Com a reprise de Avenida Brasil, o país volta a odiar o Max, mas na vida real o ator que deu vida ao personagem faz a própria elétrica, produz adubo com minhocário e diz que não quer nenhum tipo de matança no sítio porque ali tudo vive em harmonia
Enquanto milhões de brasileiros se preparam para odiar de novo o Max de Avenida Brasil na reprise que acaba de entrar no ar, o ator que deu vida ao vilão mais memorável da televisão brasileira está provavelmente descalço num sítio em Teresópolis, na serra do Rio de Janeiro, colhendo alface da própria horta. Marcello Novaes tem 63 anos, o vizinho mais próximo fica a 800 metros de distância e ele não troca essa vida por nada.
A frase parece exagero. Não é.
Do apartamento na Barra da Tijuca ao silêncio absoluto da serra

Antes do sítio, Novaes morava na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Bairro de condomínios de luxo, trânsito pesado, barulho constante. O tipo de lugar onde a maioria dos atores globais escolhe viver pela proximidade com os estúdios da Globo.
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Marcello fez o caminho inverso. Comprou o sítio que pertencia ao tio, o mesmo que ele frequentava desde os 14 anos, quando já preferia enfiar o pé na terra a passear em shopping na Zona Sul. A propriedade fica em Teresópolis, na Região Serrana, cercada de mata, com nascente de água dentro do terreno e nenhum vizinho à vista.
O vizinho mais próximo fica a 800 metros. Não é uma estimativa. É a distância real entre a casa de Marcello e o próximo ser humano. Em termos urbanos, seria o equivalente a andar oito quarteirões sem encontrar uma única porta.
O que ele faz lá o dia inteiro

A lista de atividades de Novaes no sítio parece a descrição de alguém que se preparou para o fim do mundo e decidiu que gostou.
Horta orgânica. O ator cultiva os próprios alimentos sem nenhum produto químico. O adubo vem de um minhocário, de composteiras e das fezes das galinhas que ele cria no terreno. Restos de comida viram húmus que volta pra terra. O ciclo é fechado.
Criação de galinhas. Mas com uma regra: “Não mato uma galinha porque não quero nenhum tipo de matança no sítio. Tudo vive em harmonia. Só como os ovos.” A frase é dele, dada em entrevista ao GShow. Não é personagem. É princípio.
Oficina de marcenaria. Marcello construiu uma oficina onde fabrica móveis e objetos decorativos a partir de troncos de árvore que encontra pela propriedade. Ele mesmo faz trabalhos de elétrica, pintura e manutenção da casa. Aprendeu com o tio quando era adolescente e nunca esqueceu.
Água de nascente. A água que abastece o sítio brota de dentro do próprio terreno. Novaes mandou construir uma pequena cachoeira artificial pra aproveitar o recurso natural. Ele bebe água que nasce no chão onde pisa.
A pandemia que mudou tudo
Marcello já ia ao sítio com frequência, mas foi a pandemia de Covid-19 que transformou a visita em mudança definitiva. Ele passou dois anos isolado na propriedade. Dois anos inteiros. Sem gravação, sem Rio de Janeiro, sem Globo.
Quando o isolamento acabou, ele olhou ao redor e percebeu que não queria voltar.
“Vi que é um lugar que me traz muita paz. A energia é diferente. Tenho uma identificação muito grande com a natureza”, contou ao GShow. O ator mantém a casa na Barra da Tijuca como base logística pra quando o ritmo de gravações aperta, mas o sítio é onde ele vive de verdade.
O contraste entre personagem e pessoa
A ironia é quase cinematográfica. Em Avenida Brasil, Max era o golpista que queria dinheiro, status e poder a qualquer custo. Em Dona de Mim, novela que acaba de terminar, Marcello viveu Jaques, outro vilão obcecado por uma mansão e pelo controle da família mais rica da trama. Ele foi indicado ao prêmio de Melhor Ator no Melhores do Ano por esse papel.
Na vida real, o mesmo homem que interpreta personagens obcecados por patrimônio escolheu uma vida onde a riqueza é medida em metros de distância do vizinho mais próximo, em ovos frescos no café da manhã e em móveis construídos com as próprias mãos a partir de troncos caídos.
Os filhos Diogo, de 30 anos, e Pedro Novaes, de 29, filho do relacionamento com a atriz Letícia Spiller, cresceram frequentando o sítio e mantêm ligação forte com o estilo de vida do pai.
Aos 63 anos, o vilão mais odiado do Brasil encontrou algo que nenhum dos seus personagens jamais conseguiu: paz de verdade. E ela fica a 800 metros do vizinho mais próximo, no meio da serra, entre galinhas que nunca serão mortas e troncos que viram mesa.
Com informações da NSC Total, GShow e revista Caras.

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