O Cajueiro de Pirangi, reconhecido como o Maior Cajueiro do Mundo, ocupa cerca de 8,5 mil m² e pode produzir até 2,5 toneladas de caju por safra.
Visto de cima, o Cajueiro de Pirangi pode ser confundido com um pequeno bosque espalhado pelo litoral do Rio Grande do Norte. A paisagem, porém, é formada por uma única planta cuja copa alcançou aproximadamente 8,5 mil metros quadrados. Reconhecido internacionalmente pelo Guinness World Records como o Maior Cajueiro do Mundo, o exemplar continua frutificando e recebe visitantes em uma estrutura criada especialmente ao redor de seus galhos.
O tamanho não resultou simplesmente de uma árvore que cresceu muito para cima. O diferencial está no comportamento de seus ramos, que avançam horizontalmente, alcançam o solo e conseguem formar novas raízes. Esse mecanismo ampliou progressivamente a área ocupada pela planta e produziu uma aparência incomum, com diversos pontos que parecem troncos independentes, embora continuem ligados ao mesmo organismo.
Galhos do Cajueiro de Pirangi conseguem criar novos pontos de sustentação
O crescimento extraordinário depende de uma característica que transforma os próprios galhos em estruturas capazes de sustentar novas expansões. Quando determinados ramos ficam pesados e encostam no solo, surgem raízes adventícias, formadas fora do sistema radicular original. A partir daí, aquela parte passa a contar com sustentação própria sem se separar da árvore principal.
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Esse processo pode se repetir conforme novos segmentos avançam pelo terreno. Por isso, o Cajueiro de Pirangi não apresenta apenas um tronco central acompanhado de uma copa convencional. A árvore construiu ao longo do tempo uma rede de apoios conectados, permitindo que os ramos continuassem ocupando áreas cada vez mais distantes de seu ponto de origem.
Um dos cinco grandes ramos não acompanhou o crescimento dos demais
A própria planta possui uma espécie de comparação natural entre o comportamento extraordinário e o desenvolvimento considerado comum. Dos cinco ramos principais, quatro apresentam o padrão de enraizamento sucessivo responsável pela expansão. O outro recebeu o apelido de Salário Mínimo e interrompeu sua propagação depois do primeiro contato com o chão.
Esse ramo é especialmente interessante porque mostra que nem toda a árvore reage da mesma maneira. Enquanto grande parte da estrutura consegue repetir o processo de criação de raízes e novos apoios, o Salário Mínimo mantém um crescimento mais próximo daquele observado em cajueiros convencionais. O contraste ajuda a visualizar a particularidade biológica que tornou o exemplar potiguar tão grande.
Área ocupada equivale a dezenas de cajueiros convencionais
A dimensão registrada chega a aproximadamente 8.500 metros quadrados, área que, segundo as informações do Compre Rural, corresponderia ao espaço ocupado por cerca de 70 cajueiros de tamanho comum. Os ramos podem avançar aproximadamente 50 metros a partir da região central, formando uma cobertura vegetal extensa e contínua.
Mesmo com tamanho tão fora do padrão, a árvore permanece produtiva. Dependendo das condições da temporada, uma safra pode alcançar aproximadamente 2,5 toneladas de caju, volume estimado entre 60 mil e 80 mil frutos. Dessa forma, o interesse pelo exemplar não se limita ao recorde de dimensão, já que o organismo continua cumprindo seu ciclo produtivo.

Passarelas foram instaladas para proteger raízes do fluxo de visitantes
A estrutura necessária para receber turistas também precisou se adaptar ao comportamento da planta. Em vez de permitir circulação irrestrita diretamente sobre o terreno ocupado pelas raízes, foram construídas passarelas elevadas para que os visitantes consigam observar diferentes trechos sem aumentar a pressão sobre áreas sensíveis.
O parque fica em Pirangi do Norte, no município de Parnamirim, próximo a Natal. A presença do Maior Cajueiro do Mundo transformou o local em atração turística e aproximou o interesse botânico da economia regional, com moradores, comércio e serviços relacionados ao fluxo constante de pessoas que procuram conhecer a árvore.
Idade exata ainda não foi determinada de maneira definitiva
A origem do Cajueiro de Pirangi também é cercada por uma tradição que atravessa gerações. Uma versão amplamente difundida atribui o plantio ao pescador Luís Inácio de Oliveira, em 1888. O relato local conta ainda que ele teria morrido anos depois enquanto descansava sob a sombra da própria árvore.
Determinar a idade por métodos convencionais, entretanto, é complicado justamente por causa da forma como a planta se espalhou. Como novos pontos de enraizamento surgem continuamente, analisar apenas um tronco não necessariamente esclarece quando todo o organismo começou a crescer. Por isso, existem estimativas diferentes, incluindo hipóteses que atribuem ao exemplar uma idade superior à indicada pela tradição popular.
Guinness mediu a copa e consolidou reconhecimento internacional
O recorde ganhou projeção formal quando uma equipe do Guinness World Records realizou medições da copa em 1994. O reconhecimento internacional ajudou a consolidar o Cajueiro de Pirangi como referência mundial entre exemplares da espécie e ampliou a notoriedade do parque no litoral potiguar.
Esse título continua associado à árvore mesmo diante da existência de outros cajueiros gigantes no Nordeste. Um dos exemplos é o Cajueiro-Rei, localizado em Cajueiro da Praia, no Piauí, cuja área foi estudada por pesquisadores da Universidade Estadual do Piauí e estimada em aproximadamente 8,8 mil metros quadrados.
Cajueiro do Piauí também é gigante, mas não possui o mesmo certificado
A existência do Cajueiro-Rei acrescenta uma particularidade à discussão sobre dimensões. A área atribuída ao exemplar piauiense supera numericamente os 8,5 mil metros quadrados associados à árvore de Pirangi. Ainda assim ele não recebeu a mesma certificação internacional concedida pelo Guinness ao exemplar potiguar.
Por isso, o Cajueiro de Pirangi permanece identificado oficialmente como o Maior Cajueiro do Mundo. A diferença mostra que dimensões estimadas por estudos locais e títulos formalmente certificados são categorias distintas e nem sempre avançam no mesmo ritmo.
Maior Cajueiro do Mundo transformou uma anomalia em paisagem turística
O aspecto mais incomum do Cajueiro de Pirangi talvez não esteja apenas na quantidade de metros quadrados ocupados, mas na maneira como essa extensão foi construída biologicamente. A planta encontrou nos próprios galhos um mecanismo para continuar avançando, sustentando novas partes e multiplicando pontos de enraizamento sem deixar de formar um único organismo.
Com passarelas cruzando sua copa, toneladas de frutos em determinadas safras e uma história que ainda deixa dúvidas sobre a idade exata, o Maior Cajueiro do Mundo ultrapassou a condição de curiosidade botânica. O que começou com uma característica genética rara terminou por modificar a paisagem de Pirangi do Norte e criar, ao redor de uma única árvore, uma das atrações naturais mais conhecidas do Rio Grande do Norte.
As informações são do Compre Rural em reportagem de agosto de 2026


