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Quem mora no caminho entre Barueri e Cubatão pode opinar na quinta (5) sobre o oleoduto de 142 km da Petrobras que vai levar óleo combustível ao Porto de Santos e aposentar um duto dos anos 1970

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 02/11/2026 às 22:20 Atualizado em 02/11/2026 às 23:42
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Quem mora no caminho entre Barueri e Cubatão terá duas chances em novembro de questionar o Obapi Escuros, oleoduto de 142 km que a Petrobras quer construir para abastecer o Porto de Santos e aposentar um duto dos anos 1970.

A primeira audiência pública está marcada para a quinta-feira (5), em São Bernardo do Campo. A segunda será no dia 17, em Cotia. As duas fazem parte do licenciamento ambiental conduzido pela Cetesb.

O encontro de São Bernardo é organizado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente, o Consema, e é aberto à população, segundo o Repórter Diário.

O que é o Obapi Escuros

O projeto prevê um oleoduto de aproximadamente 142 quilômetros entre o Terminal Terrestre de Barueri e o Terminal Terrestre de Cubatão. A tubulação vai atravessar 13 municípios paulistas.

Pelo duto vão passar os chamados produtos escuros, derivados de petróleo como o óleo combustível. O objetivo declarado é manter o fornecimento de combustíveis para o Porto de Santos.

O “escuros” do nome indica o tipo de produto que vai circular. O novo duto vai substituir outro, o Obati, que liga Barueri a São Caetano do Sul.

Torres e tanques da refinaria de Cubatão vistos entre árvores, com a Serra do Mar ao fundo
A área industrial de Cubatão, no fim do traçado do novo oleoduto (enioprado/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0)

Um duto dos anos 1970 perto do fim

O Obati foi construído com tecnologia da década de 1970 e é operado pela Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras. Segundo a descrição do projeto, o duto está próximo do fim da vida útil.

A nova linha permitiria desativar o Obati sem interromper o abastecimento do porto. O projeto também prevê materiais e tecnologias mais modernos que os da tubulação antiga.

A Petrobras não divulgou nas reportagens o custo da obra, o cronograma nem a data prevista para o novo duto entrar em operação. Esses pontos tendem a aparecer nas audiências.

Por onde o oleoduto passa

O traçado foi desenhado para contornar áreas urbanas densamente ocupadas da Grande São Paulo e reduzir a interferência nas comunidades, segundo o ABC do ABC.

Cerca de 32 quilômetros da nova tubulação vão dividir faixas com dutos que já estão em funcionamento. Com isso, diminui a necessidade de abrir áreas novas ao longo do caminho.

O Jornal Cotia Agora cita entre as cidades do percurso Cotia, Barueri, São Roque, Vargem Grande Paulista, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, São Bernardo do Campo, Embu-Guaçu e Cubatão.

A audiência de quinta em São Bernardo

Na reunião, a Petrobras vai apresentar o projeto, os possíveis impactos ambientais e as medidas previstas para reduzi-los. A população poderá tirar dúvidas e fazer contribuições.

As manifestações serão consideradas pela Cetesb na análise da viabilidade ambiental do empreendimento. Quem não puder ir pessoalmente poderá acompanhar a transmissão pelo YouTube.

O ABC do ABC informou que a empresa ofereceu transporte gratuito a moradores da região, com inscrições até 30 de outubro, prazo que já terminou.

O encontro será na Associação Comercial e Industrial de São Bernardo do Campo, na Rua do Imperador, 14, no bairro Nova Petrópolis, de acordo com o portal da região.

A de Cotia, no dia 17

Em Cotia, a audiência está marcada para 17 de novembro, às 17h, no teatro municipal, segundo o Jornal Cotia Agora. A organização é da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Os estudos do projeto estão disponíveis para consulta na Biblioteca Baptista Cepellos, na Avenida Professor Manoel José Pedroso, 1147, no Jardim Nomura, informou o jornal local.

Grande tanque branco de armazenamento de combustível com a marca BR, atrás de uma cerca, numa área industrial de Cubatão
Tanque de armazenamento de combustível em Cubatão, em 2014 (enioprado/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0)

O alerta dos ambientalistas

O projeto já mobiliza moradores. Em Cotia, ambientalistas fizeram um ato na região do Caputera para alertar sobre a derrubada de mata nativa e o risco de vazamento nas tubulações, segundo o jornal local.

Os estudos de campo começaram antes. Em agosto de 2025, moradores de vários bairros receberam comunicado da Petrobras avisando que a contratada Aerosat faria aerolevantamento, cadastramento e sondagem nos imóveis.

As perguntas que já circulam

Em julho de 2025, quando o projeto veio a público, o Jornal Cotia Agora ouviu o arquiteto e urbanista Fernando Confiança, morador da cidade. Ele listou as dúvidas que esperava ver respondidas pela Petrobras.

A primeira era de segurança: os riscos de vazamento ou explosão perto das casas. A segunda tratava da água, com a pergunta sobre a passagem do duto por rios, córregos e áreas de mananciais.

O urbanista também perguntou o que acontece com quem tiver o terreno cortado pela faixa do oleoduto, se haverá desapropriação ou restrição de uso, e como as obras vão afetar o trânsito da Rodovia Raposo Tavares.

Por fim, questionou se a obra traria empregos para moradores e algum benefício financeiro ou ambiental às cidades em troca dos impactos. São temas que podem voltar ao microfone nas duas audiências.

Em Cotia, o debate chega num momento delicado. Segundo o mesmo jornal, o Plano Diretor e a lei de uso e ocupação do solo da cidade estavam suspensos pela Justiça, e o município voltou a seguir regras de 2008.

A Petrobras em Cubatão

O destino do oleoduto é um dos polos mais importantes da estatal. Como o CPG mostrou em outubro, a refinaria de Cubatão responde por cerca de 11% dos derivados da companhia.

Em junho, a Petrobras também aprovou uma refinaria de US$ 1,2 bilhão em Cubatão para produzir querosene de aviação e diesel a partir de óleos vegetais.

A região já vive o vaivém de obras da estatal. Em julho de 2025, uma parada de manutenção na refinaria de Cubatão mobilizou mais de 3 mil trabalhadores, como o CPG noticiou.

O que acontece depois das audiências

Concluídas as audiências, a Cetesb analisa o estudo de impacto e as contribuições recebidas antes de decidir sobre a viabilidade ambiental. A audiência, por si só, não aprova a obra.

Só depois dessa etapa o projeto pode avançar para as licenças de instalação e de operação, quando o cronograma da construção e o início das obras ficam definidos.

Você moraria perto de um oleoduto se ele passasse pelo seu bairro, ou acha que o traçado deveria ficar longe das cidades?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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