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Pai vende carro e telefone para abrir fábrica de alimentos, começa andando a pé para vender pipoca na feira e transforma o pequeno negócio familiar em indústria que, décadas depois, evitou investimento de R$ 180 mil e ainda reduziu em 11,7% o consumo de energia

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Escrito por Carla Teles Publicado em 09/08/2026 às 16:54
Pai vende carro e telefone para abrir fábrica de alimentos, começa andando a pé para vender pipoca na feira e transforma o pequeno negócio familiar em indústria que, décadas depois, evitou (1)
Pipoca deu origem à fábrica Explosão Alimentos, que adotou eficiência energética e reduziu o consumo de energia em 11,7%. Imagem: Divulgação
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A história da pipoca que começou com um pai andando a pé na feira virou a Explosão Alimentos, indústria familiar de Trindade, em Goiás, que em 2025 eliminou vazamentos de ar comprimido, evitou comprar compressor de R$ 180 mil e reduziu em 11,7% o consumo total de energia da fábrica.

A pipoca vendida a pé na feira marcou o começo de uma história empresarial que, décadas depois, chegou a uma fábrica familiar em expansão em Trindade, Goiás. Segundo o relato de Igor Arão Gomes Silva, seu pai deixou o antigo emprego no Banco Bamerindus, vendeu o carro e o telefone para levantar recursos e iniciou o negócio ao lado do irmão, que trabalhava vendendo verduras na feira. Sem estrutura industrial consolidada, o pai caminhava para comercializar pipoca e ajudar a fazer a empresa avançar.

A trajetória foi relatada pela Agência Sebrae de Notícias em 23 de janeiro de 2026, ao apresentar os resultados obtidos pela Explosão Alimentos durante uma consultoria realizada pelo programa Brasil Mais Produtivo. Em 2025, a empresa identificou desperdícios no sistema de ar comprimido, eliminou vazamentos, descobriu que o compressor existente ainda atendia à demanda e, com isso, evitou um investimento estimado em R$ 180 mil, além de registrar redução de 11,7% no consumo de energia.

Carro e telefone foram vendidos para colocar a fábrica de pé

Pipoca deu origem à fábrica Explosão Alimentos, que adotou eficiência energética e reduziu o consumo de energia em 11,7%.
Imagem: Explosão Alimentos/Divulgação

A origem da Explosão Alimentos foi construída com recursos limitados. De acordo com Igor Arão Gomes Silva, que hoje participa da gestão ao lado dos primos, seu pai trabalhava no Banco Bamerindus, enquanto o tio vendia verduras na feira. Os dois decidiram empreender e começaram utilizando aquilo que tinham disponível para financiar os primeiros passos do negócio.

O pai vendeu o carro e o telefone para abrir a fábrica e passou a caminhar para vender pipoca na feira. A fonte não informa em que ano exato a empresa começou, quanto foi arrecadado com a venda desses bens nem o tamanho da operação naquele momento, mas deixa claro que o empreendimento nasceu de uma estrutura familiar pequena e cresceu gradualmente até se transformar em indústria de snacks.

Pipoca vendida na feira virou parte da origem da indústria

Vídeo: @EXPLOSAOALIMENTOS

A venda de pipoca aparece como um dos símbolos mais concretos do início da empresa. Sem a estrutura que a indústria teria anos depois, a comercialização dependia diretamente do esforço dos próprios integrantes da família, que acumulavam diferentes atividades para manter o negócio funcionando.

Com o passar do tempo, aquela operação deixou de ser apenas uma iniciativa familiar de pequena escala. A Explosão Alimentos passou a atuar como indústria de snacks em Trindade, chegando a uma etapa em que o desafio já não era apenas vender o produto, mas organizar equipamentos, processos, consumo energético e capacidade produtiva para sustentar uma nova fase de expansão.

Crescimento começou a pressionar a linha de produção

À medida que a produção avançava, surgiram gargalos técnicos na fábrica. Um dos problemas estava relacionado à linha de empacotamento, que dependia de ar comprimido para o funcionamento dos equipamentos e já apresentava limitações diante da necessidade de ampliar a capacidade.

A empresa chegou a considerar a compra de um novo compressor. O equipamento estava avaliado em aproximadamente R$ 180 mil, investimento que parecia necessário para garantir ar suficiente às máquinas e permitir o crescimento da operação. Antes da compra, porém, a empresa buscou apoio técnico para entender se o problema realmente estava na capacidade do compressor existente.

Vazamentos fizeram compressor parecer insuficiente

A Explosão Alimentos recorreu ao Sebrae e ao Senai por meio do programa Brasil Mais Produtivo. Durante o trabalho de eficiência energética, técnicos passaram a avaliar o funcionamento da fábrica e identificaram vazamentos no sistema de ar comprimido.

