Nova pesquisa indica que buracos negros supermassivos podem atravessar uma fase temporária de crescimento dentro dos chamados pontinhos vermelhos, objetos compactos detectados pelo Webb, enquanto a galáxia Saguaro revela como gás, poeira, baixa emissão de raios X e limitações observacionais escondem estruturas muito maiores no universo distante do início cósmico.
Uma nova pesquisa sugere que os misteriosos pontos vermelhos observados pelo Telescópio Espacial James Webb podem representar uma fase temporária de intensa atividade de buracos negros supermassivos. A hipótese foi construída a partir da análise da galáxia Saguaro, observada quando o universo tinha cerca de 3,3 bilhões de anos e considerada um possível elo entre objetos distantes e galáxias mais desenvolvidas.
As informações foram publicadas pelo Daily Galaxy em 30 de julho de 2026, com base em um estudo divulgado no The Astrophysical Journal. Pesquisadores utilizaram dados do Webb, do Telescópio Espacial Hubble, do Observatório de Raios X Chandra e de outros levantamentos para investigar a estrutura, a luminosidade e o núcleo oculto da Saguaro.
Pontinhos vermelhos desafiam astrônomos desde 2022

Os pequenos pontos vermelhos começaram a chamar atenção depois que o Webb iniciou suas observações científicas em 2022. Eles aparecem como fontes compactas, avermelhadas e extremamente distantes nas imagens do universo primordial.
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A aparência simples esconde um problema complexo. Os astrônomos ainda tentam determinar se esses objetos são galáxias incomuns, núcleos galácticos ativos ou uma combinação de estrelas, gás, poeira e buracos negros em crescimento.
Luz viajou por grande parte da história cósmica
Muitos desses objetos aparecem em alto desvio para o vermelho, medida associada à expansão do universo e ao tempo percorrido pela luz antes de chegar à Terra.
Isso significa que os telescópios não os observam como são atualmente, mas como eram bilhões de anos atrás. Quanto maior a distância, mais difícil se torna distinguir o núcleo brilhante das estruturas tênues que o cercam.
Pesquisa aponta para uma fase temporária
O novo estudo propõe que os pontinhos vermelhos não constituam necessariamente uma classe permanente e separada de galáxias.
Eles poderiam representar uma etapa curta na evolução de sistemas que abrigam buracos negros supermassivos em rápida atividade. Durante esse período, o núcleo seria intensamente luminoso, enquanto o restante da galáxia permaneceria difícil de detectar.
Galáxia Saguaro virou peça central
A equipe concentrou a análise na galáxia WISEA J123635.56+621424.2, apelidada de Saguaro devido ao formato espiral que lembra os braços de um cacto.
A Saguaro possui um núcleo vermelho compacto parecido com os pequenos pontos detectados pelo Webb. A diferença é que sua galáxia hospedeira ainda pode ser observada com detalhes, permitindo estudar a relação entre o centro ativo e o ambiente ao redor.
Objeto existiu 3,3 bilhões de anos após o Big Bang
A galáxia está localizada em um desvio para o vermelho próximo de 2. Segundo o estudo, isso permite observá-la como existia aproximadamente 3,3 bilhões de anos depois do Big Bang.
Embora ainda seja muito antiga, ela está mais próxima do que muitos dos pontinhos vermelhos encontrados no universo primordial. Essa distância intermediária oferece uma oportunidade de enxergar estruturas que desapareceriam em observações mais remotas.
Núcleo compacto lembra objetos distantes
O centro da Saguaro apresenta uma aparência avermelhada e concentrada semelhante à das fontes misteriosas vistas pelo Webb.
A semelhança levou os pesquisadores a considerar a galáxia um possível protótipo evolutivo. Ela poderia mostrar no que os pequenos pontos vermelhos se transformam quando o universo amadurece e suas estruturas externas se tornam mais visíveis.
Webb e Hubble observaram o mesmo sistema
Para separar a luz do núcleo daquela produzida pela galáxia, os cientistas combinaram observações realizadas em diferentes comprimentos de onda.
O Webb forneceu dados detalhados principalmente no infravermelho, enquanto o Hubble contribuiu para a análise da estrutura e da distribuição da luz. O cruzamento das informações permitiu examinar o centro compacto sem ignorar os braços espirais ao redor.
Núcleo brilha no ultravioleta e infravermelho
Os dados mostraram que o núcleo da Saguaro possui brilho incomum em comprimentos de onda ultravioleta e infravermelho quando comparado à luz visível.
Esse padrão se aproxima daquele encontrado nos pontos vermelhos mais distantes. A distribuição da energia sugere que o brilho não vem apenas de estrelas, mas também de atividade associada a buracos negros.
Simulação afastou digitalmente a galáxia
Os pesquisadores também testaram como a Saguaro apareceria caso estivesse localizada muito mais longe, em uma região correspondente ao início do universo.
Para isso, deslocaram digitalmente a galáxia para um desvio para o vermelho maior. A simulação reduziu a visibilidade de seus braços e deixou praticamente apenas o centro vermelho compacto.
Estrutura externa quase desapareceu
Quando colocada virtualmente a uma distância maior, a luz difusa das estrelas e do gás ao redor tornou-se fraca demais para ser percebida com clareza.
O resultado reproduziu a aparência dos misteriosos pontinhos vermelhos. Isso indica que alguns deles podem não estar isolados, mas cercados por galáxias que os instrumentos atuais não conseguem revelar completamente.
Limitações podem criar viés observacional
O estudo aponta que os astrônomos talvez estejam observando apenas a parte mais brilhante desses sistemas.
As galáxias hospedeiras podem existir, mas permanecer abaixo do limite de detecção. Nesse cenário, o universo distante pareceria conter uma população de pontos isolados quando, na realidade, eles seriam núcleos luminosos dentro de estruturas maiores.
Chandra detectou raios X fracos
As observações do Observatório de Raios X Chandra forneceram outra pista para a interpretação da Saguaro.
A galáxia apresentou uma emissão fraca de raios X, compatível com a presença de um núcleo galáctico ativo. A intensidade reduzida, porém, indica que grande parte da radiação pode estar sendo bloqueada antes de escapar.
Gás e poeira escondem o centro
Camadas densas de gás e poeira ao redor do núcleo podem absorver ou dispersar parte da energia produzida pelo material que cai no buraco negro.
Esse obscurecimento dificulta a identificação pelos métodos tradicionalmente usados para encontrar núcleos ativos. Assim, um sistema pode conter buracos negros em crescimento sem exibir a assinatura intensa de raios X normalmente esperada.
Baixa emissão ajuda a explicar o mistério

