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NASA encontra planeta azul onde pode chover vidro de lado, com ventos de 7 mil km/h e temperaturas acima de 1.000 °C

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 28/10/2026 às 23:36 Atualizado em 28/10/2026 às 23:42
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NASA mostra planeta azul a 63 anos-luz onde pode chover vidro de lado, com ventos de 7 mil km/h e atmosfera acima de 1.000 °C, segundo dados do Hubble.
NASA mostra planeta azul a 63 anos-luz onde pode chover vidro de lado, com ventos de 7 mil km/h e atmosfera acima de 1.000 °C, segundo dados do Hubble.
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O telescópio Hubble, da NASA, mostrou em julho de 2013 que o HD 189733b, a 63 anos-luz da Terra, é um planeta azul. Nele, pode chover vidro de lado, com ventos de cerca de 7 mil km/h, e a atmosfera do lado diurno passa de 1.000 °C, segundo os cientistas.

Astrônomos que usam o Telescópio Espacial Hubble, da NASA, descobriram a cor real, em luz visível, de um planeta que orbita outra estrela a 63 anos-luz da Terra. O HD 189733b é um planeta azul-escuro, onde a temperatura da atmosfera no lado do dia chega perto de 2.000 graus Fahrenheit, acima de 1.000 °C, e onde pode chover vidro de lado, com ventos de cerca de 7 mil km/h.

As informações foram divulgadas pela NASA, em texto da equipe da missão Hubble no Goddard Space Flight Center, em 11 de julho de 2013. Detalhes da pesquisa e falas dos cientistas também foram publicados pelo jornal americano The Christian Science Monitor, em reportagem de Elizabeth Barber de 15 de julho de 2013.

Planeta azul fica a 63 anos-luz da Terra

NASA mostra planeta azul a 63 anos-luz onde pode chover vidro de lado, com ventos de 7 mil km/h e atmosfera acima de 1.000 °C, segundo dados do Hubble.
NASA mostra planeta azul a 63 anos-luz onde pode chover vidro de lado, com ventos de 7 mil km/h e atmosfera acima de 1.000 °C, segundo dados do Hubble.

O HD 189733b gira em torno da estrela HD 189733, de cor amarelo-alaranjada, a 63 anos-luz da Terra. Segundo a NASA, ele é um dos exoplanetas mais próximos da Terra que podem ser vistos passando na frente da sua estrela.

Por isso, o planeta já tinha sido estudado de forma intensa pelo Hubble e por outros observatórios. A NASA descreve sua atmosfera como muito instável e exótica.

HD 189733b foi descoberto em 2005

O planeta foi descoberto em 2005. Ele fica a apenas 2,9 milhões de milhas da sua estrela, cerca de 4,7 milhões de quilômetros.

Essa distância é tão pequena que o planeta tem rotação sincronizada pela gravidade da estrela. Assim, um lado fica sempre virado para ela, e o outro passa o tempo todo no escuro.

É um “Júpiter quente”, maior que qualquer planeta do Sistema Solar

O HD 189733b pertence à classe dos “Júpiteres quentes”, planetas gigantes que orbitam muito perto da estrela-mãe. Segundo o Christian Science Monitor, ele é um gigante gasoso com mais massa que qualquer planeta do nosso Sistema Solar.

Visto de longe, seria um “ponto azul-escuro”

Se fosse visto diretamente, o planeta azul pareceria um “ponto azul-escuro”, segundo a NASA. A cor lembra a da Terra vista do espaço.

O Christian Science Monitor lembrou que o astrônomo Carl Sagan chamou a Terra de “pálido ponto azul”, a partir de uma imagem feita pela sonda Voyager 1. As semelhanças, porém, terminam na cor.

Atmosfera do lado do dia passa de 1.000 °C

A NASA informa que a atmosfera do lado diurno do HD 189733b está perto de 2.000 graus Fahrenheit, acima de 1.000 °C. O Christian Science Monitor cita temperaturas acima de 1.800 graus Fahrenheit, cerca de 980 °C.

Os dois números colocam o planeta na faixa dos 1.000 °C. A explicação para o calor é a órbita muito próxima da estrela.

Ventos sopram a cerca de 7 mil km/h

Os ventos no planeta são descritos como uivantes. A NASA fala em 4.500 milhas por hora, cerca de 7,2 mil km/h. O Christian Science Monitor cita 4.350 milhas por hora, cerca de 7 mil km/h.

É nesse vento que, segundo as duas publicações, pode chover vidro de lado.

Pode chover vidro de lado por causa do silicato

O azul-cobalto não vem do reflexo de um oceano tropical. Segundo a NASA, a cor vem de uma atmosfera nebulosa e escaldante e, talvez, de nuvens altas com partículas de silicato.

Na temperatura em que o silicato se condensa, poderiam se formar gotas muito pequenas de vidro. Essas gotas espalhariam mais a luz azul do que a vermelha. Daí vem a hipótese de que pode chover vidro no planeta, levado de lado pelos ventos de 7 mil km/h.

Cientista não apostaria a casa na explicação

A hipótese da “chuva de vidro” foi proposta por Frédéric Pont, professor sênior de astrofísica da Universidade de Exeter, no sudoeste da Inglaterra. Ele mesmo pede cautela.

