Boias inteligentes no oceano foram instaladas pela Naval Postgraduate School em julho de 2025 na Baía de Monterey, Califórnia, usando PowerBuoy da Ocean Power Technologies com 5G da AT&T, sensores METOC, câmeras HD infravermelhas e radar. Em janeiro de 2026, unidades também apoiam missões em San Diego, com comunicação híbrida e IA embarcada.
As boias inteligentes no oceano passaram a ser tratadas como infraestrutura estratégica pelos Estados Unidos, unindo geração de energia, conectividade e vigilância contínua em um único equipamento flutuante que opera sem parar, mesmo longe da costa.
O caso mais detalhado ocorre na Baía de Monterey, Califórnia, onde uma boia autossustentável chamada PowerBuoy, implementada em julho de 2025 pela Naval Postgraduate School, funciona como uma torre de dados oceânica 24 horas por dia, 7 dias por semana, coletando e transmitindo informações em tempo real, com expansão de uso para San Diego.
Onde aconteceu e como a boia foi posicionada no mar

A implantação principal foi feita na Baía de Monterey, na costa da Califórnia, nos Estados Unidos.
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A unidade opera flutuando a cerca de 3 milhas náuticas da costa, aproximadamente 5,5 km, e fica a 5 milhas ao norte do campus da Naval Postgraduate School, em Monterey.
A boia permanece ancorada em uma profundidade de cerca de 70 metros, equivalente a 230 pés, em um ponto descrito como estrategicamente posicionado ao sul do cânion submarino da baía.
A ancoragem foi desenhada para manter o equipamento no lugar e garantir que antenas e sensores funcionem mesmo com o balanço constante do mar.
O que é a PowerBuoy e por que ela virou referência

A PowerBuoy é uma boia autossustentável fabricada pela Ocean Power Technologies e usada como plataforma avançada de comunicação, vigilância e coleta de dados.
Ela é descrita como a primeira estação rádio base 5G marítima do tipo em águas dos EUA, operando como um hub de conectividade no mar.
O conceito é criar uma estrutura que faça três tarefas ao mesmo tempo: produzir energia, alimentar eletrônicos e sensores, e mandar dados para terra em tempo real.
Isso transforma as boias inteligentes no oceano em uma espécie de “torre flutuante”, com capacidade de atuar tanto em pesquisa quanto em segurança e monitoramento marítimo.
Como a boia gera energia para funcionar sem parar

