Inauguração industrial no interior do Paraná reúne investimento bilionário, geração de empregos, produção nacional de garrafas de vidro e promessa de operação sustentável, ampliando a integração da cadeia cervejeira e reforçando a estratégia logística da Ambev no Brasil.
A Ambev inaugurou nesta segunda-feira (15) uma fábrica de garrafas de vidro em Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, com investimento informado de R$ 1 bilhão e capacidade projetada de até 600 milhões de unidades por ano.
Segundo a empresa, a unidade soma 4,6 mil postos de trabalho gerados na região ao considerar as vagas abertas durante a obra e a etapa de operação, em um município com cerca de 24 mil habitantes.
A planta foi apresentada pela companhia como parte da estratégia de ampliar a produção de embalagens para marcas posicionadas no segmento premium e de cervejas zero álcool.
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A Ambev afirma que as garrafas feitas no Paraná também abastecerão cervejarias do grupo em diferentes estados, além do próprio mercado paranaense.
Produção de garrafas de vidro e marcas atendidas
De acordo com a Ambev, a fábrica inicia a operação com a fabricação de garrafas voltadas principalmente a rótulos como Stella Artois e Spaten, com possibilidade de atender outras marcas do portfólio, como Corona e Original, além de versões sem álcool.
A capacidade informada pela empresa é de 600 milhões de garrafas anuais, em formatos e cores diferentes, o que inclui variações como vidro verde, transparente e âmbar.
A companhia também indicou que a nova unidade produzirá garrafas em tamanhos usados no mercado brasileiro, como long neck, 600 ml e outras volumetrias.
A proposta, segundo a empresa, é reforçar o abastecimento interno e reduzir a dependência de terceiros na cadeia de vidro, ampliando a autossuficiência da Ambev nesse tipo de embalagem.

Empregos gerados desde a obra até a operação
Ao detalhar o impacto no mercado de trabalho, a Ambev informou que a construção do complexo mobilizou mais de 4,2 mil empregos na região desde o início das obras.
Com a fábrica em funcionamento, a empresa afirma que serão 400 vagas diretas e indiretas ligadas à operação.
Embora os números sejam apresentados como um total agregado, a empresa não detalhou a divisão por área, faixa salarial ou tempo de contratação.
Ainda assim, o volume é citado como relevante por envolver uma cidade de pequeno porte e por concentrar contratações em diferentes etapas do projeto, da construção civil à produção industrial.
Paraná como operação integrada “do grão ao gole”
A Ambev descreve o Paraná como sua primeira operação no modelo “do grão ao gole”, expressão usada para indicar a integração de etapas que vão da produção de insumos agrícolas e malte ao envase e à distribuição.
O estado reúne áreas produtoras de cevada e uma estrutura industrial já existente da companhia, como fábricas e centros de distribuição.
O CEO da Ambev, Carlos Lisboa, atribuiu a escolha do Paraná ao peso logístico e produtivo do estado no mapa da empresa.
“Temos campos de cevada, fábricas, centros de distribuição e milhares de colaboradores no estado que trabalham todos os dias para entregar os melhores produtos e serviços para os paranaenses”, afirmou o executivo.
Na mesma linha, Lisboa disse que a produção de vidro no estado deve ter alcance além das fronteiras paranaenses.

“Agora, as garrafas feitas aqui no Paraná vão chegar também em outros estados e abastecer nossas fábricas pelo Brasil, gerando impacto nacional na cadeia de valor”, afirmou.
Distribuição nacional das garrafas produzidas
A companhia informou que a planta de Carambeí foi desenhada para abastecer cervejarias da Ambev em diferentes regiões do país.
Entre os destinos citados estão unidades em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Ceará, além do próprio Paraná.
A empresa não divulgou uma estimativa de volumes por estado nem um cronograma detalhado de expansão do mix de garrafas por marca.
O direcionamento estratégico apresentado é concentrar parte relevante da produção de vidro em um ponto do Sul com acesso a rotas de distribuição que conectam diferentes mercados consumidores.
Energia renovável e uso de vidro reciclado
A Ambev afirma que a fábrica de Carambeí é a primeira da empresa a iniciar as operações com 100% de energia elétrica renovável.
A companhia também declarou que pretende operar com biocombustíveis e fornos de alta eficiência energética, como parte do desenho industrial voltado à redução de emissões.
Outro ponto divulgado é o uso de vidro reciclado na produção das garrafas.
Segundo a empresa, a composição começa com pelo menos 20% de material reciclado, com potencial de chegar a 80%, dependendo das condições de fornecimento e disponibilidade.
Apesar da meta anunciada, a Ambev não detalhou quais critérios técnicos determinariam essa variação nem apresentou números públicos de redução de CO₂ específicos da planta.
Governo do Paraná destaca consolidação do polo cervejeiro
O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, relacionou a inauguração ao fortalecimento do estado na cadeia da cerveja, do campo à indústria.

“O Paraná está se consolidando como esse polo cervejeiro que gera muito emprego, desde o agricultor que planta a sua cevada, depois na produção de malte, que vai para a fábrica que faz o líquido, e agora também essa fábrica de garrafas”, disse.
Ratinho Junior também ressaltou o recorte ambiental apresentado para o projeto.
“Com um detalhe, toda a produção aqui será sustentável, tanto com o uso de energias renováveis, tratamento de efluentes, e também na reciclagem de vidro para essa produção”, afirmou.
Estrutura industrial e investimentos da Ambev no Brasil
A unidade de Carambeí é apresentada como a segunda fábrica de vidro da Ambev no país.
A empresa já opera uma planta semelhante no Rio de Janeiro e mantém outras estruturas industriais ligadas a embalagens e insumos, como fábrica de latas em Minas Gerais, produção de rótulos em São Paulo, tampas de alumínio no Amazonas e duas maltarias no Rio Grande do Sul.
Nos comunicados relacionados ao anúncio, a companhia afirmou ter investido mais de R$ 10 bilhões no Brasil nos últimos três anos.
No Paraná, o volume declarado é de R$ 2,5 bilhões em investimentos, com 16 mil empregos diretos, indiretos e induzidos associados às operações no estado.
Com a nova fábrica de vidro, o desafio passa a ser acompanhar a execução das metas industriais e ambientais anunciadas ao longo do tempo, especialmente na logística de abastecimento e na capacidade regional de reciclagem de vidro.
