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Descoberta em 2026, nova planta da Caatinga intriga cientistas após séculos “invisível” na natureza e foi batizada de Machaerium guidone, em homenagem à arqueóloga Niède Guidon

Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 24/04/2026 às 18:11
Atualizado em 24/04/2026 às 18:17
Descubra a Machaerium guidone, a nova planta da Caatinga identificada no Piauí que presta uma homenagem póstuma à arqueóloga Niède Guidon. Confira os detalhes.
Descubra a Machaerium guidone, a nova planta da Caatinga identificada no Piauí que presta uma homenagem póstuma à arqueóloga Niède Guidon. Confira os detalhes. Foto: Flora do Brasil JBJR/Valner Matheus Milanezi Jordão/Reprodução
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Descubra a Machaerium guidone, a nova planta da Caatinga identificada no Piauí que presta uma homenagem póstuma à arqueóloga Niède Guidon. Confira os detalhes.

Uma planta que se assemelha a um coração agora carrega o sobrenome de uma das maiores defensoras do patrimônio brasileiro. No início de abril de 2026, a comunidade científica oficializou a classificação da nova planta da Caatinga, Machaerium guidone, uma espécie que, apesar de existir há milênios, só teve sua identidade única reconhecida recentemente.

O batismo, publicado na revista internacional Kew Bulletin, homenageia a arqueóloga Niède Guidon, falecida antes que pudesse ver a conclusão do artigo iniciado em 2022. O estudo foi liderado por pesquisadores da Escola Nacional de Botânica Tropical, vinculada ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e descreve o arbusto como uma peça rara do bioma semiárido.

A “descoberta” da Machaerium guidone

O caso da nova planta da Caatinga, revela um aspecto curioso da botânica: o fato de uma espécie poder ser coletada várias vezes sem ser de fato compreendida. Pesquisadores já haviam encontrado o vegetal em expedições de campo anteriores, mas suas características específicas nunca haviam sido notadas.

Essa “invisibilidade” científica terminou quando especialistas decidiram olhar mais de perto para o material colhido. Além disso, a análise confirmou que a planta não é exclusiva de um único local, possuindo registros em outros estados: Piauí, Bahia, Ceará, Maranhão e Minas Gerais

Diferente de outras representantes do seu gênero, a Machaerium guidone, não apresenta espinhos em seus ramos. Ela cresce como uma trepadeira lenhosa, apoiando-se em outras estruturas para alcançar o alto, funcionando de maneira similar a um cipó.

Foto: Valner Matheus Milanezi Jordão/Wikimedia Commons

Suas folhas firmes e arredondadas foram um dos principais atrativos para os pesquisadores. De acordo com Valner Matheus Milanezi Jordão, doutorando do JBRJ e autor da pesquisa, o aspecto estético da planta foi fundamental para o início do estudo.

Enquanto muitas plantas do semiárido possuem estratégias de defesa agressivas, a Machaerium guidone se destaca pela suavidade de suas formas. Assim, a planta tornou-se uma metáfora da própria arqueologia: algo delicado e valioso escondido em um ambiente árido.

O simbolismo político e a memória de Niède Guidon

A decisão de batizar a nova planta da Caatinga de Machaerium guidone, em referência à fundadora da Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), teve motivações que vão além da ciência.

Descubra a Machaerium guidone, a nova planta da Caatinga identificada no Piauí que presta uma homenagem póstuma à arqueóloga Niède Guidon. Confira os detalhes.
Descubra a Machaerium guidone, a nova planta da Caatinga identificada no Piauí que presta uma homenagem póstuma à arqueóloga Niède Guidon. Confira os detalhes.

Os pesquisadores quiseram reafirmar a importância do trabalho de Niède enquanto um ato político e de preservação. Como a coleta que serviu para o reconhecimento internacional da planta ocorreu no Parque Nacional da Serra da Capivara, a ligação com a arqueóloga tornou-se inevitável.

Embora o processo científico tenha começado enquanto Guidon ainda estava viva, a publicação oficial em 2026 acabou se tornando uma homenagem póstuma. Portanto, a arqueóloga, que lutou para proteger as pinturas rupestres e a biodiversidade do Piauí, agora está eternizada na taxonomia da flora brasileira.

A oficialização da Machaerium guidone traz à tona um alerta sobre a preservação da Caatinga. O fato de uma nova espécie ser identificada apenas agora reforça que o bioma ainda esconde segredos biológicos que podem ser perdidos sem a devida proteção.

O trabalho realizado pelos botânicos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro demonstra que a catalogação da vida brasileira é um processo contínuo. Enquanto isso, a nova espécie de leguminosa passa a integrar oficialmente o patrimônio natural do país.

Por fim, a descoberta da nova planta da Caatinga, Machaerium guidone, serve como um lembrete de que a proteção de uma região, como a iniciada por Niède Guidon na década de 1970, é o que permite que a ciência de 2026 continue a florescer.

Foto: Retirada do artigo “Machaerium guidone (Leguminosae: Papilionoideae: Dalbergieae) — uma nova espécie notável do nordeste do Brasil

Fonte: Aventuras na História

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Gildete
Gildete
02/05/2026 14:32

Só fico triste que uma planta encontrada dentro do território Brasileiro ainda hoje recebe nome estrangeiro.

Joao
Joao
25/04/2026 20:57

E como se chama essa planta no nordeste ?

Irailde Brito
Irailde Brito
25/04/2026 11:34

Sim. Essa planta é comum aqui no sul do Maranhão ou como chamamos, sertão sul maranhense. Linda homenagem a grande Niéde Guidon.

Ruth Rodrigues

Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.

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