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Modelo que caminhava três horas para buscar água em Burkina Faso usa a fama internacional para construir e recuperar poços e treinar mulheres como engenheiras comunitárias

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 19/09/2026 às 18:52
Mulheres realizam manutenção em poço comunitário com água limpa em Burkina Faso.
Mulheres treinadas em engenharia comunitária trabalham na manutenção de um poço, representando as ações da Georgie Badiel Foundation pelo acesso à água limpa em Burkina Faso.
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Antes de trabalhar nas passarelas de Paris, Londres e Nova York, Georgie Badiel enfrentava longas caminhadas para buscar água, muitas vezes imprópria para consumo. A experiência inspirou uma fundação que instala sistemas de abastecimento e prepara mulheres para manter as bombas funcionando.

Antes de aparecer em revistas e desfilar para marcas internacionais, Georgie Badiel conheceu de perto uma realidade enfrentada por milhares de meninas em Burkina Faso: acordar cedo, caminhar durante horas e carregar para casa a água necessária para toda a família.

A jornada podia consumir aproximadamente três horas e ainda terminava com água frequentemente suja, capaz de provocar doenças. Anos depois, já reconhecida como modelo, escritora e ativista, Georgie decidiu transformar aquela lembrança em uma iniciativa permanente.

A Georgie Badiel Foundation passou a construir e recuperar poços, instalar estruturas de saneamento e treinar mulheres em noções básicas de engenharia, criando condições para que as próprias comunidades cuidem de seus sistemas de abastecimento.

Ainda criança, Georgie caminhava horas para conseguir água para a família

Georgie Badiel nasceu e cresceu em Burkina Faso, país da África Ocidental onde muitas comunidades rurais ainda convivem com a falta de água limpa e acessível.

Durante a infância, buscar água não era uma tarefa ocasional. A caminhada fazia parte da rotina diária e precisava ser cumprida antes das demais atividades. Georgie percorria longas distâncias acompanhada da avó ou de outras meninas, carregando um recipiente que deveria voltar cheio.

O percurso podia levar aproximadamente três horas. Além do esforço físico, havia outro problema: a água recolhida nem sempre era segura para beber.

Em entrevista à Teen Vogue, a modelo recordou que a água encontrada durante aquelas caminhadas costumava estar suja e frequentemente deixava as pessoas doentes.

A busca também interferia na educação. O tempo usado para caminhar, esperar e transportar os recipientes era retirado das horas que poderiam ser dedicadas à escola, ao estudo ou às brincadeiras.

A carreira levou a jovem de Burkina Faso às passarelas internacionais

A vida de Georgie começou a mudar quando ela ingressou no mundo da moda. Após iniciar a carreira na África, a jovem conquistou espaço em centros internacionais e trabalhou em cidades como Paris, Londres e Nova York.

Ela venceu o concurso Miss Burkina Faso em 2003 e recebeu o título de Miss África no ano seguinte. Posteriormente, mudou-se para os Estados Unidos e passou a trabalhar com marcas, estilistas e publicações internacionais.

A trajetória parecia distante das caminhadas que marcaram sua infância. No entanto, uma visita à irmã em Burkina Faso trouxe novamente o problema da água para o centro de sua vida.

Segundo a Teen Vogue, a irmã de Georgie, uma entre seus nove irmãos, precisava acordar antes das quatro horas da manhã para buscar a água usada pela família durante o dia.

A cena mostrou que a rotina vivida por Georgie quando criança continuava se repetindo com outra geração.

A influência conquistada na moda ajudou a financiar os primeiros poços

De volta a Nova York, Georgie procurou amigos do setor da moda e começou a mobilizar contatos para arrecadar dinheiro. A iniciativa ficou inicialmente conhecida como Models 4 Water.

A modelo Heide Lindgren esteve entre as pessoas que se uniram ao projeto. O grupo organizou ações e usou a visibilidade da moda para chamar atenção para a falta de água potável em Burkina Faso.

O primeiro poço foi construído na aldeia de Nakar. Em novembro de 2012, menos de um ano depois da primeira instalação, o grupo já arrecadava recursos para financiar o quinto projeto.

