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Pai puxa bote no mar, pedala triciclo adaptado e empurra cadeira por 226 km no Ironman Brasil para cruzar a linha de chegada ao lado do filho com paralisia cerebral em SC: “Não sou eu que carrego ele, é ele que me carrega”

Escrito por Ana Alice
Publicado em 04/06/2026 às 20:08
Atualizado em 04/06/2026 às 20:13
Pai completa 226 km do Ironman Brasil ao lado do filho com paralisia cerebral em Florianópolis usando equipamentos adaptados. (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)
Pai completa 226 km do Ironman Brasil ao lado do filho com paralisia cerebral em Florianópolis usando equipamentos adaptados. (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)
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A participação de Gabriel Ferrari e do filho Lucca no Ironman Brasil reúne esporte adaptado, resistência física e cuidados contínuos durante uma das provas mais longas do triatlo, disputada em Florianópolis.

O atleta amador Gabriel Ferrari completou os 226 km do Ironman Brasil ao lado do filho, Lucca Ferrari, de 6 anos, que tem paralisia cerebral.

A dupla participou da prova em Florianópolis, no último domingo (31), e percorreu 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,2 km de corrida com equipamentos adaptados para permitir a presença da criança em todo o trajeto.

Durante a competição, Gabriel puxou um bote na etapa de natação, pedalou um triciclo adaptado no percurso de ciclismo e empurrou uma cadeira durante a corrida.

Lucca acompanhou o pai desde a largada até a linha de chegada.

A participação exigiu preparação física, adaptações nos equipamentos e organização dos cuidados com o menino ao longo da prova.

Como o percurso é longo, Gabriel também precisou fazer paradas durante a competição para atender às necessidades do filho.

Segundo o atleta, as pausas ocorriam a cada três horas.

Nesses momentos, ele oferecia suplementação, água e realizava cuidados básicos com Lucca.

Ao todo, pai e filho concluíram a prova em cerca de 16 horas, conforme relato apresentado por Gabriel.

Como funciona o desafio do Ironman Brasil

O Ironman é uma prova de triatlo de longa distância formada por três modalidades no mesmo dia.

A competição começa com 3,8 km de natação, segue com 180 km de ciclismo e termina com uma maratona de 42,2 km.

Na participação de Gabriel e Lucca, cada etapa precisou ser adaptada.

No mar, o menino permaneceu em um bote puxado pelo pai.

No ciclismo, a dupla utilizou um triciclo preparado para o transporte da criança.

Imagem: Reprodução/Redes Sociais
Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Na corrida, Gabriel empurrou uma cadeira até completar o percurso.

O planejamento começou antes da prova.

Gabriel já praticava corrida, mas precisou aprender ciclismo e natação para participar do Ironman.

A preparação durou cerca de um ano e meio, com treinos que geralmente aconteciam duas vezes por dia.

Além do condicionamento, a rotina incluiu testes com os equipamentos usados por Lucca.

Cada modalidade exigia uma solução diferente para transporte, segurança e conforto durante o trajeto.

Adaptações para Lucca durante a prova

A participação de Lucca exigiu atenção a itens de cuidado, alimentação, hidratação, roupas, fraldas e proteção contra mudanças de temperatura.

Gabriel também precisou considerar o peso dos equipamentos utilizados durante as etapas da prova.

“Em cada uma das paradas que eu tenho com ele, vão aproximadamente 300 ml de suplementação, mais uns 100 ml de água. E eu tenho que estar com fralda, toalhinha para se precisar trocar a roupa dele, roupa de frio. Eu fiquei com uma cadeira com aproximadamente 60, 64 kg. E você puxando isso durante 180 km pesa muito”, relatou Gabriel.

A fala do atleta dimensiona a estrutura necessária para que a criança pudesse acompanhar todo o percurso.

Em vez de competir apenas com os equipamentos habituais de um triatleta, Gabriel transportou também os itens usados no cuidado de Lucca.

Durante a prova, o esforço físico foi citado pelo próprio atleta como um dos pontos mais difíceis.

Ainda assim, Gabriel afirmou que a presença do filho funcionava como motivação para seguir.

“A força que tem que ser feita é muito maior [do que a de outros atletas], mas vamos dizer que eu também tenho uma porcentagem muito maior de inspiração. Eu estou carregando minha inspiração comigo, está comigo o tempo inteiro. Então, talvez para mim fique até mais fácil. Eu costumo brincar muito que não sou eu que empurro ele, é ele que me carrega pelo percurso inteiro”, disse.

