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Na Amazônia, inteligência artificial e raios X elevam de 13% para 27% o teor de potássio em teste e podem mudar o aproveitamento de uma jazida ainda sem produção comercial no Amazonas

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 28/10/2026 às 20:04 Atualizado em 28/10/2026 às 20:05
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Uma amostra de minério do Projeto Autazes, no Amazonas, passou de 13% para 27% de KCl após separação por raios X e inteligência artificial. O ensaio descartou 20% do material de menor teor, mas ainda exige testes maiores.

Uma amostra de minério estudada para o projeto de potássio de Autazes, no Amazonas, passou de 13% para aproximadamente 27% de cloreto de potássio (KCl) depois de ser submetida a um sistema que combina raios X e inteligência artificial. O resultado foi divulgado em 13 de outubro pela Brazil Potash, responsável pelo empreendimento na Amazônia, e abre a possibilidade de aproveitar melhor o material mineralizado.

O ensaio trouxe outro número: cerca de 20% do material de menor teor presente na amostra testada pôde ser separado antes do beneficiamento. A empresa vê potencial para ampliar a capacidade de processamento ou explorar partes menos ricas da jazida, mas reconhece que os testes envolveram uma amostra pequena e ainda precisam ser repetidos em escala maior.

Raios X identificaram o minério mais rico antes de chegar à usina

O experimento foi conduzido em parceria com a empresa de engenharia ERCOSPLAN. A tecnologia de transmissão de raios X, conhecida pela sigla XRT, examina o material e ajuda a diferenciar partículas com concentrações distintas de potássio. A inteligência artificial participa da identificação e classificação do minério.

No teste anunciado, o material inicialmente apresentava cerca de 13% de KCl. Após a separação, a fração enriquecida alcançou aproximadamente 27%. A parcela rejeitada ficou com concentração entre 1% e 2% de KCl, segundo o comunicado oficial da Potássio do Brasil.

Esses percentuais descrevem a concentração de KCl em diferentes frações da amostra. Não representam uma duplicação já comprovada da produção da futura mina. O desempenho em operação contínua dependerá de ensaios adicionais com volumes maiores de minério.

Sistema usa leitura de partículas e jatos de ar para retirar material pobre

O sistema avaliado é fornecido por terceiros e usa ferramentas de classificação orientadas por dados. Conforme a descrição divulgada pela companhia, algoritmos de aprendizado profundo analisam características das partículas e comandam válvulas de alta velocidade, que liberam jatos de ar para afastar o material considerado menos rico.

O processo seleciona o minério antes de uma etapa convencional de processamento. Em vez de enviar todo o material extraído para a mesma operação industrial, a planta poderia receber uma parcela previamente concentrada, caso os resultados se confirmem fora dos testes iniciais.

Máquina de triagem TOMRA vermelha sobre esteiras que transportam pequenos fragmentos de rochas.
Sistema de classificação mineral por sensores em outra operação, usado aqui apenas como exemplo da tecnologia. A foto não retrata os testes de Autazes. Crédito: Business News/Divulgação.

Há uma limitação física importante: os ensaios utilizaram partículas com mais de 8 milímetros. A ERCOSPLAN estima que entre 40% e 55% do material previsto para extração terá tamanho superior a esse limite. Assim, o desempenho verificado não pode ser automaticamente aplicado a todo o volume da jazida.

Empresa avalia aumentar produção sem construir um terceiro poço

A Brazil Potash estuda duas aplicações possíveis. A primeira seria concentrar o minério antes de submetê-lo à lixiviação a quente, processo usado na recuperação do potássio. A companhia considera que isso poderia elevar a produção futura sem exigir a construção de um terceiro poço subterrâneo.

A segunda hipótese envolve áreas da jazida com teor mais baixo de potássio, consideradas atualmente pouco atrativas do ponto de vista econômico. A separação antecipada de parte do material menos rico poderia permitir o aproveitamento de volumes que hoje ficam fora do planejamento, prolongando a vida útil estimada da mina.

Por enquanto, nenhuma dessas aplicações está aprovada como solução comercial. Em comunicado distribuído também pela GlobeNewswire, o diretor-presidente Matt Simpson informou que a próxima etapa será testar amostras muito maiores após o início da produção comercial e avaliar os custos envolvidos.

Projeto no Amazonas ainda busca transformar reservas em fertilizante brasileiro

O Projeto Potássio Autazes fica no estado do Amazonas e pretende abastecer o mercado nacional de fertilizantes. A proposta envolve mineração subterrânea e processamento do minério para produzir um insumo utilizado sobretudo em culturas agrícolas como soja e milho.

Quatro trabalhadores com capacetes amarelos e coletes refletores atuam junto à perfuratriz e tubos azuis no canteiro do projeto Autazes.
Trabalhadores atuam na perfuração de poço vinculada ao Projeto Potássio Autazes, no Amazonas. Foto: Brazil Potash/Divulgação.

A empresa ainda está na fase de desenvolvimento do empreendimento. Em seu relatório financeiro apresentado em agosto de 2026, informou que não havia iniciado a mineração e que a construção principal dependia da obtenção de recursos. A tecnologia testada constitui uma possibilidade para operações futuras, não uma mudança já implantada numa mina em funcionamento.

O interesse pelo depósito também está ligado à dependência brasileira de fertilizantes importados. Uma análise da Universidade Purdue estimou que o Brasil importou aproximadamente 96% do potássio consumido em 2025, com fornecimento concentrado em países como Canadá, Rússia e Belarus.

Em setembro, a Potássio do Brasil informou que incentivos fiscais poderiam reduzir parte dos custos de implantação, mas que ainda seria necessário obter entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões em capital próprio para apoiar o financiamento do projeto. O avanço industrial continua condicionado à engenharia, aos recursos e às etapas regulatórias necessárias.

Novos testes determinarão se o resultado pode sair do laboratório

O resultado de 13% para 27% indica que o equipamento conseguiu selecionar minério mais rico na amostra examinada. Antes de qualquer mudança no desenho da futura operação, será preciso verificar se o índice de rejeição, a recuperação de potássio e os custos se mantêm em amostras maiores e em condições industriais.

Se os estudos confirmarem seu desempenho, a empresa poderá reconsiderar a capacidade de processamento e o aproveitamento de trechos menos concentrados da jazida. A próxima informação decisiva para o projeto será a viabilidade econômica do método em Autazes. Até lá, os números permanecem restritos aos ensaios iniciais.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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