Na Islândia, a natação obrigatória começa na primeira série e só para quando faz cinco graus negativos. Por trás dessa rotina está o país que lidera o ranking de igualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial há 15 anos, com licença parental quase igual para mães e pais.
Na Islândia, aprender a nadar não é opcional. A natação obrigatória começa logo na primeira série e segue, semana após semana, até depois do décimo ano, em um país onde piscinas aquecidas pelo calor da terra estão por toda parte. A aula só é cancelada quando a temperatura beira os cinco graus abaixo de zero.
Mas essa rotina aparentemente extrema é apenas a ponta de um modelo de sociedade. Há 15 anos, a Islândia lidera o ranking de igualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial, e parte dessa igualdade aparece em detalhes curiosos, como uma licença parental quase igual entre mães e pais e auxílios em que quem ganha mais recebe um pouco menos do Estado.
Natação obrigatória e a rotina das crianças na Islândia

A relação dos islandeses com a água começa cedo. Há aulas de natação disponíveis para bebês de 3 a 6 meses, e, a partir da primeira série, a natação obrigatória entra no currículo e se repete toda semana até depois do décimo ano.
-
Luciano Hang viu o traje cinza da Seleção Brasileira roubar a cena nas redes, ofereceu seu famoso terno verde e transformou um detalhe do embarque em debate nacional
-
Casal abandona a indústria, volta para as montanhas de Minas e transforma 320 litros de leite cru por dia em queijos artesanais premiados com mais de 30 medalhas, preservando o sonho do pai, a tradição da fazenda e a vida a 1.600 metros de altitude
-
Há cerca de 2.000 anos, a cidade chinesa de Zigong já operava uma rede de gás natural usando apenas bambu, madeira e força humana, e em 1835 perfurou o primeiro poço do mundo a passar de mil metros de profundidade, sem aço, motores ou combustível importado
-
Três estudantes da Paraíba usam argila e amido da batata-doce e criam membrana que retém microplásticos invisíveis na água, leva prêmio na Febrace e mira estações de tratamento no Brasil
O que torna isso possível são as piscinas aquecidas geotermicamente e as fontes termais espalhadas pelo país, que mantêm a água agradável mesmo no frio.
A aula só é suspensa quando a temperatura chega perto dos cinco graus abaixo de zero.
O resto do dia também é cronometrado. As aulas começam às 8h30 e a maioria das famílias leva os filhos de carro, já que a Islândia tem uma das maiores densidades de automóveis do mundo.
Cerca de 86% das crianças com menos de 5 anos frequentam o jardim de infância. Como o verão quase não escurece e, no inverno, o sol mal aparece, manter rotinas, como jantar em família, vira algo especialmente valorizado por ali.
Igualdade de gênero que começa em casa
O grande pano de fundo é a igualdade de gênero. Segundo o Fórum Econômico Mundial, a Islândia ocupa o primeiro lugar no ranking global há 15 anos, tendo fechado cerca de 92,6% da diferença entre homens e mulheres.
Esse índice avalia o equilíbrio entre os gêneros em quatro áreas: participação em posições de poder, renda, educação e saúde.
Na prática, quase metade do parlamento é formada por mulheres e a lei obriga empresas a pagar salários iguais para funções equivalentes.
Para os islandeses, porém, a igualdade de gênero começa dentro de casa. Em uma família típica, formada por Margrét, educadora social, e Hjalti, fisioterapeuta, os dois trabalham em tempo integral e dividem por igual os cuidados com os filhos e as tarefas domésticas, sem combinar quem faz o quê.

Como eles próprios resumem, a divisão simplesmente acontece. Em algumas creches, o chamado método Hjalli reforça essa cultura, estimulando meninos e meninas a desafiar estereótipos de gênero.
Licença parental e o auxílio em que quem ganha mais recebe menos
As políticas públicas sustentam esse arranjo. A Islândia foi pioneira em adotar uma licença parental quase igualmente dividida: ambos os pais têm direito a cerca de seis meses e recebem por volta de 80% do salário, com a mãe normalmente assumindo as semanas que não podem ser repartidas.
Além disso, os jardins de infância são fortemente subsidiados pelo Estado, e os pais pagam apenas uma pequena mensalidade, o que permite que os dois trabalhem fora.
Há ainda os auxílios diretos. As famílias recebem cerca de 2.400 euros por ano por criança, mais uns 900 euros adicionais para filhos com menos de 7 anos.
O detalhe curioso, citado no início, é que o benefício é desenhado de forma progressiva: quem ganha mais acaba recebendo um pouco menos do Estado.
Não por acaso, com a licença parental generosa e o apoio à primeira infância, quase 90% das mulheres em idade ativa estão empregadas na Islândia.
Um modelo admirado, mas longe de ser um paraíso perfeito
Apesar dos números, é importante não tratar o país como um paraíso acabado. Liderar o ranking do Fórum Econômico Mundial não significa ausência de problemas: cerca de 25% das mulheres islandesas relatam já ter sofrido estupro ou tentativa, e muitos casos acabam arquivados.
A própria presidente da Islândia, Halla Tómasdóttir, afirma que nenhum governo faz o suficiente enquanto houver violência de gênero, apontando falhas no Judiciário e na cultura.
O país tem a meta de eliminar a desigualdade de gênero até 2030, e a ONU considera que está no caminho.
No fim, o que mais chama atenção é a serenidade do dia a dia. Margrét e Hjalti dizem ter o mesmo desejo para os dois filhos: que sejam, antes de tudo, pessoas boas e felizes, e não necessariamente disciplinadas.
Eles tentam não ser rígidos demais e resolver as coisas pela conversa. Talvez seja justamente essa calma diante das pequenas decisões cotidianas, somada às políticas de igualdade de gênero, que torna a criação dos filhos na Islândia tão diferente.
Natação obrigatória no gelo, licença parental dividida e auxílios que dão mais a quem tem menos: a Islândia mostra um jeito bem diferente de organizar a vida em família.
Conte nos comentários o que você acha que o Brasil poderia aprender com esse modelo de igualdade de gênero e se colocaria seus filhos para nadar mesmo no frio.


Seja o primeiro a reagir!