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Pela primeira vez em mil anos as duas principais falhas do sul da Califórnia estariam sob tensão máxima ao mesmo tempo, indica um modelo da Universidade de Berna, um alinhamento que no passado precedeu rupturas conjuntas, ainda que o estudo não estabeleça nenhuma data

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 11/06/2026 às 16:51
Atualizado em 11/06/2026 às 16:57
As duas principais falhas do sul da Califórnia estariam sob tensão máxima em mil anos pela primeira vez, indica estudo da Universidade de Berna, sem prever data
As duas principais falhas do sul da Califórnia estariam sob tensão máxima em mil anos pela primeira vez, indica estudo da Universidade de Berna, sem prever data
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A pesquisa simulou mil anos de história sísmica e concluiu que San Andreas e San Jacinto acumulam tensão elevada simultaneamente. O dado preocupa cientistas pelo histórico de rupturas combinadas, mas os próprios autores reforçam que o trabalho não prevê quando um terremoto pode acontecer.

Um novo estudo indica que as duas principais falhas do sul da Califórnia estariam, pela primeira vez em cerca de mil anos, acumulando tensão tectônica máxima ao mesmo tempo. A conclusão é de uma pesquisa liderada pela doutora Liliane Burkhard, da Universidade de Berna, na Suíça, e foi divulgada em junho de 2026, segundo material publicado pelo site Active NorCal. O trabalho aponta que os sistemas de falhas de San Andreas e San Jacinto atingiram seus maiores níveis de tensão em toda a simulação, mas é importante destacar desde já que o estudo não estabelece nenhuma data para um eventual terremoto.

De acordo com a publicação, os pesquisadores construíram um modelo baseado em princípios físicos que simulou um milênio de história sísmica ao longo dessas duas falhas. Os resultados, publicados no periódico científico Journal of Geophysical Research: Solid Earth, mostram que a tensão em ambos os sistemas atingiu e, em alguns casos, ultrapassou os níveis mais altos registrados em toda a simulação de mil anos. O que chama a atenção dos cientistas, porém, não é apenas a quantidade de tensão acumulada, mas o fato de as duas falhas estarem nesse patamar elevado simultaneamente.

O que o estudo da Universidade de Berna realmente mostra

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O ponto central da pesquisa é o alinhamento de tensão entre os dois grandes sistemas de falhas da região. 

Segundo o material, modelos como esse buscam reconstruir como a tensão se acumulou ao longo dos séculos, e o resultado indicou que San Andreas e San Jacinto estão atingindo níveis semelhantes e altos ao mesmo tempo.

Esse acúmulo conjunto é o que diferencia o cenário atual da maior parte do milênio analisado, no qual as falhas nem sempre estiveram tensionadas em paralelo.

É fundamental compreender o que o modelo representa e o que ele não faz. 

Conforme a própria publicação, trata-se de uma simulação baseada em física que estima o estado de tensão das falhas, e não de uma previsão de terremoto.

O estudo não diz quando um abalo pode ocorrer, nem afirma que ele é iminente.

O que os pesquisadores sustentam é que o sistema estaria criticamente sobrecarregado, uma avaliação sobre o estado atual das falhas, sem qualquer cronologia associada.

Por que o encontro das falhas em Cajon Pass preocupa

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A geografia ajuda a entender por que esse alinhamento de tensão é estudado com atenção. 

De acordo com o material, quando os dois sistemas estão sob tensão em conjunto, as condições favorecem o que os pesquisadores chamam de evento de abertura de comporta em Cajon Pass, uma junção tectônica a nordeste de Los Angeles, onde as duas falhas se encontram.

Esse é um ponto sensível justamente por ser onde os dois sistemas convergem.

O conceito de abertura de comporta descreve um efeito em cadeia entre as falhas. 

Segundo a publicação, isso significa que uma ruptura iniciada em uma falha poderia se estender para a outra, produzindo um terremoto significativamente maior do que um abalo confinado a um único sistema.

É essa possibilidade de ruptura combinada, e não um terremoto qualquer, que torna o cenário de tensão simultânea um objeto de estudo relevante para os cientistas.

O que a história sísmica da região ensina

Os registros de grandes terremotos do passado ajudam a contextualizar o achado do modelo. 

Conforme o material, o último grande terremoto da região foi o de Fort Tejon, em 1857, com magnitude 7,9, um dos maiores já registrados na Califórnia.

Aquele abalo, porém, parou no Passo de Cajon, ou seja, não se propagou de um sistema de falhas para o outro, ficando contido em sua extensão.

Um episódio anterior, no entanto, seguiu justamente o caminho que preocupa os pesquisadores. 

De acordo com a publicação, o terremoto de Wrightwood, em 1812, rompeu a falha na junção entre os dois sistemas, no tipo de ruptura conjunta associado a abalos de maior magnitude.

Segundo o estudo, as condições de tensão atuais se assemelham mais ao cenário que precedeu essa ruptura combinada, o que explica o interesse científico no alinhamento observado hoje.

As áreas citadas e o tamanho da incerteza

O estudo aponta quais regiões estariam dentro da área de influência desses sistemas de falhas. 

Conforme a publicação, a região potencialmente afetada inclui a Grande Los Angeles, além de San Bernardino, Riverside e o Vale de Coachella, áreas densamente povoadas do sul da Califórnia.

Por isso, o tema desperta atenção entre moradores e autoridades de uma das zonas de maior risco sísmico dos Estados Unidos.

Ainda assim, é essencial manter a leitura do dado dentro dos limites do que a ciência afirma. 

A própria pesquisa, ao não estabelecer data, reconhece a incerteza inerente ao comportamento das falhas, que podem permanecer sob alta tensão por longos períodos antes de qualquer ruptura.

Em uma região que conhece o risco sísmico há gerações, a contribuição do estudo é refinar o entendimento sobre o estado das falhas, e não anunciar um evento próximo.

O estudo da Universidade de Berna sobre as falhas do sul da Califórnia oferece um retrato detalhado de um sistema tectônico sob tensão historicamente alta, com os dois principais sistemas alinhados pela primeira vez em cerca de mil anos. 

O achado é cientificamente importante e merece atenção, sobretudo pela semelhança com cenários que, no passado, precederam rupturas conjuntas.

Ao mesmo tempo, a ausência de qualquer previsão de data reforça que se trata de uma avaliação de risco, e não de um alerta de terremoto iminente.

E você, o que acha desse tipo de pesquisa que mede a tensão acumulada nas falhas geológicas? Comente se já conhecia o funcionamento das falhas de San Andreas e San Jacinto, como avalia o desafio de conviver com o risco sísmico em grandes cidades e qual a importância de estudos assim para a prevenção. A conversa fica aberta a todos os interessados em ciência, geologia e prevenção de desastres.

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Bruno Teles

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