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O maior pântano do planeta perdeu 57% da água em menos de 12 meses, os rios atingiram o nível mais baixo desde o início dos registros e satélites da NASA documentaram em tempo real a transformação mais extrema já registrada no Pantanal: o bioma, que deveria estar inundado, virou uma savana rachada pela primeira vez em 50 anos

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 06/04/2026 às 17:48
Atualizado em 06/04/2026 às 17:51
Assista o vídeoSeca histórica no Pantanal entre 2019 e 2020 reduziu 34% da área alagada, derrubou rios a níveis mínimos e provocou incêndios em 30% do bioma.
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Seca histórica no Pantanal entre 2019 e 2020 reduziu 34% da área alagada, derrubou rios a níveis mínimos e provocou incêndios em 30% do bioma.

Existe um lugar no Brasil onde o chão desaparece sob a água todos os anos. Durante meses, planícies inteiras ficam submersas, rios transbordam sobre a terra plana, lagoas surgem onde antes havia pasto e estradas desaparecem sob o avanço das cheias. Esse é o funcionamento natural do Pantanal, a maior planície alagável do planeta, com cerca de 150 mil km² distribuídos entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Trata-se de um bioma que depende diretamente da água. Seu equilíbrio ecológico está atrelado às cheias sazonais, que sustentam toda a cadeia de vida local.

Em 2019, esse ciclo começou a falhar. As chuvas ficaram abaixo do esperado, os rios não subiram como em décadas anteriores e, quando satélites da NASA e análises com participação de pesquisadores do INPE passaram a registrar o comportamento do bioma ao longo de 2019 e 2020, o que apareceu foi um processo contínuo de ressecamento. Segundo imagens publicadas pelo Earth Observatory da NASA e segundo o estudo “Extreme Drought in the Brazilian Pantanal in 2019–2020: Characterization, Causes, and Impacts”, com participação de pesquisador do CPTEC/INPE, a estação chuvosa de 2020 não conseguiu recarregar adequadamente as áreas úmidas, e o Pantanal entrou na pior seca registrada em 50 anos, com a estação úmida apresentando entre 50% e 60% menos chuva do que o normal em partes do período analisado.

O resultado foi a transformação progressiva do maior pântano do planeta em uma paisagem cada vez mais seca, mês após mês.

Imagens de satélite mostram redução drástica da água e rios do Pantanal no nível mais baixo desde 1971

As imagens de satélite registradas entre 2019 e 2020 mostram uma transformação que foge completamente do padrão esperado para a região.

Áreas que deveriam estar alagadas apresentavam solo seco e rachado. Lagoas sazonais desapareceram e os rios permaneceram confinados em seus leitos, sem capacidade de inundar a planície.

Dados do INPE indicam que a superfície alagada do Pantanal em 2020 foi 34% menor em relação à média histórica entre 1982 e 2020. A precipitação ficou 26% abaixo do normal, e abril de 2020 foi o mês mais seco em mais de 120 anos de registros.

O rio Paraguai, principal eixo hídrico do bioma, atingiu níveis críticos. Na estação de Ladário (MS), os registros chegaram a cotas negativas, indicando níveis abaixo da referência histórica. Em Barra do Bugres (MT), o nível caiu para apenas 24 cm, o menor desde 1966.

Pesquisadores do Cemaden e da Unesp classificaram o evento como a seca mais severa dos últimos 50 anos.

Causas da seca no Pantanal envolvem aquecimento do Atlântico, bloqueio atmosférico e degradação ambiental

A seca de grande escala registrada no Pantanal não possui uma única causa, mas sim uma combinação de fatores climáticos e ambientais.

O primeiro fator identificado foi o aquecimento do Atlântico tropical, que interferiu no transporte de umidade conhecido como “rios voadores”, responsável por levar vapor d’água da Amazônia para o centro-sul do continente.

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O segundo fator foi a ocorrência de bloqueios atmosféricos, sistemas de alta pressão que impediram a formação de chuvas por períodos prolongados. Com isso, a evaporação superou a reposição hídrica.

O terceiro fator envolve a degradação ambiental nas regiões que alimentam o Pantanal, especialmente no Cerrado e na Amazônia. O desmatamento contribui para o assoreamento dos rios e reduz a capacidade de retenção e transporte de água para a planície alagável.

Queimadas no Pantanal em 2020 atingiram 30% do bioma após meses de seca extrema

A ausência de água criou condições ideais para a propagação de incêndios. Em 2020, o Pantanal registrou o maior número de queimadas desde o início do monitoramento por satélite em 1998. O INPE contabilizou 22.116 focos de incêndio, superando em 76% o recorde anterior.

O fogo atingiu 44.998 km², equivalente a aproximadamente 30% de todo o bioma.

Imagens de satélite de alta resolução mostraram frentes de fogo avançando por centenas de quilômetros, atingindo áreas que nunca haviam queimado anteriormente. Cerca de 35% das áreas afetadas eram consideradas intactas até então.

Funcionamento do Pantanal depende do ciclo de cheias e secas que foi interrompido nos últimos anos

O Pantanal funciona como um sistema cíclico, alternando períodos de inundação e seca ao longo do ano. Durante a estação chuvosa, entre novembro e abril, os rios transbordam e inundam vastas áreas. Esse processo é fundamental para a reprodução de espécies e manutenção da biodiversidade.

Entre maio e outubro, a água recua, expondo o solo e permitindo outras dinâmicas ecológicas. Quando esse ciclo é interrompido, todo o sistema entra em desequilíbrio, comprometendo processos ecológicos fundamentais. A seca de 2020 não foi um evento isolado.

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Desde 2019, o Pantanal enfrenta períodos consecutivos de estiagem severa. Em 2024, o Serviço Geológico do Brasil registrou a pior seca da história do bioma, com o rio Paraguai atingindo -67 cm na estação de Ladário.

Dados do MapBiomas indicam uma redução de 81,7% na superfície de água do Pantanal entre 1985 e 2022. O Cemaden também confirmou que a região enfrenta a pior seca desde 1950, com déficit hídrico acumulado superior a 1.000 mm entre 2020 e 2024.

Monitoramento por satélite permite acompanhar em tempo real a degradação do Pantanal

A tecnologia de observação por satélite transformou a forma de monitorar o bioma. O INPE produz centenas de imagens diárias do território brasileiro, permitindo acompanhar queimadas, níveis de rios e cobertura vegetal com alta precisão.

Hoje, é possível observar em tempo quase real a evolução da seca, a expansão dos incêndios e a redução da água no Pantanal. No entanto, especialistas apontam que a disponibilidade de dados não garante ações efetivas de mitigação.

Agora queremos saber: o que pode ser feito para evitar o colapso do Pantanal?

A seca de 2020 demonstrou que o equilíbrio do Pantanal depende de fatores climáticos e ambientais que vão além do próprio bioma.

Com dados disponíveis e monitoramento constante, a questão central deixa de ser técnica e passa a ser decisória. Na sua visão, quais medidas poderiam evitar que o Pantanal continue perdendo água e biodiversidade nos próximos anos?

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João
João
07/04/2026 06:17

Dados de satélite só foram analisados a partir de 2019 , não podem ser comparados com dados coletados de outrá forma , mas estão fazendo isso , não podem afirmar q essa seca é de agora é maoor que as anteriores , de ate 50 anos atrás , são tipos de métrica diferentes , todo pantaneiro sabe q esses ciclos sempre existiram , desde 2019 a seca está acima da média? pode ,mas é prematuro afirmar q é maior q as anteriores , exatamente por serem análises por meios diferentes.

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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