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Multinacional tira dos Estados Unidos seu centro global de pesquisa em celulose e transfere tecnologia para o Brasil

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 08/10/2026 às 10:34 Atualizado em 08/10/2026 às 10:50
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Foto: Divulgação/Solenis
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Solenis transfere dos EUA para Paulínia seu centro global de tecnologia em celulose enquanto Brasil amplia produção e investimentos no setor.

Uma estrutura criada para reproduzir etapas inteiras de uma fábrica de celulose acaba de trocar os Estados Unidos pelo interior de São Paulo. Segundo a Solenis, em anúncio publicado em 6 de outubro de 2026, a multinacional transferiu seu Centro de Excelência em Celulose para Paulínia, onde passa a concentrar pesquisa e desenvolvimento voltados à indústria global.

A nova instalação possui 500 m² e fica ao lado do centro tecnológico que a empresa já mantém no município paulista, colocando equipamentos, pesquisadores e testes muito mais perto de algumas das maiores produtoras de celulose do mundo.

O centro global deixou os Estados Unidos e veio para Paulínia

A mudança não representa apenas a abertura de mais um laboratório regional. A Solenis informa que transferiu para o Brasil uma estrutura que anteriormente funcionava nos Estados Unidos e atende ao desenvolvimento de soluções destinadas ao mercado mundial de celulose.

Paulínia foi escolhida em meio ao avanço da América Latina dentro dessa indústria. A empresa destaca o Brasil como um dos principais destinos globais de investimentos em celulose e coloca a região de Campinas e Paulínia como ponto estratégico para aproximar pesquisa, clientes e operações industriais.

A instalação ocupa 500 m² e consegue reproduzir etapas de uma fábrica

O novo Centro de Excelência foi montado com aproximadamente 500 metros quadrados e possui equipamentos capazes de simular diferentes partes da produção de celulose.

Isso permite testar produtos químicos, tratamentos e mudanças operacionais sem depender exclusivamente de experiências realizadas diretamente dentro de grandes fábricas comerciais.

Multinacional tira dos Estados Unidos seu centro global de pesquisa em celulose e transfere tecnologia para o Brasil
Foto: Divulgação/Solenis

A estrutura cobre etapas desde o tratamento da madeira até cozimento, lavagem da polpa, branqueamento, recaustificação e refino.

Na prática, pesquisadores conseguem acompanhar como uma solução interfere em vários momentos da produção antes de levá-la para uma planta que produz milhões de toneladas.

Até o cozimento da madeira poderá ser estudado dentro do centro

Produzir celulose começa muito antes de a folha branca chegar a uma fábrica de papel. A madeira é transformada em cavacos e passa por equipamentos chamados digestores, onde água, pressão, temperatura e produtos químicos ajudam a separar as fibras de celulose da lignina.

Depois dessa etapa, a massa ainda precisa ser lavada, tratada, branqueada e preparada para atingir as especificações exigidas pelos clientes.

O centro da Solenis foi criado justamente para estudar esse processo de forma integrada, em vez de analisar apenas uma fase isolada.

O Brasil produziu 29,4 milhões de toneladas em um único ano

A decisão de transferir o centro ocorre depois de a indústria brasileira alcançar uma escala recorde. Dados da Indústria Brasileira de Árvores mostram que o país produziu 29,4 milhões de toneladas de celulose em 2025, crescimento de 6,9% sobre o ano anterior.

O Brasil produziu 29,4 milhões de toneladas em um único ano
O Brasil produziu 29,4 milhões de toneladas em um único ano

As exportações chegaram a 20,7 milhões de toneladas, avanço de 11,6% e também recorde histórico. Esses volumes ajudam a explicar por que uma empresa global decidiu deslocar sua estrutura de pesquisa para mais perto das fábricas brasileiras.

A maior parte da celulose brasileira vem do eucalipto

Mais de 98% da madeira utilizada na fabricação nacional de celulose vem de plantações de eucalipto e pinus.

No caso brasileiro, a fibra curta de eucalipto ocupa posição especialmente importante no mercado internacional por causa da produtividade das florestas plantadas e da escala alcançada pela indústria.

Somente a produção brasileira de celulose de fibra curta chegou a 26,1 milhões de toneladas em 2025. Segundo a Ibá, o volume comercializado pelo país naquele ano equivale ao consumo médio anual de produtos que alcançariam cerca de 4,3 bilhões de pessoas.

