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O plano que pode baratear o valor da energia elétrica no Brasil: governo aposta em “baterias gigantes”

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 23/01/2026 às 16:58
O Brasil prepara seu primeiro leilão de energia elétrica com baterias em larga escala. Tesla, Huawei e Petrobras demonstram interesse. Entenda como isso pode impactar o preço da conta de luz e a segurança energética.
O Brasil prepara seu primeiro leilão de energia elétrica com baterias em larga escala. Tesla, Huawei e Petrobras demonstram interesse. Entenda como isso pode impactar o preço da conta de luz e a segurança energética.
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O Brasil prepara seu primeiro leilão de energia elétrica com baterias em larga escala. Tesla, Huawei e Petrobras demonstram interesse. Entenda como isso pode impactar o preço da conta de luz e a segurança energética.

O setor de energia elétrica brasileiro está prestes a atravessar uma das maiores transformações de sua história recente. 

Em abril, o país deve realizar seu primeiro leilão de baterias em escala de rede, uma iniciativa que promete reorganizar a forma como a eletricidade é armazenada, distribuída e consumida.

A medida surge em um momento crítico. A geração de energia solar e eólica cresce rapidamente, porém, ao mesmo tempo, uma parcela significativa dessa produção acaba sendo desperdiçada por falta de demanda no horário certo. 

Esse problema é conhecido como curtailment, ou corte de geração. E é justamente aí que entram as baterias.

O problema do desperdício que custa bilhões

Em 2025, o Brasil perdeu, em média, cerca de 26% da geração solar e 19% da eólica por causa dos cortes, segundo dados da BloombergNEF. Isso representa um prejuízo estimado em R$ 7 bilhões. Em outras palavras, energia limpa foi produzida, mas não pôde ser utilizada.

Com sistemas de armazenamento, essa eletricidade poderia ser guardada e devolvida à rede quando a demanda fosse maior, evitando perdas e reduzindo custos para consumidores e empresas.

O governo federal espera que o leilão garanta 2 gigawatts de capacidade em baterias. Já a BloombergNEF projeta que o país poderá adicionar cerca de 1,3 gigawatts por ano até 2030.

Esse movimento não passa despercebido. Durante a consulta pública, empresas como Tesla, Petrobras, Axia Energia e diversas companhias chinesas enviaram contribuições. Entre 2007 e 2024, projetos do setor elétrico representaram 45% de todos os investimentos chineses no Brasil, somando US$ 35 bilhões, segundo o Conselho Empresarial Brasil-China.

Por que as baterias são essenciais para a energia elétrica?

As baterias funcionam como uma espécie de “caixa-d’água” da energia elétrica. Elas armazenam eletricidade quando há excesso e liberam quando o consumo aumenta. Assim, ajudam a:

  • Evitar apagões;
  • Reduzir o desperdício de energia renovável;
  • Estabilizar o sistema elétrico;
  • Diminuir a dependência de termelétricas caras.

Países vizinhos já avançaram. O Chile planeja grande expansão nos próximos anos. A Argentina contratou 667 megawatts em seu primeiro leilão. O México anunciou 2,2 gigawatts em seu plano de expansão.

A China lidera a produção mundial de baterias e domina toda a cadeia, da célula ao sistema final. Segundo Markus Vlasits, presidente da Absae, associação brasileira do setor, “a China controla desde a fabricação das células de bateria até a fabricação dos insumos necessários para fazer essas células”.

Empresas como Huawei, State Power Investment, China Energy Engineering e China Three Gorges já atuam no Brasil e querem ampliar presença. A Huawei, por exemplo, planeja disputar contratos como fornecedora de equipamentos e integradora de sistemas.

“Nossa estratégia é encontrar parceiros para trabalharmos juntos e vencermos o leilão”, disse Roberto Valer, diretor de tecnologia da Huawei Digital Power Brasil.

O que muda para o consumidor comum?

Com mais estabilidade no sistema, a expectativa é de menos apagões, menos desperdício e, no médio prazo, contas de luz mais baratas. Além disso, a energia elétrica tende a ficar mais previsível, o que beneficia indústrias, comércios e residências.

O Brasil pode se tornar um dos maiores mercados de armazenamento da América Latina, atraindo capital, tecnologia e novos empregos.

Você acredita que as baterias podem finalmente acabar com o desperdício de energia elétrica no Brasil e reduzir o valor da sua conta de luz?

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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