Estrutura encontrada em Constança reúne pelo menos 19 tábuas originais, ocupa mais de 25 metros quadrados e permite estudar reparos, calafetagem e técnicas de engenharia naval medieval fora do ambiente aquático em um porão seco
Um navio medieval teve parte de seu casco reaproveitada como teto de um porão em Constança, no sul da Alemanha. A estrutura, identificada em uma construção de 1244 na rua Konradigasse, reúne pelo menos 19 tábuas originais e ocupa uma área superior a 25 metros quadrados. O achado foi divulgado em 12 de agosto de 2026.

Navio medieval permaneceu preservado dentro de uma construção
A descoberta ocorreu durante um estudo de viabilidade conduzido pelo Escritório Estadual de Preservação de Monumentos em Stuttgart. As peças formam uma seção quase contínua do casco da antiga embarcação.
O formato das estruturas, as fileiras de pregos, as cavilhas de madeira e os vestígios de calafetagem encontrados nas frestas permitiram identificar a origem naval das tábuas.
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Várias peças continuam encaixadas na mesma sequência em que estavam no navio. Isso indica que os construtores medievais reaproveitaram uma seção inteira do casco, em vez de desmontar completamente a embarcação para utilizar tábuas isoladas.
A utilização mostra como uma madeira já empregada em um navio podia receber outra função. O reaproveitamento poupava trabalho e permitia que um material ainda útil fosse incorporado a uma construção civil.

ROE (Relação de Ondas Estacionárias). Esther Leuffen
Reparos revelam detalhes da engenharia naval
Os levantamentos iniciais apontam que o navio medieval era uma embarcação de carga à vela e de fundo chato. Sua tipologia é semelhante à de um naufrágio do século 14 encontrado perto de Kippenhorn, em Immenstaad.
As peças da Konradigasse, porém, também guardam sinais de longo período de utilização. Pelo menos quatro reparos foram identificados em regiões danificadas do casco.
Nesses pontos, partes antigas foram substituídas por peças produzidas sob medida. Entre as intervenções está um reparo realizado com um encaixe em formato de cauda de andorinha.
Essas características permitem aos pesquisadores observar técnicas empregadas tanto na construção quanto na manutenção das embarcações utilizadas na região do Lago de Constança.

Porão seco facilita estudo do navio medieval
A localização dos vestígios oferece uma condição incomum para o projeto “Naufrágios e Mar Profundo”. Muitos naufrágios medievais da região permanecem submersos, enquanto as madeiras da Konradigasse podem ser examinadas diretamente em um ambiente seco.
Em agosto de 2026, pesquisadores realizaram um novo mapeamento da estrutura. Centenas de fotografias digitais foram usadas para preparar um modelo tridimensional por meio da técnica conhecida como estrutura a partir do movimento.
A equipe também retirou amostras para análises de dendrocronologia. O método utiliza os anéis de crescimento das árvores para determinar quando a madeira foi cortada e ajudar a precisar a idade da embarcação.
Os resultados ainda são preliminares. O estudo das tábuas, dos reparos e da calafetagem deverá fornecer novos detalhes sobre técnicas de engenharia naval e sobre o reaproveitamento de madeira na região.
Esta matéria foi elaborada com base em informações do Escritório Estadual de Preservação de Monumentos em Stuttgart e do Archaeology News, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.
