Peixe-lua pode ultrapassar três metros, realiza mergulhos profundos, possui alimentação diversificada e enfrenta ameaças provocadas pela pesca e pela poluição
O peixe-lua chama atenção pelo corpo achatado, pelas dimensões gigantescas e pela aparência considerada quase pré-histórica.
Conhecido cientificamente como Mola mola, o animal pode ultrapassar três metros. Registros científicos históricos também atribuem à espécie exemplares com mais de duas toneladas.
O Monterey Bay Aquarium informa, porém, que o recorde de peixe ósseo mais pesado pertence atualmente ao parente Mola alexandrini.
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A espécie Mola mola permanece entre os maiores peixes ósseos conhecidos. Sua anatomia incomum, portanto, ajuda a explicar como ocorre sua movimentação pelos oceanos.
Anatomia do peixe-lua desafia o formato tradicional
A silhueta alta e arredondada parece terminar de maneira abrupta. O peixe, dessa forma, transmite a impressão de possuir uma parte do corpo ausente.
A ausência de uma cauda convencional representa uma de suas características mais curiosas. Uma estrutura chamada clavus ocupa esse espaço.
O clavus trabalha junto às grandes nadadeiras dorsal e anal. Esse conjunto permite, assim, que o peixe controle a direção e mantenha seu deslocamento.
O esqueleto também diferencia o peixe-lua de tubarões e raias. A espécie pertence ao grupo dos animais sustentados principalmente por ossos.
Como o peixe-lua consegue sobreviver no oceano?
O peixe-lua habita águas tropicais e temperadas de diferentes partes do planeta. Sua rotina, entretanto, não fica limitada às regiões próximas da superfície.
A espécie realiza mergulhos profundos durante o dia em busca de alimento. Depois dessas descidas, o animal pode retornar às camadas mais quentes.
Esse comportamento foi analisado em 2011 pelo Journal of Experimental Marine Biology and Ecology. Outros estudos investigaram posteriormente sua relação com a temperatura.
O animal também aparece deitado lateralmente perto da superfície. Essa característica, inclusive, ajudou a originar seu nome em inglês, sunfish.
A exposição ao sol pode auxiliar na recuperação da temperatura corporal após mergulhos frios. Essa permanência superficial também favorece a retirada de parasitas.
Aves marinhas e pequenos peixes aproximam-se do gigante durante esse processo. Esses organismos ajudam, consequentemente, a remover parasitas acumulados sobre sua pele.
Dieta do peixe-lua vai muito além das águas-vivas
A ciência associou durante muito tempo a alimentação do peixe-lua quase exclusivamente às águas-vivas. Pesquisas posteriores, contudo, revelaram um cardápio mais diversificado.
Um estudo publicado em 2016 na revista científica PLOS ONE reavaliou essa alimentação. Diferentes organismos foram identificados durante a pesquisa.
O cardápio do peixe-lua pode incluir:
- Águas-vivas e outros organismos gelatinosos;
- Pequenos peixes encontrados em águas abertas;
- Crustáceos presentes em diferentes profundidades;
- Lulas, moluscos e larvas de animais marinhos.
A alimentação muda conforme a região, a profundidade e a disponibilidade de presas. O animal, mesmo gigantesco, costuma consumir organismos relativamente pequenos.
Pesca, embarcações e plástico ameaçam esse gigante
O tamanho impressionante não elimina os riscos enfrentados pelo peixe-lua. Sua permanência próxima à superfície aumenta, principalmente, a possibilidade de colisões com embarcações.
Redes destinadas a outras espécies também podem capturar o animal acidentalmente. A captura incidental, por isso, representa uma ameaça importante.
Resíduos plásticos formam outro perigo preocupante. Sacolas e materiais flutuantes podem ser confundidos com organismos gelatinosos presentes em sua dieta.
Pesquisadores da revista científica Marine Pollution Bulletin encontraram microplásticos em exemplares analisados em 2023.
Mudanças na temperatura oceânica podem alterar, paralelamente, a distribuição das presas. Transformações nas cadeias alimentares também podem afetar a sobrevivência da espécie.
Proteção do peixe-lua depende da conservação marinha
O peixe-lua demonstra como força e fragilidade podem coexistir. A produção extraordinária de ovos não impede sua exposição aos impactos provocados pelas atividades humanas.
A redução do plástico e o apoio às práticas pesqueiras responsáveis favorecem sua conservação. Proteger o Mola mola, portanto, também significa preservar ecossistemas complexos.
Você imaginava que um peixe com mais de duas toneladas poderia enfrentar tantos riscos nos oceanos?