A operação 24/7 depende de autonomia energética, e o sistema usa fontes renováveis para manter tudo ligado e carregar baterias internas.
A boia utiliza energia solar e eólica para alimentar sistemas internos e baterias marinhas de alta capacidade, descritas como do tipo LiFePO4.
Há uma configuração detalhada de energia citada para o modelo em operação: painéis solares com capacidade de 4,1 kW e duas turbinas eólicas de eixo vertical.
Em algumas configurações, também existe a opção de geração por movimento das ondas, convertendo a oscilação mecânica em eletricidade com um gerador de acionamento direto, dependendo do arranjo escolhido para cada missão.
A capacidade nominal do armazenamento de energia é apresentada em uma faixa de 44 a 88 kWh, o que ajuda a explicar como a boia mantém sensores, processamento local e transmissão de dados sem depender de reabastecimento de combustível.
A “bolha” 5G no mar e o raio de cobertura definido
O componente mais chamativo das boias inteligentes no oceano é a conectividade.
Em parceria com a AT&T, a PowerBuoy atua como uma estação rádio base 5G no mar, oferecendo internet de alta velocidade e transmissão de dados em tempo real para embarcações e usuários na região.
A cobertura é descrita como uma “bolha” com raio de aproximadamente 800 metros, suficiente para atender um perímetro operacional próximo ao equipamento, permitindo que embarcações transmitam dados sem depender exclusivamente de satélites tradicionais.
Isso muda a lógica do mar como zona de baixa conectividade, pelo menos dentro do raio de ação.
Comunicação híbrida para não cair quando o mar vira problema
Para garantir resiliência, o sistema não depende de um único caminho de comunicação. Além do 5G, a boia conta com antenas de satélite Starlink como camada de backup.
A transmissão de dados de volta à costa pode ocorrer por link de micro-ondas de médio alcance ou via satélite, dependendo do cenário operacional.
Essa redundância é crucial porque o mar é um ambiente onde sinal é instável por natureza.
A boia precisa manter antenas alinhadas, lidar com oscilação e ainda sustentar comunicação constante para que o equipamento seja útil como torre de dados oceânica.
Vigilância e sensores: o que a boia enxerga acima e abaixo da superfície
O pacote de vigilância inclui radares de superfície, câmeras infravermelhas de alta definição e sensores oceanográficos e meteorológicos, chamados de sensores METOC.
Isso permite monitoramento contínuo de atividades na superfície e coleta de dados ambientais em paralelo.
A boia é descrita como capaz de observar e medir variáveis como temperatura, salinidade e velocidade do vento, além de registrar movimentos e padrões na superfície com radar e imagem.
Esse conjunto amplia a utilidade do sistema tanto para pesquisa quanto para operações de vigilância marítima.
Inteligência artificial embarcada e processamento autônomo em 2026
A PowerBuoy usa a suíte de inteligência artificial Merrows, da própria Ocean Power Technologies, para processar dados de forma autônoma.
O objetivo é reduzir dependência de análise manual e permitir que a boia faça classificação e monitoramento contínuo, atuando como um sistema de “edge compute” no mar.
Em termos operacionais, isso significa que a boia pode tratar dados localmente antes de enviar para terra, priorizando alertas e economizando banda, além de manter vigilância constante sem exigir intervenção humana a cada evento detectado.
Para que serve: Domínio de Consciência Marítima e monitoramento permanente
O projeto tem um objetivo declarado ligado ao Domínio de Consciência Marítima, conceito de manter visão contínua do que ocorre em áreas marítimas.
A meta é permitir que militares e agências de segurança, como a Guarda Costeira, monitorem atividades e identifiquem “atores mal-intencionados” e movimentações em áreas protegidas sem depender de patrulhas constantes.
Esse tipo de aplicação transforma as boias inteligentes no oceano em uma extensão fixa de vigilância, combinando sensores, comunicação e autonomia energética para reduzir lacunas de cobertura.
Expansão em janeiro de 2026: de Monterey para San Diego
Além do ponto em Monterey, há expansão descrita para San Diego, Califórnia, em janeiro de 2026, com uso direcionado a missões de segurança nacional, apoiando operações ligadas à Guarda Costeira e ao Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.
A lógica é replicar a estrutura em novos pontos costeiros estratégicos, criando uma rede de plataformas capazes de fornecer dados em tempo real e conectividade tática, reforçando o papel das boias inteligentes no oceano como infraestrutura de monitoramento e comunicação em áreas onde a vigilância contínua é tratada como prioridade.
O que impressiona na prática: ondas, energia, dados e vigilância em um único equipamento
O que torna o sistema relevante é a combinação de funções.
A boia não é apenas um sensor oceanográfico nem apenas um repetidor de sinal.
Ela é descrita como uma plataforma que une geração renovável, baterias de alta capacidade, 5G, satélite de backup, sensores METOC, radar e câmeras infravermelhas, com inteligência artificial processando dados localmente.
Isso cria um modelo de presença constante no mar, com baixo suporte humano direto, capaz de operar como infraestrutura em locais onde enviar navios, manter tripulação e fazer manutenção contínua custa caro e demora.
Na sua opinião, as boias inteligentes no oceano vão virar um padrão de vigilância e conectividade no mar, ou a dependência de manutenção e a limitação de alcance do 5G vão manter essa tecnologia restrita a pontos específicos?

Wow I have been following OPT over 20 years and this is the best article on Powerbuoy I have ever read. Good job to the author, Bruno Teles. I will add that it has the capability via a surface and sub-surface docking station to recharge and provide secure coms to UAV,USV and UUV.