O diagnóstico mudou a decisão de investimento. Depois que os vazamentos foram localizados e eliminados, a empresa constatou que o compressor que já possuía era suficiente para atender à operação. Na prática, o problema que poderia resultar na compra de um equipamento novo estava relacionado a desperdícios existentes na rede.

Empresa evitou investimento de R$ 180 mil

Ao corrigir os vazamentos, a indústria deixou de precisar do compressor adicional que estava sendo considerado. Segundo a Agência Sebrae de Notícias, essa mudança permitiu evitar um desembolso de R$ 180 mil justamente em um momento em que a fábrica buscava aumentar sua capacidade produtiva.

Para uma empresa familiar que havia começado com a venda de pipoca na feira, o contraste entre as duas fases é significativo. Décadas depois do início marcado pela venda de bens pessoais, a gestão passou a evitar investimentos de seis dígitos por meio de diagnóstico técnico, redução de desperdícios e melhor aproveitamento dos equipamentos existentes.

Consumo de energia caiu 11,7%

A correção do sistema de ar comprimido também teve efeito sobre a conta de energia. A empresa registrou redução de 11,7% no consumo energético, segundo os dados apresentados pelo Sebrae, além de uma economia anual estimada em aproximadamente R$ 15 mil.

O ganho financeiro não veio de uma queda na produção. Pelo contrário, a medida permitiu à empresa utilizar melhor a infraestrutura já instalada enquanto preparava uma expansão. A lógica foi aumentar a eficiência antes de acrescentar novos equipamentos, reduzindo desperdícios que estavam consumindo energia sem gerar produção adicional.

Economia anual foi estimada em R$ 15 mil

Além dos R$ 180 mil que deixaram de ser destinados ao novo compressor, o projeto resultou em uma economia anual estimada em R$ 15 mil na conta de energia. Esse valor está diretamente ligado às melhorias identificadas durante a consultoria de eficiência energética.

A fonte não informa quanto a empresa gastava mensalmente com eletricidade antes das mudanças nem apresenta o consumo absoluto em quilowatt-hora. Ainda assim, a queda percentual de 11,7% mostra que uma parte relevante da energia utilizada estava associada a ineficiências que podiam ser corrigidas sem substituir todo o sistema.

Novo layout prepara fábrica para ampliar produção

O trabalho realizado com Sebrae e Senai não ficou limitado aos vazamentos. O programa também desenvolveu um novo layout produtivo para a Explosão Alimentos, pensado para acompanhar as obras de ampliação e reorganizar a operação industrial.

Na época da publicação, esse novo arranjo ainda estava previsto para ser implementado depois das obras. A expectativa apresentada pela empresa era ampliar a linha de produção com mais organização e segurança operacional, aproveitando o conhecimento técnico adquirido durante o processo de eficiência energética.

Gestão familiar passou a incorporar conhecimento técnico

Igor Arão Gomes Silva reconheceu que a Explosão Alimentos havia crescido como uma empresa familiar sem uma área técnica estruturada. A consultoria trouxe para a operação uma análise mais sistemática de desperdícios, equipamentos e organização produtiva.

Esse movimento mostra outra transformação em relação aos primeiros anos da empresa. O negócio que começou com familiares vendendo pipoca e verduras na feira passou a adotar ferramentas de produtividade e eficiência energética para decidir onde investir, evitando que o crescimento dependesse apenas da compra de máquinas ou de aumentos de capacidade sem diagnóstico prévio.

Programa já havia alcançado 67,5 mil empresas

O Brasil Mais Produtivo é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em parceria com Sebrae, Senai, ABDI, Finep, Embrapii e BNDES. Segundo os números divulgados na mesma reportagem, o programa havia alcançado 67,5 mil empresas em dois anos.

Desse total, 30,5 mil pertenciam ao setor industrial e 37 mil ao comércio e aos serviços, somando mais de 90 mil atendimentos porque uma mesma empresa pode participar de mais de uma modalidade. Dados do Senai e do Sebrae também apontavam aumento médio de 28% na produtividade entre empresas atendidas com ações de manufatura enxuta.

Da pipoca na feira à eficiência dentro da fábrica

A história da Explosão Alimentos conecta dois momentos bastante diferentes. No início, um dos fundadores vendeu carro e telefone, caminhou para comercializar pipoca na feira e participou da construção de um pequeno negócio familiar. Décadas depois, a mesma empresa passou a discutir compressores, layout industrial, vazamentos de ar e consumo de energia enquanto preparava uma expansão.

Em 2025, corrigir desperdícios permitiu evitar um investimento de R$ 180 mil, reduzir em 11,7% o consumo energético e gerar uma economia anual estimada em R$ 15 mil. O crescimento não veio apenas de comprar mais equipamentos, mas também de descobrir como aproveitar melhor aquilo que a fábrica já possuía. Para você, o que mais chama atenção nessa trajetória: o começo vendendo pipoca a pé na feira ou a economia obtida décadas depois ao identificar desperdícios dentro da indústria? Conte sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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