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Obra no Maranhão encontra fêmur de 1,55 metro a 8 metros de profundidade e revela dinossauro gigante de 20 metros que viveu há 120 milhões de anos

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 10/09/2026 às 17:35 Atualizado em 10/09/2026 às 17:36
Paleontólogos escavam fêmur gigante de dinossauro encontrado durante obra no Maranhão
Imagem ilustrativa representa a descoberta de fósseis do Dasosaurus tocantinensis, dinossauro de cerca de 20 metros identificado no Maranhão após ossos serem encontrados durante uma obra.
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Fósseis encontrados em Davinópolis revelaram o Dasosaurus tocantinensis, novo gênero e espécie de saurópode e o maior dinossauro já identificado no Maranhão

Em 2021, uma obra de infraestrutura em Davinópolis, no Maranhão, levou pesquisadores a encontrar fósseis de um animal que viveu no Brasil há aproximadamente 120 milhões de anos. Os restos estavam a cerca de oito metros de profundidade e incluíam um fêmur de aproximadamente 1,55 metro, além de outras partes do esqueleto.

O tamanho dos ossos chamou atenção desde o início, mas a identificação exigiu anos de preparação e comparação científica. O estudo revelou que os fósseis pertenciam a uma espécie até então desconhecida, batizada de Dasosaurus tocantinensis, um enorme dinossauro herbívoro que poderia alcançar aproximadamente 20 metros de comprimento.

Ossos encontrados durante obra em Davinópolis revelaram animal muito mais antigo do que pesquisadores imaginavam

Os fósseis apareceram durante a construção de um terminal rodoferroviário no município de Davinópolis, próximo a Imperatriz. Quando os primeiros restos foram encontrados, uma das hipóteses levantadas apontava para grandes mamíferos pré-históricos, como preguiças-gigantes.

A avaliação dos especialistas, porém, mostrou que o material era muito mais antigo. Os fósseis estavam preservados nas rochas da Formação Itapecuru, levando a equipe a iniciar uma escavação que durou aproximadamente 15 dias.

Durante o trabalho, os pesquisadores recuperaram vértebras da cauda, costelas, partes dos membros, fragmentos da pelve, da mão e do pé. O esqueleto não estava completo, mas o conjunto preservado trouxe informações suficientes para permitir comparações com outros grandes dinossauros já descritos pela ciência.

Fêmur de 1,55 metro ajudou pesquisadores a calcular gigante com aproximadamente 20 metros de comprimento

Entre todos os fósseis encontrados, o fêmur se tornou uma das peças mais importantes para compreender as dimensões do animal. O osso chegava a aproximadamente 1,55 metro de comprimento, indicando que aquele dinossauro atingia proporções muito acima das observadas em animais comuns encontrados na região.

A partir das partes disponíveis, os pesquisadores estimaram que o Dasosaurus tocantinensis poderia alcançar cerca de 20 metros de comprimento. O animal fazia parte dos saurópodes titanossauriformes, grupo formado por grandes herbívoros quadrúpedes conhecidos pelo pescoço alongado, cauda extensa e corpo de enormes proporções.

Com esse tamanho, o Dasosaurus passou a ser considerado o maior dinossauro já encontrado no Maranhão. Segundo informações divulgadas pela Universidade Federal do Vale do São Francisco, a espécie também está entre as três maiores já identificadas no Brasil.

A estimativa de 20 metros, entretanto, não é considerada uma medida definitiva. Como parte do fêmur não foi preservada completamente, análises futuras ainda podem ajudar os pesquisadores a refinar as dimensões atribuídas ao animal.

Dinossauro viveu no Maranhão há 120 milhões de anos durante período de formação do Oceano Atlântico

O Dasosaurus tocantinensis viveu durante o Cretáceo Inferior, há aproximadamente 120 milhões de anos, período em que a configuração dos continentes era bastante diferente daquela observada atualmente. Naquela época, o Oceano Atlântico ainda atravessava seu processo de formação.

A idade dos fósseis ampliou a importância da descoberta porque permitiu aos pesquisadores investigar não apenas um novo dinossauro, mas também possíveis relações entre animais que viveram em diferentes regiões do planeta durante aquele período.

A comparação do esqueleto revelou uma ligação particularmente interessante. O parente conhecido com maiores semelhanças ao dinossauro encontrado no Maranhão não apareceu em outra região da América do Sul, mas na atual Espanha.

Semelhança com dinossauro encontrado na Espanha revelou possível conexão entre animais de diferentes continentes

Os pesquisadores identificaram características semelhantes entre o Dasosaurus tocantinensis e o Garumbatitan morellensis, espécie encontrada na Espanha. Essa proximidade anatômica oferece pistas importantes sobre a evolução e a circulação desses grandes saurópodes.

Uma das possibilidades analisadas pelos pesquisadores indica que essa linhagem poderia ter surgido na Europa e alcançado posteriormente a América do Sul por conexões que também envolviam o norte da África. A configuração geográfica daquele período permitiria relações muito diferentes daquelas existentes atualmente.

Dessa forma, fósseis recuperados durante uma obra no interior do Maranhão ajudam a reconstruir uma história paleontológica que envolve territórios hoje separados por milhares de quilômetros de oceano.

Anos de estudos transformaram fósseis encontrados durante obra em novo gênero e nova espécie de dinossauro

Depois da descoberta em 2021, os fósseis passaram por um longo processo de preparação, análise e comparação com espécies já conhecidas. Cada característica preservada ajudou os pesquisadores a determinar que aquele animal apresentava diferenças suficientes para ser classificado de maneira inédita.

O resultado foi a criação não apenas de uma nova espécie, mas também de um novo gênero de dinossauro, chamado Dasosaurus tocantinensis. O nome Dasosaurus deriva de termos gregos relacionados a floresta ou bosque e réptil, enquanto tocantinensis faz referência ao rio Tocantins, localizado próximo à região da descoberta.

Atualmente, os fósseis permanecem no Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, em São Luís, onde podem ser utilizados em novos estudos. A descoberta também reforça o potencial paleontológico de uma região onde muitos fósseis já foram encontrados em margens de rios e falésias.

Nesse caso, porém, foi uma obra de infraestrutura que alcançou uma camada situada aproximadamente oito metros abaixo da superfície e revelou um animal desconhecido pela ciência. O que começou com grandes ossos encontrados durante uma construção terminou, anos depois, com a identificação de um gigante que viveu no Maranhão há cerca de 120 milhões de anos.

O que mais chama sua atenção nessa descoberta no Maranhão: o tamanho de um dinossauro de cerca de 20 metros ou o fato de seus fósseis terem permanecido escondidos a oito metros de profundidade por 120 milhões de anos? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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