização de outubro.

A Petrobras não esclareceu, nos comunicados consultados, se houve revisão dos dados ou utilização de critérios diferentes de contabilização.

Embora o volume de 6,6 milhões de barris de agosto esteja registrado no relatório mais recente, a divergência impede estabelecer, apenas com os documentos disponíveis, se ele efetivamente superou todas as marcas anteriores.

Produção offshore da Petrobras cresceu 11,7% em um ano

O aumento das atividades de escoamento ocorre enquanto a Petrobras amplia a produção de petróleo e gás natural em campos marítimos brasileiros.

No terceiro trimestre de 2026, a produção própria de óleo, líquidos de gás natural e gás alcançou 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia, crescimento de 11,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o avanço foi de 5,3%, segundo os números apresentados pela estatal em 28 de outubro.

Parte desse desempenho veio da ampliação da produção dos FPSOs P-78 e P-79, instalados no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.

Outro destaque foi o FPSO Alexandre de Gusmão, no campo de Mero, que atingiu sua capacidade originalmente projetada de 180 mil barris por dia em agosto.

FPSO Alexandre de Gusmão, instalado no campo de Mero, na Bacia de Santos. A plataforma alcançou sua capacidade de produção de 180 mil barris de petróleo por dia em agosto de 2026. Crédito: Divulgação / Petrobras.
FPSO Alexandre de Gusmão, instalado no campo de Mero, na Bacia de Santos. A plataforma alcançou sua capacidade de produção de 180 mil barris de petróleo por dia em agosto de 2026. Crédito: Divulgação / Petrobras.

A Petrobras também informou que 12 novos poços produtores entraram em operação durante o terceiro trimestre, sendo seis na Bacia de Campos e outros seis na Bacia de Santos.

Com mais petróleo sendo extraído e armazenado nas plataformas, a retirada regular dessas cargas continua sendo uma etapa necessária para manter o funcionamento dos sistemas de produção.

Os navios CTV integram as alternativas logísticas utilizadas nesse processo, ao lado dos navios aliviadores, petroleiros convencionais e terminais de armazenamento.

Embarques para exportação chegaram a 37,8 milhões de barris

Os resultados divulgados em outubro também mostram uma ampliação dos embarques de petróleo destinados à exportação.

Segundo a Petrobras, 37,8 milhões de barris foram embarcados em agosto de 2026, superando os 37,2 milhões registrados em julho.

A companhia atribuiu o desempenho ao planejamento das operações, à otimização das rotas marítimas e à redução dos períodos de espera e dos tempos de atracação.

Esses números representam o volume total dos embarques de petróleo para exportação, não apenas as cargas movimentadas por CTV. Portanto, não devem ser confundidos com os 6,6 milhões de barris registrados nas operações com essas embarcações em agosto.

A Petrobras também informou que parte das cargas embarcadas permaneceu em trânsito ao final do terceiro trimestre e, por essa razão, ainda não havia sido contabilizada no volume efetivamente exportado durante o período.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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