@agora.no.vale

Pai completa Ironman Brasil com filho com paralisia cerebral e emociona em Florianópolis O atleta amador Gabriel Ferrari concluiu o Ironman Brasil, em Florianópolis, no último domingo (31), ao lado do filho Lucca Ferrari, de 6 anos, que tem paralisia cerebral. Lucca nasceu prematuro, passou 46 dias na UTI e foi diagnosticado com paralisia cerebral. Desde então, vive uma rotina de terapias e cuidados diários. Há cerca de dois anos, Gabriel decidiu encarar o Ironman — considerado um dos triatlos mais exigentes do mundo, com 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,2 km de corrida — levando o filho em todas as etapas. Sem experiência prévia em natação e ciclismo, ele aprendeu as modalidades do zero para conseguir completar a prova com Lucca. Durante o percurso, Gabriel nadou puxando o filho em um bote adaptado, pedalou utilizando um triciclo adaptado e empurrou a cadeira de rodas na maratona final. A prova foi concluída em mais de 15 horas, com paradas programadas para cuidados e alimentação de Lucca. Ao cruzarem juntos a linha de chegada, o momento foi celebrado pelo público e marcou a trajetória de uma família que transformou limites físicos em um gesto de inclusão e amor.

♬ som original – Agora no Vale

Paralisia cerebral e esporte adaptado

A paralisia cerebral é uma condição neurológica que pode afetar movimento, postura e coordenação, em diferentes níveis.

Por esse motivo, a participação em atividades físicas depende das condições de cada pessoa, da orientação adequada e, quando necessário, do uso de equipamentos adaptados.

No caso de Lucca, a presença do pai permitiu que ele acompanhasse todas as fases do Ironman sem executar os movimentos exigidos dos competidores.

A participação ocorreu com apoio direto de Gabriel e com adaptações específicas para cada trecho da prova.

Experiências como essa estão associadas ao esporte adaptado, modalidade em que recursos, ajustes e estratégias são usados para ampliar a participação de pessoas com deficiência.

A adaptação, nesse contexto, não elimina a necessidade de planejamento; ao contrário, exige preparação prévia e atenção contínua durante a atividade.

A história também mostra aspectos físicos envolvidos em provas de longa duração.

Em competições como o Ironman, atletas precisam administrar energia, hidratação e alimentação por várias horas.

Quando há transporte de equipamentos adicionais, como ocorreu com Gabriel, a exigência corporal tende a aumentar.

O próprio atleta, no entanto, afirmou que a reação de Lucca durante o percurso contribuía para a tranquilidade da família.

“O que me deixa mais tranquilo é que ele curte a prova inteira. Quando ele não está rindo, ele está dormindo”, disse.

Rotina de treinos antes do Ironman

Gabriel trabalha como gestor de produção em uma empresa e precisou conciliar a preparação com a rotina profissional e familiar.

A família mora em Minas Gerais e viajou para Florianópolis para participar da prova.

A preparação para o Ironman envolveu treinos frequentes e adaptação a modalidades que Gabriel ainda não dominava.

Como já corria, o atleta concentrou parte do processo em aprender a nadar e pedalar, além de treinar com os equipamentos usados para transportar Lucca.

O transporte da criança exigia cuidados diferentes em cada ambiente.

No mar, era necessário garantir estabilidade ao bote.

Na etapa de ciclismo, o triciclo adaptado precisava suportar o trajeto de 180 km.

Já na corrida, a cadeira deveria permitir que Gabriel completasse a maratona empurrando o filho.

A participação também exigiu organização fora da rotina esportiva.

Viagem, alimentação, itens de cuidado, roupas e planejamento das paradas fizeram parte da preparação da dupla para o evento.

Pai e filho percorrem juntos os 226 km

O Ironman é disputado individualmente, mas a participação de Gabriel teve Lucca como presença constante em todas as etapas.

O pai completou a prova conduzindo o filho nos três trechos, com diferentes equipamentos adaptados.

A imagem da dupla cruzando o percurso chamou atenção de quem acompanhava o evento em Florianópolis.

O caso também deu visibilidade à participação de pessoas com deficiência em atividades esportivas quando há estrutura, planejamento e apoio.

Ao falar sobre a experiência, Gabriel atribuiu parte da força para concluir a prova à presença do filho.

A frase “é ele que me carrega” resumiu a forma como o atleta descreveu a participação de Lucca no percurso.

No fim da prova, a conclusão dos 226 km marcou o resultado de uma preparação que envolveu treino, cuidado e adaptação.

Em competições de longa duração, como o Ironman, a presença de equipamentos assistivos e apoio familiar pode ampliar formas de participação no esporte.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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