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“Ninguém vai querer comprar”: garagista afirma que carros usados acima de R$ 100 mil estão encalhando diante dos BYD zero-km, enquanto elétrico de R$ 109.990 já lidera o varejo brasileiro

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 22/08/2026 às 00:15 Atualizado em 22/08/2026 às 00:22
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“Ninguém vai querer comprar”: garagista diz que usado acima de R$ 100 mil perdeu espaço para BYD zero-km, enquanto elétrico de R$ 109.990 já lidera varejo brasileiro
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Garagista alerta que usados acima de R$ 100 mil enfrentam a pressão dos BYD zero-km, enquanto Dolphin Mini de R$ 109.990 assume liderança no varejo brasileiro.

Ninguém vai querer comprar.” A previsão feita por um garagista sobre carros usados acima de R$ 100 mil viralizou ao colocar em palavras uma mudança que já aparece nos números do mercado brasileiro. Segundo a Folha do Estado, que repercutiu o vídeo em 17 de junho de 2026, o profissional argumenta que consumidores passaram a olhar para modelos chineses zero-km, especialmente eletrificados, antes de gastar mais de R$ 100 mil em um seminovo.

A frase “carro usado acima de R$ 100 mil não vende mais” é uma generalização e não pode ser tratada como retrato estatístico do país. Mas o fenômeno que sustenta o alerta é concreto: enquanto a BYD chegou a oferecer o Dolphin Mini GL por R$ 109.990, o próprio compacto elétrico terminou os sete primeiros meses de 2026 como o automóvel mais emplacado no varejo brasileiro, com 35.199 unidades.

Um BYD zero-km de R$ 109.990 entrou na conta do consumidor

O número que melhor explica o incômodo dos revendedores é R$ 109.990. No histórico oficial das condições comerciais da BYD, o Dolphin Mini GL 2025/2026 e 2026/2027 apareceu exatamente por esse preço à vista durante campanha válida em julho de 2026.

Isso significa que um consumidor com orçamento pouco acima de R$ 100 mil passou a ter uma escolha que alguns anos antes praticamente não existia: comprar um veículo usado de categoria superior ou colocar na garagem um carro elétrico zero-km, com garantia de fábrica e sem histórico de proprietário anterior.

É essa comparação que está por trás da fala do garagista.

A pressão não termina perto dos R$ 110 mil

A ofensiva alcança também valores maiores. No mesmo histórico de condições, a BYD apresentou o Dolphin GS por R$ 149.990 e o híbrido plug-in Song Pro GS por R$ 199.990.

A faixa entre R$ 100 mil e R$ 200 mil reúne diversos SUVs, sedãs e picapes seminovos. Portanto, modelos eletrificados novos passaram a disputar diretamente o orçamento de quem antes poderia procurar um carro usado mais caro para subir de categoria.

Dolphin Mini virou líder do varejo brasileiro

A dimensão dessa mudança aparece com mais clareza no relatório oficial da Fenabrave referente a julho de 2026. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, o BYD Dolphin Mini registrou 35.199 emplacamentos no varejo, ocupando a primeira colocação entre os automóveis.

Dolphin Mini virou líder do varejo brasileiro
Dolphin Mini virou líder do varejo brasileiro – Divulgação

O Hyundai Creta ficou em segundo, com 30.298 unidades, enquanto o Volkswagen Tera apareceu em terceiro, com 26.434.

A liderança é particularmente relevante porque o varejo representa a compra realizada pelo consumidor final, diferentemente das vendas diretas destinadas a empresas, locadoras e outros canais específicos.

BYD colocou três modelos entre os oito primeiros

O avanço não depende apenas do Dolphin Mini. No mesmo ranking da Fenabrave, o BYD Song ficou em quarto lugar, com 25.469 unidades no varejo até julho.

O Dolphin tradicional apareceu em oitavo, com 21.746 emplacamentos. Dessa maneira, três automóveis da BYD estavam entre os oito primeiros colocados do varejo nacional.

No ranking das marcas entre automóveis vendidos no varejo, a BYD acumulava 13,21% de participação nos sete primeiros meses de 2026, atrás apenas da Volkswagen, que tinha 14,58%.

Crescimento da chinesa chegou a 107%

A velocidade da expansão também ajuda a entender por que os chineses entraram definitivamente no radar das lojas de seminovos.

A BYD informou ter encerrado o primeiro semestre de 2026 com 99.029 veículos emplacados no Brasil, crescimento de 107% sobre o mesmo período do ano anterior. Junho terminou com 21.254 unidades comercializadas e a quarta posição da marca no ranking geral brasileiro.

Naquele momento, o Dolphin Mini já acumulava cinco meses consecutivos na liderança do varejo. A fabricante também havia atingido a marca de 300 mil veículos eletrificados vendidos no país em quatro anos de atuação no segmento de passeio.

O seminovo caro ganhou uma nova referência de preço

O impacto sobre a revenda surge porque o consumidor não compara apenas dois carros. Ele compara o pacote completo.

Um seminovo pode oferecer mais espaço, potência, acabamento ou equipamentos dependendo do modelo. Em contrapartida, um veículo zero-km elimina questões relacionadas ao histórico de uso e pode oferecer garantia integral de fábrica.

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Quando essas alternativas passam a custar valores próximos, o preço que uma loja consegue pedir pelo usado precisa competir com o preço colocado na vitrine das concessionárias de veículos novos.

É justamente aí que a observação do garagista ganha relevância.

Mas usados acima de R$ 100 mil realmente pararam de vender?

A FENAUTO divulga o volume total de transferências de usados e seminovos, mas o relatório de julho não demonstra uma paralisação das vendas especificamente acima de R$ 100 mil.

Mais de 1,75 milhão de usados foram negociados em um mês

Segundo a FENAUTO, 1.754.785 veículos usados e seminovos trocaram de proprietário em julho de 2026. O resultado representou crescimento nominal de 10,7% em relação a junho e alta de 2,6% diante de julho de 2025.

Entre janeiro e julho, o Brasil registrou 10.832.969 transferências, expansão de 7,7% sobre o mesmo período do ano anterior.

A própria entidade afirmou manter expectativa de um novo recorde anual, com projeção próxima de 20 milhões de veículos comercializados até o encerramento de 2026.

O mercado de usados não morreu, mas a disputa mudou

O mercado brasileiro de usados não está desaparecendo. Pelo contrário, permanece gigantesco e registra crescimento.

O que mudou foi a concorrência enfrentada por determinados modelos e faixas de preço. Uma loja tentando vender um seminovo por R$ 110 mil, R$ 150 mil ou R$ 200 mil já não disputa apenas com outros usados equivalentes.

Agora, dependendo do orçamento, o consumidor pode encontrar elétricos e híbridos novos dentro da mesma faixa.

O número de R$ 109.990 resume a transformação

O alerta revela uma transformação real. Um consumidor que chega ao mercado com pouco mais de R$ 100 mil pode encontrar um elétrico zero-km de R$ 109.990, enquanto esse mesmo modelo já lidera os emplacamentos de automóveis no varejo brasileiro.

O usado continua vendendo. A diferença é que, em determinadas faixas de preço, ele agora precisa convencer o consumidor a não escolher um tipo de concorrente que quase não existia no mercado brasileiro poucos anos atrás.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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