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Cinema de Santa Catarina construído em 1947 por projeto de arquiteto suíço foi inaugurado em 1950, fechou após décadas de funcionamento, ficou interditado e acabou restaurado pelo Iphan, preservando projetores antigos, poltronas de madeira, armário de rolos de filmes e até um cofre escondido onde ficava o dinheiro dos ingressos

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Escrito por Carla Teles Publicado em 09/08/2026 às 16:18
Cinema de Santa Catarina construído em 1947 por projeto de arquiteto suíço foi inaugurado em 1950, fechou após décadas de funcionamento, ficou interditado e acabou (5)
O cinema de Santa Catarina Cine Teatro Mussi, em Laguna, preserva art déco após restauração do Iphan e guarda objetos históricos. Imagem: Prefeitura de Laguna/Reprodução.
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O cinema de Santa Catarina conhecido como Cine Teatro Mussi, em Laguna, foi construído a partir de 1947, inaugurado em 1950 e restaurado pelo Iphan após anos fechado, mantendo projetores antigos, poltronas de madeira, armário de rolos de filmes e um cofre escondido usado para guardar dinheiro dos ingressos vendidos.

O cinema de Santa Catarina conhecido como Cine Teatro Mussi atravessou mais de sete décadas de transformações em Laguna, no Sul catarinense, desde o início da construção em 1947 até a recuperação do prédio depois de um longo período sem suas atividades originais. Projetado pelo arquiteto suíço Wolfang Ludwig Rau a pedido de João Mussi, o espaço foi inaugurado em dezembro de 1950 e conserva elementos da arquitetura art déco, além de equipamentos e objetos relacionados aos primeiros anos de funcionamento.

As informações foram publicadas pelo NSC Total em 8 de agosto de 2026, em reportagem sobre a preservação do Cine Teatro Mussi e os objetos históricos mantidos dentro do edifício. O prédio foi tombado como patrimônio histórico nacional em 1985, fechou em meados da década de 1990, acabou interditado e permaneceu sem suas antigas atividades até ser adquirido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, em 2009, quando passou por ações de restauração e manutenção.

Construção começou em 1947 com projeto de arquiteto suíço

O cinema de Santa Catarina Cine Teatro Mussi, em Laguna, preserva art déco após restauração do Iphan e guarda objetos históricos.
Imagem: Prefeitura de Laguna/Reprodução.

A história do Cine Teatro Mussi começou em 1947, quando teve início a construção do edifício a partir de um projeto assinado pelo arquiteto suíço Wolfang Ludwig Rau. O trabalho foi desenvolvido a pedido de João Mussi e incorporou características do art déco, corrente arquitetônica e visual que marcou diferentes cidades brasileiras durante a primeira metade do século XX.

A fachada, posteriormente reconhecida pelo tom rosa-claro, tornou-se uma das características mais visíveis do imóvel. O projeto não nasceu apenas como uma sala para projeção de filmes, mas como um espaço cultural concebido para ocupar posição relevante na vida urbana de Laguna, combinando cinema e teatro em uma estrutura que atravessaria mudanças profundas nos hábitos de entretenimento das décadas seguintes.

Cine Teatro Mussi foi inaugurado em dezembro de 1950

Depois de aproximadamente três anos de construção, o edifício abriu as portas em dezembro de 1950. A sessão inaugural teve como atração o filme “A Valsa do Imperador”, marcando oficialmente o início das atividades do espaço cultural em uma época em que as salas de cinema tinham forte presença na rotina das cidades brasileiras.

A partir daquele momento, o cinema de Santa Catarina passou a fazer parte da memória cultural de Laguna. Por décadas, o Cine Teatro Mussi recebeu moradores diante da tela e do palco, funcionando em um período anterior à multiplicação de televisores domésticos, plataformas digitais e outras formas de entretenimento que posteriormente alterariam o papel das grandes salas de exibição.

Arquitetura art déco permaneceu como marca do prédio

O prédio preserva elementos ligados ao art déco, movimento reconhecido pelo uso de formas geométricas, composição organizada das fachadas e soluções decorativas características das primeiras décadas do século XX. Esses traços ajudaram a dar identidade ao Cine Teatro Mussi e permaneceram relevantes mesmo depois da interrupção de suas atividades originais.

A preservação arquitetônica ganhou ainda mais importância porque o edifício atravessou períodos de abandono e interdição. Manter suas características significava conservar não apenas paredes e elementos decorativos, mas também um exemplo físico de como eram concebidos os espaços culturais de uma cidade catarinense em meados do século passado.

Tombamento nacional aconteceu em 1985

Antes mesmo do fechamento definitivo de sua fase antiga, o Cine Teatro Mussi já havia recebido reconhecimento institucional. Em 1985, o edifício foi tombado como patrimônio histórico nacional, medida que passou a proteger formalmente suas características e reforçou sua importância para além dos limites de Laguna.

