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Orangotango passa anos com corrente pesada presa ao pescoço até metal abrir ferida profunda e infeccionada, enfrenta cinco anos de reabilitação e volta à floresta de Bornéu, onde reaparece livre e carregando a própria filhote

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 31/08/2026 às 08:42 Atualizado em 31/08/2026 às 08:43
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Foto: internationalanimalrescue
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Susi foi encontrada com grave ferida causada por uma corrente, passou cinco anos em reabilitação e voltou à floresta, onde reapareceu com uma filhote.

Em julho de 2011, uma jovem orangotango chamada Susi foi resgatada em Pontianak, no oeste de Kalimantan, na ilha de Bornéu, depois de passar parte da infância sendo mantida como animal de estimação. Ela tinha aproximadamente quatro anos e carregava no pescoço uma grave lesão provocada por uma corrente. A estrutura havia permanecido presa por tanto tempo que causou uma ferida profunda, infectada e dolorosa, deixando consequências que continuariam visíveis mesmo depois de sua recuperação.

O resgate iniciou uma trajetória que levaria quase uma década para produzir seu capítulo mais extraordinário. Depois de receber atendimento veterinário e passar cerca de cinco anos aprendendo novamente comportamentos essenciais para sobreviver sem humanos, Susi foi libertada em uma floresta protegida de Bornéu em maio de 2016.

Quase quatro anos depois, equipes que continuavam monitorando a região a encontraram novamente. A orangotango estava livre entre as árvores e carregava uma filhote saudável, posteriormente chamada Sinar.

Susi foi encontrada com uma grave ferida no pescoço

Quando profissionais ligados à International Animal Rescue chegaram ao caso, o estado do pescoço de Susi chamava atenção imediatamente. A corrente usada para mantê-la presa havia provocado uma lesão severa, agravada pelo crescimento do animal e pelo longo período de confinamento.

A região apresentava sinais de infecção, pus e tecido necrosado. Segundo os registros da organização, partes do material associado à amarração haviam ficado incorporadas à pele, ampliando os danos provocados durante o período em que a orangotango permaneceu sob domínio humano.

O ferimento exigiu atendimento veterinário especializado. Susi precisou ser anestesiada para que a equipe pudesse examinar adequadamente a área, remover tecidos comprometidos, limpar a lesão e administrar medicamentos contra a infecção e a dor.

Mesmo depois da cicatrização, o pescoço permaneceu com sequelas relacionadas à antiga ferida.

Foi necessário usar cortadores de metal para libertá-la

A situação envolvendo a corrente chegou a um ponto em que não havia uma forma simples de abrir o mecanismo que prendia Susi.

De acordo com a International Animal Rescue, não havia chave disponível para o cadeado. Para retirar a estrutura, foi necessário recorrer a grandes cortadores de metal, equipamentos capazes de romper correntes e cadeados resistentes.

Orangotango passa anos com corrente pesada presa ao pescoço até metal abrir ferida profunda
Foto: internationalanimalrescue

O episódio simbolizou apenas o começo da recuperação. Livrar a orangotango do metal não significava que ela estivesse preparada para voltar imediatamente à natureza.

Susi havia passado parte de uma fase fundamental de seu desenvolvimento vivendo próxima de seres humanos. Orangotangos jovens normalmente permanecem anos ao lado das mães, período em que aprendem habilidades indispensáveis para encontrar alimentos, deslocar-se pelas árvores, reconhecer riscos e construir ninhos.

Grande parte desse aprendizado precisaria ser recuperada.

A recuperação levou aproximadamente cinco anos

Depois do atendimento emergencial, Susi foi transferida para o centro de reabilitação da International Animal Rescue em Ketapang, também em Kalimantan Ocidental.

O objetivo dos cuidadores não era transformá-la em um animal acostumado ao contato humano. O processo seguia justamente o caminho contrário: reduzir progressivamente sua dependência das pessoas e aumentar sua capacidade de viver de maneira autônoma.