O trabalho ganhou uma estrutura mais ampla com a criação, em 2015, da Georgie Badiel Foundation. A organização passou a desenvolver projetos sustentáveis de água em comunidades e escolas do país africano.

De acordo com a fundação, as ações incluem a construção de novos pontos de abastecimento e a recuperação de sistemas que deixaram de funcionar.

Recuperar bombas abandonadas evita que comunidades voltem a buscar água distante

Construir um poço resolve apenas parte do problema. Quando uma bomba quebra e não existe ninguém preparado para consertá-la, toda a comunidade pode voltar a depender de fontes distantes ou contaminadas.

Por isso, a fundação também trabalha na restauração de poços e bombas abandonados. Em muitos casos, uma estrutura capaz de fornecer água limpa já existe, mas permanece inutilizada por falta de peças, manutenção ou conhecimento técnico.

A recuperação dessas instalações pode restabelecer o abastecimento sem exigir a construção completa de um novo sistema.

Além disso, a entidade investe em instalações sanitárias seguras e em educação sobre água, higiene e saneamento. O objetivo é fazer com que o acesso à água tenha impacto duradouro na saúde, na frequência escolar e na rotina familiar.

Com um poço próximo e em funcionamento, meninas deixam de perder parte do dia em caminhadas e passam a ter mais tempo para frequentar a escola.

Menina sorridente lava as mãos com água limpa em torneira comunitária de Burkina Faso.
Menina utiliza água limpa em ponto de abastecimento comunitário, representando o trabalho da Georgie Badiel Foundation em Burkina Faso.

Mulheres são treinadas para cuidar das bombas e proteger o abastecimento

Um dos aspectos mais importantes do projeto é o treinamento de mulheres em conhecimentos básicos de engenharia.

As participantes aprendem a acompanhar o funcionamento dos equipamentos, identificar falhas e realizar manutenções essenciais nas bombas. Depois da capacitação, elas podem atuar como engenheiras comunitárias responsáveis por proteger o abastecimento local.

A estratégia enfrenta dois problemas ao mesmo tempo. Primeiro, reduz o período em que uma comunidade fica sem água quando ocorre uma falha. Depois, oferece conhecimento técnico e maior autonomia às mulheres, justamente as mais afetadas pela rotina de buscar água.

A Georgie Badiel Foundation afirma que seus projetos são orientados pela própria comunidade. Assim, moradores não recebem apenas uma estrutura física, mas também os recursos necessários para mantê-la funcionando.

O modelo permite que o poço continue atendendo às famílias mesmo depois que as equipes externas deixam a região.

A infância de Georgie inspirou o livro The Water Princess

A história vivida por Georgie também chegou às crianças por meio do livro ilustrado The Water Princess, publicado em 2016.

Escrita por Susan Verde, ilustrada por Peter H. Reynolds e inspirada na infância da modelo, a obra acompanha Gie Gie, uma menina que sonha em levar água limpa e próxima para sua comunidade.

Na história, a protagonista acorda cedo e percorre uma longa distância com a mãe para buscar água. O livro apresenta a crise hídrica de maneira acessível ao público infantil e mostra como uma tarefa aparentemente comum pode impedir meninas de estudar, brincar e aproveitar a infância.

A obra também se tornou parte das ações educacionais da fundação, ajudando escolas e famílias a conversar sobre acesso à água, desigualdade e responsabilidade coletiva.

Georgie transformou uma caminhada da infância em uma solução liderada pela comunidade

Georgie Badiel saiu de Burkina Faso, construiu uma carreira internacional e conquistou espaço em algumas das principais capitais da moda. Ainda assim, decidiu usar a fama para enfrentar o problema que havia marcado sua infância.

Sua iniciativa não se limita a perfurar poços. Ela recupera bombas, cria instalações sanitárias, promove educação e coloca mulheres no centro da manutenção dos sistemas.

A menina que caminhava durante horas para conseguir água tornou-se uma ativista capaz de ajudar outras meninas a permanecer na escola e evitar a mesma jornada.

A história mostra que uma solução pode se tornar mais duradoura quando a comunidade recebe não apenas a estrutura, mas também o conhecimento necessário para cuidar dela.

E você, acredita que treinar moradores para manter os próprios poços é o caminho mais eficiente para garantir água limpa por muitos anos?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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