“Eu não apostaria minha casa na explicação do silicato”, disse Pont ao Christian Science Monitor. O jornal classificou a ideia como conjectura.

Hubble mediu queda de luz de uma parte em 10 mil

Para descobrir a cor, a equipe usou o Espectrógrafo de Imagem do Telescópio Espacial (STIS), do Hubble. O instrumento mediu as mudanças na cor da luz do planeta antes, durante e depois de ele passar por trás da estrela.

O método só funciona porque, vista da Terra, a órbita do planeta está de perfil. Por isso, ele passa regularmente na frente e depois atrás da estrela.

Luz caiu no azul, mas não no verde nem no vermelho

Quando o planeta passou por trás da estrela, o Hubble registrou uma pequena queda na luz, de cerca de uma parte em 10 mil. A cor da luz também mudou um pouco.

“Vimos a luz ficar menos brilhante no azul, mas não no verde ou no vermelho. Isso significa que o objeto que desapareceu é azul, porque faltou luz no azul, mas não no vermelho, quando ele estava escondido”, disse Pont, segundo a NASA.

Cor era esperada escura ou branca

O azul foi uma surpresa. Segundo o Christian Science Monitor, os cientistas esperavam um planeta escuro ou branco.

Uma das previsões era que gases de sódio absorveriam quase toda a luz visível, deixando o planeta escuro. Outra era que silicatos refletiriam a luz e o deixariam branco. “A cor azul foi totalmente inesperada”, afirmou Pont.

Astrofísico de fora do estudo esperava um planeta marrom-avermelhado

Stephen Kane, astrofísico do NASA Exoplanet Institute que não participou do estudo, também estranhou o resultado. “É muito contraintuitivo que este planeta seja azul. Como tinha o tamanho de Júpiter e estava tão perto do sol, teríamos pensado que teria uma cor marrom, vermelha”, disse ao Christian Science Monitor.

Segundo Kane, no Sistema Solar os planetas tendem a seguir a regra de vermelho para quente e azul para frio. Para ele, essa expectativa vem de vieses baseados no nosso próprio sistema.

Spitzer mapeou diferença de 500 °F entre dia e noite

Em 2007, o Telescópio Espacial Spitzer, da NASA, mediu a luz infravermelha, ou seja, o calor do planeta. A observação gerou um dos primeiros mapas de temperatura já feitos de um exoplaneta.

O mapa mostra que o lado do dia e o lado da noite diferem em cerca de 500 graus Fahrenheit, cerca de 280 °C. Segundo a NASA, essa diferença deve provocar ventos ferozes do lado diurno para o noturno.

Pont diz que é “um novo domínio da física atmosférica”

“Obviamente não sabemos muito sobre a física e a climatologia das nuvens de silicato, então estamos explorando um novo domínio da física atmosférica”, afirmou Pont, segundo a NASA.

Ao Christian Science Monitor, ele disse: “Descobrimos um tipo de atmosfera completamente diferente. Não temos nada parecido no nosso Sistema Solar.”

Até Júpiter e Vênus têm cores sem explicação completa

Pont alerta que é difícil saber exatamente o que causa a cor da atmosfera de um planeta, mesmo no Sistema Solar. Júpiter é avermelhado por causa de moléculas ainda desconhecidas que carregam cor.

Vênus não reflete luz ultravioleta por causa de um absorvedor de ultravioleta desconhecido na atmosfera, segundo a NASA.

Terra é azul por causa dos oceanos e do céu

A Terra parece azul vista do espaço porque os oceanos absorvem os comprimentos de onda vermelho e verde com mais força que o azul. Além disso, os oceanos refletem o céu azul.

O céu é azul porque as moléculas de oxigênio e nitrogênio da atmosfera espalham mais os comprimentos de onda curtos, os azuis, da luz do sol. O processo se chama espalhamento de Rayleigh.

Nove outros Júpiteres quentes também surpreenderam

A equipe de Pont estudou outros nove exoplanetas parecidos com o HD 189733b, grandes e próximos das suas estrelas. Os cientistas esperavam que eles fossem semelhantes também em outros aspectos, mas não são.

“Gostaríamos de colocar todos os Júpiteres quentes numa caixa só, mas eles são tão diversos quanto os planetas do nosso Sistema Solar”, disse Pont. “Isso é ao mesmo tempo empolgante e muito assustador.”

Estudo do planeta azul saiu no Astrophysical Journal Letters

O estudo foi publicado online em 11 de julho de 2013 e saiu na edição de 1º de agosto do Astrophysical Journal Letters. Observações anteriores já tinham indicado que a luz azul se espalhava no planeta, e a nova medição do Hubble, da NASA, trouxe uma evidência de confirmação, segundo os pesquisadores.

Por enquanto, descobrir a cor de um exoplaneta é um processo difícil e demorado, possível só para um punhado deles, segundo o Christian Science Monitor. Para Pont, saber a cor é um passo importante para classificar esses mundos distantes.

Na sua opinião, a chuva de vidro é a melhor explicação para a cor do planeta azul ou os cientistas ainda vão encontrar outra causa? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

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