Muitos dos pequenos pontos vermelhos observados pelo Webb também não apresentam emissões fortes de raios X.
A combinação encontrada na Saguaro — núcleo ativo, forte obscurecimento e raios X fracos — oferece uma possível explicação. Os objetos distantes poderiam estar ativos, mas escondidos dentro de ambientes galácticos densos.
Buracos negros podem crescer rapidamente
Quando matéria se aproxima de um buraco negro supermassivo, ela forma estruturas aquecidas que liberam grandes quantidades de energia.
Nos sistemas estudados, esse processo pode ocorrer durante um estágio em que o núcleo ainda está envolvido por gás e poeira. A atividade seria intensa, porém parcialmente invisível para observações realizadas em determinados comprimentos de onda.
Pontos podem marcar etapa inicial
A hipótese sugere que os pontinhos vermelhos aparecem durante uma fase específica da formação de galáxias e de seus núcleos centrais.
Com o passar do tempo, o gás poderia ser consumido, expelido ou redistribuído. O núcleo deixaria de apresentar a mesma aparência compacta e vermelha, fazendo essa população parecer desaparecer em épocas cósmicas posteriores.
Desaparecimento pode ser apenas aparente
Os pequenos pontos vermelhos são encontrados principalmente em observações muito distantes e parecem menos comuns em regiões mais próximas.
Isso não significa necessariamente que deixaram de existir sem deixar descendentes. Eles podem ter evoluído para galáxias nas quais o núcleo e o ambiente externo se tornaram visualmente separados.
Saguaro pode representar essa descendência
A estrutura espiral visível da Saguaro, combinada ao núcleo compacto, oferece um exemplo de como essa transição poderia ocorrer.
Ela apresenta simultaneamente características de uma galáxia reconhecível e de um pequeno ponto vermelho. Essa combinação permite estudar uma etapa intermediária que normalmente ficaria escondida pela distância.
Ambiente ao redor altera interpretação
Observar apenas o núcleo pode levar a estimativas incorretas sobre o tamanho, a massa e a natureza do sistema.
Quando a galáxia hospedeira se torna visível, os pesquisadores podem separar melhor a contribuição das estrelas, do gás e dos buracos negros. Isso ajuda a evitar que toda a luminosidade seja atribuída a uma única fonte.
Pontos vermelhos não seriam galáxias isoladas
O estudo questiona a ideia de que cada objeto compacto represente uma pequena galáxia independente e completamente diferente das demais.
Eles podem ser somente a região central mais luminosa de sistemas maiores. As partes externas permaneceriam invisíveis porque sua luz é espalhada por uma área ampla e perde intensidade com a distância.
Webb ainda enfrenta limites físicos

Embora o James Webb seja o telescópio espacial mais avançado para observar o universo infravermelho distante, ele não consegue detectar toda fonte existente.
A expansão cósmica, o brilho superficial reduzido e a distância extrema impõem limites. Mesmo uma galáxia extensa pode desaparecer da imagem se sua luz estiver distribuída de maneira muito tênue.
Pesquisa combina diferentes observatórios
A investigação mostra a importância de reunir instrumentos especializados em faixas distintas do espectro eletromagnético.
O Webb e o Hubble revelam estrelas, estruturas e poeira, enquanto o Chandra procura sinais energéticos associados aos núcleos ativos. Nenhum dos observatórios, isoladamente, forneceria a mesma interpretação completa.
Descoberta muda leitura do universo primordial
Caso a hipótese seja confirmada em outros objetos, os pontinhos vermelhos deixarão de ser vistos como uma população inteiramente separada.
Eles passariam a ser interpretados como uma etapa no desenvolvimento de galáxias e buracos negros supermassivos. Isso afetaria modelos sobre a velocidade com que essas estruturas cresceram nos primeiros bilhões de anos do universo.
Outros exemplos precisarão ser encontrados
A Saguaro oferece uma pista importante, mas um único sistema não resolve todas as questões.
Os pesquisadores precisarão localizar outras galáxias de menor desvio para o vermelho com núcleos semelhantes. A comparação poderá revelar se a Saguaro representa um padrão comum ou uma combinação rara de características.
Destino oculto começa a ganhar forma
O estudo apresenta um possível caminho evolutivo para objetos que pareciam desaparecer sem deixar equivalentes no universo mais recente.
Os pontinhos vermelhos podem ser a ponta visível de galáxias maiores, durante uma fase em que buracos negros crescem escondidos por gás e poeira. Você acredita que novas observações confirmarão essa hipótese ou revelarão outro tipo de objeto cósmico? Deixe sua opinião nos comentários.