Mato Grosso do Sul concentra uma nova onda de projetos industriais

A própria Solenis chama atenção para Mato Grosso do Sul ao explicar a transferência de seu centro. O estado concentra parte importante dos projetos anunciados para ampliar a produção brasileira de celulose nos próximos anos.

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Grandes fábricas exigem equipamentos de digestão, recuperação química, caldeiras, tratamento de água, energia e enormes áreas florestais.

Cada nova unidade aumenta também a demanda por tecnologias capazes de reduzir consumo de químicos, água e energia por tonelada produzida.

O setor projeta R$ 105 bilhões em investimentos até 2028

A mudança para Paulínia acontece dentro de um ciclo de expansão que ainda está longe de terminar. A indústria brasileira de papel e celulose trabalha com aproximadamente R$ 105 bilhões em investimentos previstos até 2028, segundo dados divulgados pela Ibá.

Esse dinheiro está ligado a novas fábricas, ampliações, modernização de unidades existentes e aumento da produtividade florestal e industrial.

Para fornecedores de tecnologia como a Solenis, significa um mercado no qual cada ganho de eficiência pode ser multiplicado por milhões de toneladas produzidas anualmente.

O centro vai estudar água, químicos e eficiência da produção

A Solenis atua em tecnologias para tratamento de água, processos industriais e produtos químicos especializados.

Dentro de uma fábrica de celulose, essas soluções podem interferir em consumo de produtos químicos, qualidade da fibra, funcionamento de equipamentos e quantidade de água necessária em diferentes etapas.

O objetivo declarado do novo centro é acelerar testes e trabalhar mais perto das equipes das próprias produtoras. Com a estrutura no Brasil, um problema observado em uma fábrica da região pode chegar mais rapidamente aos laboratórios e equipamentos de simulação em Paulínia.

Reduzir água e energia virou parte da corrida tecnológica

Fábricas modernas de celulose possuem sistemas capazes de recuperar produtos químicos e aproveitar subprodutos do próprio processo para gerar energia.

Biomassa florestal e licor preto, material resultante do cozimento da madeira, são usados amplamente para produzir vapor e eletricidade dentro das unidades.

A próxima disputa tecnológica está em produzir mais fibra usando proporcionalmente menos recursos. Soluções que diminuam perdas, reduzam uso de água, aumentem recuperação química ou melhorem eficiência energética ganham importância quando aplicadas a instalações industriais de grande escala.

A transferência acontece mesmo com exportações mais fracas em 2026

O setor não vive apenas um cenário de crescimento linear. No primeiro semestre de 2026, a produção brasileira de celulose ficou praticamente estável em 13,9 milhões de toneladas, enquanto as exportações recuaram 10,5%, para 9,4 milhões de toneladas.

A queda ocorreu em um ambiente internacional mais difícil, marcado por protecionismo e mudanças nas cadeias globais.

Mesmo com esse cenário, os grandes programas de investimento continuam, porque fábricas e florestas são planejadas para operar durante décadas e não apenas durante um ciclo de preços.

Paulínia ganha uma função que atende fábricas em vários países

O novo laboratório não foi criado apenas para resolver problemas de empresas brasileiras. A classificação como Centro de Excelência significa que os estudos realizados em São Paulo poderão alimentar projetos e soluções aplicadas pela Solenis em outros mercados.

Isso transforma Paulínia em um ponto de desenvolvimento tecnológico conectado a fábricas espalhadas pelo mundo. Em vez de enviar apenas celulose brasileira para outros continentes, o país passa a abrigar também uma estrutura dedicada à pesquisa utilizada nessa cadeia industrial global.

A transferência acompanha a mudança do centro de gravidade da celulose

Durante décadas, boa parte do desenvolvimento tecnológico da indústria de papel e celulose esteve concentrada na América do Norte e na Europa. A expansão das grandes fábricas sul-americanas, especialmente no Brasil, começou a alterar essa geografia.

A decisão da Solenis materializa essa mudança. Uma multinacional americana retirou dos Estados Unidos seu centro especializado em celulose e colocou a estrutura em uma cidade paulista porque é no Brasil e em sua vizinhança industrial que uma parcela crescente das novas fábricas, investimentos e desafios técnicos está surgindo.

Com 29,4 milhões de toneladas produzidas em 2025, projetos industriais bilionários em desenvolvimento e cerca de R$ 105 bilhões em investimentos previstos até 2028, o Brasil deixou de ser apenas um grande fornecedor de matéria-prima.

O país começa também a atrair laboratórios, especialistas e centros globais de tecnologia que querem estar fisicamente próximos da próxima expansão da indústria de celulose.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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