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A “pedra” de 130 metros que estava escondida sob gelo e enganou os satélites: cientistas descobrem nova ilha na Antártida em área antes marcada como “zona de perigo”

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 22/04/2026 às 11:50
Atualizado em 22/04/2026 às 11:52
Durante expedição no Mar de Weddell, pesquisadores fizeram a descoberta de uma ilha oculta. O território agora passará por um processo oficial de nomeação.
Durante expedição no Mar de Weddell, pesquisadores fizeram a descoberta de uma ilha oculta. O território agora passará por um processo oficial de nomeação. Foto: Alfred Wegener Institute / Simon Dreutter
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Durante expedição no Mar de Weddell, pesquisadores fizeram a descoberta de uma ilha oculta. O território agora passará por um processo oficial de nomeação.

O que antes era registrado nos mapas apenas como uma “zona de perigo não explorada” acaba de ganhar contornos definitivos. Durante uma expedição científica, pesquisadores do Instituto Alfred Wegener (AWI) realizaram a descoberta de uma ilha desconhecida no Mar de Weddell, na Antártida.

O território, que não constava em nenhuma carta náutica internacional, foi revelado após a equipe decidir investigar uma massa que, visualmente, assemelhava-se a um iceberg coberto de sedimentos, mas que se provou ser uma formação rochosa sólida. A localização desta massa de terra em uma rota marítima incerta explica por que ela permaneceu oculta por tanto tempo.

De acordo com os especialistas, a camada de gelo que reveste a rocha faz com que ela se camufle perfeitamente entre os blocos de gelo flutuantes em imagens de satélite, impedindo a identificação remota. Com a confirmação visual e técnica, a equipe agora trabalha para que o novo ponto geográfico seja oficialmente reconhecido e integrado aos sistemas de navegação global.

Especificações técnicas do novo território

Assim que a natureza rochosa da formação foi confirmada, os pesquisadores iniciaram uma coleta rigorosa de dados para descrever a ilha.

Utilizando equipamentos de ponta da embarcação alemã, foram registradas as dimensões exatas que agora servirão de base para a atualização das cartas hidrográficas internacionais.

Os principais dados da descoberta incluem:

  • Comprimento: Cerca de 130 metros de extensão.
  • Largura: Aproximadamente 50 metros.
  • Elevação: 16 metros de altura acima da superfície do mar.
  • Constituição: Estrutura de rocha sólida protegida por uma crosta de gelo.

Simon Dreutter, especialista em batimetria que participou da jornada, descreveu o momento da percepção do erro visual.

Ao notar que o suposto iceberg não se movia e apresentava características minerais, a equipe alterou o curso para uma inspeção de perto.

“Ao inspecionar mais de perto, percebemos que provavelmente era rocha. Então mudamos o rumo e seguimos naquela direção, e ficou cada vez mais claro que tínhamos uma ilha à nossa frente!”, relatou o especialista sobre a surpresa de encontrar terra firme onde o mapa nada indicava.

O processo de oficialização e nomeação da ilha

A descoberta de uma nova ilha em 2026 exige um protocolo rigoroso antes que suas coordenadas sejam totalmente liberadas.

O Instituto Alfred Wegener informou que a posição precisa do local será mantida sob reserva até que o processo de nomeação seja formalmente concluído.

Durante expedição no Mar de Weddell, pesquisadores fizeram a descoberta de uma ilha oculta. O território agora passará por um processo oficial de nomeação.
Durante expedição no Mar de Weddell, pesquisadores fizeram a descoberta de uma ilha oculta. O território agora passará por um processo oficial de nomeação. Foto: Alfred Wegener Institute / Christian Haas

Após o batismo oficial, a informação será compartilhada com órgãos internacionais para garantir que navios que transitam pela Antártida não corram riscos de colisão.

“A equipe publicará a posição exata da ilha assim que o processo de nomeação estiver concluído e também garantirá que a informação seja adicionada às cartas náuticas internacionais e a outros conjuntos de dados importantes ”, explicou a instituição em nota oficial.

A existência desta ilha revela que, apesar do avanço dos satélites, a superfície marinha ainda possui “buracos negros” de informação.

A tecnologia de radar e óptica muitas vezes falha em distinguir gelo flutuante de rocha estacionária, especialmente em regiões polares onde a cobertura de neve é constante.

Além disso, a descoberta serve como um lembrete de que o Mar de Weddell permanece como uma das fronteiras menos compreendidas do planeta.

Fonte: Revista Galileu

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Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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