Ela passou pelo chamado forest school, etapa em que orangotangos resgatados desenvolvem e aperfeiçoam comportamentos necessários para a sobrevivência na floresta.

Os profissionais observavam se Susi conseguia escalar árvores com segurança, escolher alimentos naturais, construir ninhos e permanecer períodos cada vez maiores sem depender diretamente dos tratadores.

A recuperação completa exigiu aproximadamente cinco anos.

Uma ilha de 19 hectares virou a última etapa antes da liberdade

Antes da soltura definitiva, Susi foi levada para Pulau Pak Ali, uma ilha utilizada como área de pré-libertação.

O espaço possuía aproximadamente 19 hectares e permitia que os orangotangos vivessem em condições muito mais próximas da natureza. Cercada por água, a área funcionava como uma transição entre o centro de reabilitação e a floresta aberta.

Susi dividia o ambiente com outras fêmeas e precisava passar o dia procurando alimento, subindo em árvores e construindo os próprios ninhos.

Embora os cuidadores ainda fornecessem alimentação suplementar, o contato direto com humanos era reduzido. O desempenho de cada animal era acompanhado para determinar se possuía condições físicas e comportamentais suficientes para enfrentar uma vida independente.

Susi avançou nessa etapa e foi considerada apta para a soltura.

Construir ninhos era essencial para sobreviver sozinha

Entre as habilidades avaliadas estava a construção de ninhos. Orangotangos normalmente montam estruturas com galhos e folhas nas copas das árvores para descansar e dormir. Um indivíduo incapaz de executar esse comportamento teria dificuldades sérias para sobreviver permanentemente na natureza.

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Susi passou a construir seus próprios ninhos durante o período de pré-libertação.

Também demonstrava capacidade para procurar alimentos e movimentar-se de maneira independente pelo ambiente florestal.

Esses comportamentos indicavam que os anos de trabalho começavam a produzir o resultado esperado.

Depois de aproximadamente cinco anos entre tratamento veterinário, recuperação e treinamento, chegou o momento de retornar definitivamente à floresta de Bornéu.

A viagem para a floresta começou durante a madrugada

Em maio de 2016, Susi e outra orangotango chamada Desi foram preparadas para a libertação.

A equipe deixou Ketapang por volta da meia-noite, transportando as duas em caixas especiais. A viagem de veículo terminou perto da floresta durante as primeiras horas da manhã, mas ainda havia um longo trajeto pela frente.

O ponto escolhido para a soltura não podia ser alcançado diretamente por automóveis.

Carregadores locais precisaram transportar as caixas por aproximadamente oito quilômetros através da floresta. A caminhada levou cerca de quatro horas e passou por terreno irregular, áreas pantanosas, rios e árvores caídas.

O destino era a área protegida de Gunung Tarak, próxima ao Parque Nacional Gunung Palung.

Em maio de 2016, Susi finalmente voltou a ser livre

Em 20 de maio de 2016, a caixa foi aberta.

Depois de anos de recuperação, Susi entrou novamente em um ambiente onde não existiam correntes delimitando seus movimentos.

A partir daquele momento, a capacidade de encontrar alimento, construir ninhos e deslocar-se pelas árvores seria determinante para sua sobrevivência.

A libertação não encerrou o acompanhamento.

Equipes de monitoramento continuaram observando Susi depois de sua entrada na floresta. Esse trabalho permite avaliar se orangotangos reintroduzidos permanecem saudáveis, conseguem se alimentar e estabelecem uma rotina compatível com a vida selvagem.

Durante os anos seguintes, Susi continuou sendo localizada na região.

Sua adaptação mostrou que o longo processo iniciado após o resgate havia permitido que ela recuperasse autonomia suficiente para viver sem confinamento.

Quase quatro anos depois, uma surpresa apareceu entre as árvores

No fim de março de 2020, os profissionais responsáveis pelo monitoramento localizaram Susi novamente.