O tombamento criou uma camada adicional de responsabilidade sobre o destino do imóvel. O antigo cinema deixou de ser visto apenas como uma propriedade ou sala de espetáculos e passou a ser tratado como patrimônio histórico, condição fundamental para a preservação que ocorreria depois que o espaço enfrentasse um período de declínio e interrupção das atividades.

Popularização da televisão mudou a rotina do cinema

Em meados dos anos 1990, o Cine Teatro Mussi fechou as portas. A reportagem relaciona o encerramento à popularização da televisão, que ao longo das décadas anteriores havia transformado profundamente a maneira como as famílias consumiam filmes, programas e outras formas de entretenimento dentro de casa.

Para antigas salas de exibição, essa mudança representou um desafio crescente. O cinema de Santa Catarina que durante décadas reuniu público diante da grande tela acabou perdendo sua função cotidiana, entrando em uma fase completamente diferente daquela iniciada com a inauguração de 1950.

Prédio foi interditado depois do fechamento

O cinema de Santa Catarina Cine Teatro Mussi, em Laguna, preserva art déco após restauração do Iphan e guarda objetos históricos.
Imagem: Prefeitura de Laguna/Reprodução.

Pouco depois de encerrar as atividades, o edifício acabou oficialmente interditado. Sem a rotina de sessões e apresentações que havia marcado décadas de funcionamento, o espaço passou a atravessar um período de afastamento da vida cultural que antes o mantinha ocupado.

Esse intervalo colocou em risco não apenas o uso do prédio, mas também a preservação dos elementos que permaneciam dentro dele. Projetores, estruturas internas, mobiliário e objetos relacionados à antiga operação continuavam associados ao Cine Teatro Mussi, mesmo enquanto o edifício permanecia sem exercer sua função tradicional.

Iphan adquiriu imóvel em 2009 e iniciou recuperação

Uma mudança importante ocorreu em 2009, quando o Iphan adquiriu o imóvel. A partir daí, foram realizadas obras de restauração, manutenção e modernização tecnológica, buscando permitir que o espaço voltasse a desempenhar funções culturais sem eliminar os elementos históricos responsáveis por sua identidade.

O processo precisava equilibrar duas necessidades distintas. Era necessário atualizar instalações e tecnologias para um novo período de funcionamento, mas também preservar partes do cinema original, garantindo que a retomada das atividades não significasse apagar as características físicas de um edifício inaugurado seis décadas antes.

Projetores antigos continuam dentro do cinema

O cinema de Santa Catarina Cine Teatro Mussi, em Laguna, preserva art déco após restauração do Iphan e guarda objetos históricos.
Imagem: Prefeitura de Laguna/Reprodução.

Entre os elementos mantidos no local estão os antigos projetores utilizados nas exibições. As máquinas representam uma fase em que os filmes dependiam de equipamentos mecânicos e rolos físicos, muito antes da digitalização que passou a dominar a projeção cinematográfica contemporânea.

A presença desses equipamentos ajuda a transformar o edifício em um registro material da evolução do cinema. Os projetores não aparecem apenas como peças decorativas, mas como testemunhos de uma tecnologia que durante décadas foi indispensável para colocar as imagens em movimento diante do público de Laguna.

Poltronas de madeira guardam marcas de outra época

Partes das antigas cadeiras e poltronas de madeira também foram preservadas, especialmente no mezanino. O mobiliário permite visualizar como era a experiência física de frequentar aquela sala durante as décadas iniciais de funcionamento, quando conforto, materiais e organização dos assentos seguiam padrões muito diferentes dos atuais.

A permanência dessas peças cria uma ligação direta entre o prédio restaurado e os espectadores que passaram por ele. Cada poltrona preservada ajuda a reconstruir o ambiente de um cinema de Santa Catarina que recebeu público muito antes das modernas salas multiplex, mantendo no interior do edifício elementos ligados à experiência original.

Pequeno museu reúne objetos usados no funcionamento

No segundo andar, um pequeno museu reúne objetos utilizados em diferentes fases do Cine Teatro Mussi. Entre eles estão equipamentos e peças relacionados à venda de ingressos, à organização dos filmes e às atividades administrativas que aconteciam longe da vista do público.

Essa coleção amplia a leitura histórica do edifício porque mostra o que ocorria nos bastidores. O funcionamento de um cinema dependia de uma cadeia de tarefas que começava antes da projeção e continuava depois que o público deixava a sala, envolvendo armazenamento, bilheteria, controle de entradas e operação técnica.

Armário antigo armazenava rolos de filmes

O cinema de Santa Catarina Cine Teatro Mussi, em Laguna, preserva art déco após restauração do Iphan e guarda objetos históricos.
Imagem: Prefeitura de Laguna/Reprodução.

