Com o avanço do verão no Brasil, entidades do setor óptico e médicos alertam que o uso de óculos solares irregulares expõe os olhos aos raios ultravioleta, acelera danos oculares e pode antecipar doenças como a catarata
Com a chegada do verão, a exposição ao sol aumenta de forma significativa em praias, piscinas e atividades ao ar livre. Nesse cenário, a saúde ocular entra em estado de atenção, pois a radiação ultravioleta passa a agir de forma contínua sobre os olhos. Quando não há proteção adequada, os danos se acumulam silenciosamente ao longo dos anos.
Comprar óculos solares fora do varejo óptico regulamentado representa um risco direto à visão. O alerta é da Abióptica, que acompanha o crescimento da venda de produtos piratas e falsificados no mercado informal. Esses óculos, embora aparentem proteção, não bloqueiam a radiação ultravioleta, deixando os olhos vulneráveis.
Segundo Ambra Nobre Sinkoc, diretora executiva da Abióptica, óculos solares irregulares não cumprem sua função básica de proteção. Como resultado, a radiação UV atinge diretamente as estruturas internas dos olhos. Com o passar do tempo, doenças oculares graves podem se desenvolver, mesmo sem sintomas imediatos.
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Radiação ultravioleta e o avanço silencioso da catarata
Entre os principais riscos está a catarata, considerada a maior causa de cegueira tratável no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que 51% dos casos de cegueira global estão associados à catarata. Além disso, estimativas da OMS apontam que até 20% dos casos da doença são causados ou agravados pela exposição excessiva aos raios ultravioleta, especialmente sem proteção ocular adequada.
A catarata provoca a opacificação do cristalino, lente natural responsável por focalizar as imagens na retina. Esse processo ocorre de forma progressiva e compromete gradualmente a visão. Por isso, a prevenção contínua é considerada essencial por especialistas.
Efeito cumulativo do sol antecipa danos à visão
De acordo com Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista e diretor executivo do Instituto Penido Burnier, o efeito do sol sobre os olhos é cumulativo. Ou seja, os danos não surgem de imediato. Eles aparecem após anos de exposição sem proteção adequada.
Normalmente, a catarata afeta pessoas acima dos 60 anos. No entanto, a exposição solar sem filtros adequados pode antecipar o surgimento da doença, acelerando o envelhecimento das estruturas oculares. Dessa forma, o cuidado deve começar ainda na juventude.
Venda informal amplia riscos ao consumidor
Diante desse cenário, a Abióptica reforça que óculos solares devem ser adquiridos exclusivamente em óticas. Em estados como São Paulo e Paraná, leis estaduais proíbem a venda de óculos de grau e de sol por ambulantes, justamente para proteger a saúde da população.
Os números do setor evidenciam a dimensão do problema. Cerca de 106,5 milhões de óculos são vendidos por ano no Brasil, sendo 44 milhões de óculos solares. No entanto, apenas 7,88 milhões desses produtos são considerados legais, conforme dados consolidados até 2024.
Impactos econômicos e sociais do setor óptico
Além dos riscos à saúde visual, a pirataria compromete toda a cadeia produtiva. Atualmente, o setor óptico brasileiro emprega cerca de 180 mil pessoas, distribuídas em 71.226 pontos de venda ativos. Somente no último ano, 5.885 novos PDVs foram abertos, reforçando a expansão do comércio formal.
Em termos financeiros, o setor óptico registrou R$ 27 bilhões em vendas em 2024, crescimento em relação aos R$ 26 bilhões registrados em 2023. Assim, optar por produtos legais protege a visão, fortalece a economia e reduz impactos à saúde pública.
Diante desses dados, o alerta é claro: óculos solares não são apenas acessórios de moda, mas equipamentos essenciais de proteção ocular. Economizar hoje pode significar comprometer a visão de forma irreversível no futuro.
Você acredita que a população brasileira compreende os riscos reais dos óculos solares irregulares ou ainda subestima os efeitos silenciosos da radiação ultravioleta sobre a saúde dos olhos?

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