Desta vez, ela carregava algo junto ao corpo. Era uma pequena orangotango recém-nascida.

A filhote recebeu o nome Sinar e foi considerada saudável pelas equipes que observaram mãe e filha na floresta. Ela estava mamando normalmente e Susi apresentava comportamento materno adequado.

O nascimento ocorreu quase quatro anos depois da libertação.

A descoberta mostrou que Susi não apenas havia conseguido sobreviver longe do centro de reabilitação. Ela também havia chegado à idade adulta, reproduzido e começado a criar uma nova geração inteiramente em ambiente natural.

A filhote mostrou que a reabilitação havia alcançado um novo estágio

Para programas de conservação, a sobrevivência de um animal reintroduzido já representa um resultado importante.

No caso de Susi, o nascimento de Sinar acrescentou outro elemento.

Uma fêmea que havia passado parte da infância confinada conseguiu recuperar habilidades suficientes para viver de forma independente, encontrar alimento, manter-se saudável e posteriormente cuidar de uma filhote.

A International Animal Rescue informou que Sinar estava entre os filhotes registrados de orangotangos anteriormente reabilitados e libertados na região.

A presença de uma nova geração na floresta amplia a importância de programas que conseguem devolver animais aptos à reprodução para populações selvagens.

Orangotangos passam anos aprendendo com as próprias mães

A dificuldade de reabilitar animais como Susi está diretamente relacionada ao desenvolvimento natural dos orangotangos.

Filhotes permanecem próximos das mães durante vários anos.

Nesse longo período, aprendem quais frutas podem comer, onde encontrá-las em diferentes épocas, como construir ninhos, como navegar pelas copas e como reagir diante de riscos.

Quando um filhote é mantido como animal de estimação, parte desse aprendizado pode ser interrompida.

Por isso, centros de reabilitação precisam reconstruir lentamente condições que permitam ao indivíduo desenvolver habilidades que normalmente aprenderia acompanhando a mãe.

O processo pode levar anos e nem todos os animais conseguem atingir condições adequadas para uma soltura completa.

O orangotango-de-bornéu enfrenta ameaça de extinção

Susi pertence ao grupo dos orangotangos encontrados em Bornéu, animais que enfrentam forte pressão provocada principalmente pela perda e fragmentação de habitat, além de conflitos com seres humanos e captura ilegal.

A sobrevivência de cada indivíduo reabilitado ganha importância adicional quando o animal consegue retornar à natureza e reproduzir-se.

O caso de Susi também demonstra a necessidade de áreas protegidas.

Não seria suficiente tratar a ferida, ensinar comportamentos naturais e abrir uma caixa se não existisse uma floresta adequada para recebê-la.

Gunung Tarak e a região próxima ao Parque Nacional Gunung Palung oferecem habitat onde orangotangos podem encontrar alimento, construir ninhos e estabelecer áreas de vida.

A corrente deixou marcas, mas não impediu Susi de reconstruir sua vida

A recuperação não eliminou completamente os danos sofridos durante o confinamento.

A International Animal Rescue informou que as lesões provocadas pela corrente deixaram consequências permanentes no pescoço da orangotango.

Mesmo assim, Susi desenvolveu capacidade suficiente para executar todas as atividades essenciais à sobrevivência. Ela voltou a subir em árvores.

Aprendeu a encontrar alimento de maneira independente. Passou a construir ninhos.

Sobreviveu durante anos depois da libertação. E finalmente foi encontrada cuidando de uma filhote.

Entre a orangotango resgatada em 2011, com uma grave lesão causada por uma corrente, e a mãe observada nas árvores em 2020, passaram-se quase nove anos.

O metal foi retirado, a infecção tratada e o confinamento substituído pela floresta.

A pequena Sinar acabou se tornando a imagem mais forte dessa trajetória: uma orangotango que havia passado a infância presa conseguiu retornar ao ambiente natural e, anos depois, apareceu entre as árvores carregando uma nova geração.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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