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No coração da Austrália, fazenda desafia a pior seca da história, faz rios voltarem a correr sem chuva, recupera solo morto e expõe falência das políticas agrícolas tradicionais do país

Escrito por Carla Teles
Publicado em 06/01/2026 às 16:28
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Austrália: Malloon Creek faz água resistir à seca e mostra como o solo volta a viver com reidratação da paisagem.
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No coração da Austrália, a Malloon Creek Natural Farms mostra que reidratar a paisagem pode manter água correndo mesmo no auge da seca e expõe como políticas agrícolas tradicionais travam a recuperação.

A Austrália viveu um dos períodos mais secos já registrados, com seis meses descritos como os mais secos da série histórica, e muitas propriedades ficaram visivelmente castigadas. Só que, a menos de uma hora de Canberra, uma fazenda chamada Malloon Creek parecia desafiar a lógica: por fora, os piquetes estavam marrons, mas por baixo o solo seguia vivo.

O ponto mais chocante é o que aparece no curso d’água. Não há água entrando pelo alto do vale, mas ainda existe água saindo lá embaixo, como se o sistema tivesse criado reservas internas. A promessa por trás disso é direta: reidratar o terreno para atravessar a seca sem depender apenas de chuva.

O “milagre” de Malloon Creek: água correndo sem água chegando

Em Malloon, o argumento central é que a fazenda reproduziu um processo natural das paisagens da Austrália: levar água para as planícies de inundação e manter o ambiente hidratado com antecedência, antes da seca piorar.

A tese é que, quando o solo funciona como esponja, a água deixa de “ir embora rápido” e passa a infiltrar, ficar armazenada e alimentar o sistema nos períodos secos. O objetivo não é barrar a água, é desacelerar a água.

Quem é Peter Andrews e o que é o Natural Sequence Farming

A virada do projeto é atribuída ao método de Peter Andrews, conhecido como Natural Sequence Farming. A ideia é “acertar a hidrologia” primeiro, porque, sem hidratação, nenhum manejo convencional segura a degradação por muito tempo.

A abordagem parte de ler a paisagem como um sistema, observando por onde a água escoa, onde erosiona, onde deveria se espalhar e como voltar a infiltrar no terreno. A proposta é reidratar o que a colonização e o manejo tradicional drenaram para o mar.

A obra no creek: reduzir erosão, derrubar barrancos e reconstruir a borda viva

O ponto inicial foi enfrentar um creek profundamente erodido, descrito como um canal inciso, com barrancos que chegavam a cerca de 10 metros em alguns trechos.

Em vez de aceitar o “dreno” como destino, o projeto derrubou bancos, criou estruturas no curso d’água e plantou espécies para estabilizar as margens.

Isso gerou conflito. Teve vizinho achando que era “roubo de água”, órgãos públicos ligando, discussão e suspeita, porque o trabalho ia contra o que muita gente era orientada a fazer, inclusive com plantas que parte do poder público recomenda remover. A recuperação começou sob desconfiança.

Resultados relatados: solo voltando a se formar e produção aumentando

Austrália: Malloon Creek faz água resistir à seca e mostra como o solo volta a viver com reidratação da paisagem.

O relato afirma que, quando a hidrologia melhora, o capim aguenta meses e o solo volta a se formar. A equipe descreve uma camada de cerca de 5 centímetros de formação de solo observada no processo, algo raro em muitas áreas agrícolas, onde se vê mais degradação do que construção.

Na área reidratada, também é citado um aumento de 63% na produção e sinais claros de “drought proofing”, com água no vale mesmo quando não entra água no alto. O recado é que a seca não precisa significar colapso inevitável.

Peixes de volta e biodiversidade reaparecendo

Um dos sinais mais fortes mencionados é o retorno de peixes ao curso d’água, com relatos de espécies que antes eram vistas apenas em trechos altos de parques nacionais e eram consideradas desaparecidas na região.

Além disso, o texto base descreve a volta de aves e o ambiente mais vivo, como se o creek voltasse a funcionar como corredor ecológico. Quando a água volta, a vida segue atrás.

O choque com as políticas agrícolas tradicionais

A crítica é dura: a fazenda diz que políticas e legislações estão defasadas e podem tornar esse tipo de reparo tecnicamente “ilegal” ou inviável na prática.

Há queixa de que a burocracia demora tanto que, quando a autorização sai, a janela de execução já passou.

Também aparece um ponto político: autoridades visitam, elogiam, mas o sistema não cria uma resposta nacional coerente e replicável.

O argumento do projeto é que isso não funciona só em um tipo de terreno, e que a resistência institucional trava o avanço. A falência não é de técnica, é de modelo e de regra.

A tentativa de escalar: do piloto ao catchment inteiro

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Depois de testar em um trecho do creek, o plano foi expandir para a bacia, com trabalho envolvendo dezenas de quilômetros de curso d’água e participação de múltiplos proprietários.

A visão por trás disso é colaborativa: se o vizinho de baixo não participa, o sistema não fecha.

A ambição é transformar a experiência de uma fazenda em referência para a Austrália, com coleta de dados, levantamentos de fauna, estrutura de solo e monitoramento, justamente para vencer o argumento de que “sem evidência, governo não muda”.

O que essa história diz sobre seca e futuro da Austrália

Malloon Creek defende uma ideia simples e desconfortável: paisagens foram destruídas por decisão humana e, portanto, são recuperáveis por decisão humana.

Não é promessa de chuva. É promessa de retenção, infiltração e solo funcionando como reserva.

No fim, a fazenda vira um espelho para a Austrália: ou o país continua tratando água como algo que precisa “sair rápido” do terreno, ou aprende a segurar o que cai, devagar, para atravessar os meses em que não cai nada.

Você acredita que esse modelo de reidratar a paisagem deveria virar política pública na Austrália, ou acha arriscado mexer em rios e várzeas fora do padrão tradicional?

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Pauline Webb
Pauline Webb
09/01/2026 07:33

Marvellous work regenerating the land by the owners. Think of the production – should be enough to have all farmers doing it. Think of the soil as a natural reservoir- the life of the water within the land extended , drought proofing to an extent. Think of nature – insects, microbats, fish & birds to balance out the problem pest insects, greater pollination & trees to bind the soil & provide healthy habitat. It is a win win situation. Thank you for your effort.

Susan
Susan
08/01/2026 22:48

Wonderful news

Ray
Ray
08/01/2026 21:52

I believe this is a way forward in Australian ecology. It has shown positive results, so I can not see any reason why it should not be implemented throughout Australia as our climate becomes drier and more unpredictable.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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