Um dos objetos preservados é um armário utilizado para guardar os antigos rolos de filmes. Antes da distribuição digital, as produções chegavam às salas em suportes físicos que precisavam ser armazenados, organizados e posteriormente instalados nos equipamentos de projeção.

O armário hoje funciona como memória de uma operação desaparecida das salas modernas. Em vez de arquivos transmitidos ou armazenados digitalmente, cada sessão dependia de materiais físicos que ocupavam espaço e exigiam cuidados, fazendo daquele móvel uma parte concreta do cotidiano técnico do antigo cinema.

Marcador de ingressos revela rotina da bilheteria

Outro objeto mantido no pequeno museu é um marcador de ingressos, equipamento relacionado ao controle das entradas vendidas ao público. Embora pareça simples quando comparado às tecnologias atuais, a peça fazia parte da operação diária necessária para organizar o acesso dos espectadores.

A presença desse equipamento ajuda a preservar aspectos menos visíveis da experiência cinematográfica. O cinema de Santa Catarina não guarda apenas projetores e elementos arquitetônicos, mas também objetos usados nas tarefas cotidianas, permitindo reconstruir como funcionava uma sala de exibição décadas antes da informatização das bilheterias.

Cofre escondido guardava dinheiro arrecadado com ingressos

Entre as peças mais curiosas está um cofre escondido em uma pequena sala do edifício. Era ali que ficava armazenado o dinheiro obtido com a venda dos ingressos, mantendo a receita das sessões protegida longe das áreas de circulação do público.

O objeto acrescenta uma dimensão inesperada à memória do Cine Teatro Mussi. Enquanto espectadores acompanhavam filmes e apresentações, parte da rotina financeira funcionava discretamente nos bastidores, e o antigo cofre permanece hoje como vestígio desse sistema de administração.

Restauração preservou passado e modernizou tecnologia

A recuperação conduzida pelo Iphan buscou conservar os elementos considerados relevantes ao mesmo tempo em que modernizou a tecnologia necessária ao funcionamento contemporâneo. Esse equilíbrio permitiu que o edifício recuperasse sua atividade cultural sem se transformar em uma reprodução completamente nova.

A estratégia preservou referências originais e adaptou outras partes às necessidades atuais. Em vez de congelar o Cine Teatro Mussi no tempo, a restauração permitiu que o patrimônio continuasse sendo utilizado, mantendo contato entre estruturas antigas e novas formas de produção cultural.

Espaço voltou a receber cinema, teatro e apresentações

O cinema de Santa Catarina Cine Teatro Mussi, em Laguna, preserva art déco após restauração do Iphan e guarda objetos históricos.
Imagem: Prefeitura de Laguna/Reprodução.

Depois da reabertura, o edifício voltou a receber sessões de cinema, peças de teatro, apresentações e outras atividades culturais. A retomada restabeleceu uma função semelhante àquela para a qual o imóvel havia sido construído, ainda que dentro de uma realidade tecnológica e cultural muito diferente.

Essa continuidade é particularmente importante porque evita que o patrimônio se transforme apenas em cenário estático. O antigo cinema voltou a ser ocupado pela cultura, enquanto equipamentos, móveis e objetos históricos permanecem dentro dele lembrando as diferentes fases atravessadas desde a década de 1950.

Cinema de Santa Catarina preserva mais de sete décadas de memória

Hoje, o cinema de Santa Catarina reúne em um mesmo endereço elementos de diferentes períodos: a arquitetura projetada na década de 1940, a memória das primeiras sessões dos anos 1950, o tombamento nacional, o fechamento nos anos 1990, a restauração e a retomada das atividades culturais.

Poucos objetos sintetizam essa trajetória tão bem quanto os projetores antigos, as poltronas de madeira, o armário de rolos e o cofre escondido. Eles mostram que preservar um cinema histórico significa conservar também aquilo que existia fora da tela, desde as tecnologias usadas para exibir filmes até a rotina de quem trabalhava no prédio.

Cine Teatro Mussi voltou a funcionar sem apagar o passado

Construído a partir de 1947, inaugurado em 1950, fechado décadas depois e posteriormente recuperado pelo Iphan, o Cine Teatro Mussi atravessou períodos de prestígio, abandono e retomada. A restauração permitiu que o edifício voltasse a receber atividades culturais enquanto objetos originais continuaram contando parte de sua história.

O resultado é um espaço onde arquitetura, tecnologia e memória permanecem lado a lado. Projetores, poltronas, rolos de filmes e até o antigo cofre da bilheteria sobreviveram às mudanças que transformaram completamente a maneira de assistir a filmes nas últimas décadas. Para você, qual desses elementos é mais interessante: os projetores históricos, as antigas poltronas ou o cofre escondido onde ficava o dinheiro dos ingressos? Deixe sua opinião nos comentários.

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