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Promotor de festas abandona noites de luxo em Nova York, trabalha como fotógrafo voluntário na Libéria e usa aniversário para financiar os primeiros seis projetos de água em Uganda

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 19/09/2026 às 19:56
Scott Harrison segura uma câmera fotográfica diante de um ponto de água comunitário na Libéria.
Representação ilustrativa de Scott Harrison fotografando uma comunidade atendida por um ponto de água na Libéria.
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Scott Harrison deixou uma década de festas e excessos para documentar atendimentos médicos na África; ao voltar aos Estados Unidos, arrecadou US$ 14 mil em uma única noite e transformou a iniciativa na charity: water

Durante aproximadamente dez anos, Scott Harrison viveu cercado por casas noturnas, bebidas caras, celebridades e festas exclusivas em Nova York. Como promotor de eventos, ele ajudava a atrair clientes para alguns dos ambientes mais disputados da cidade e parecia ter alcançado o estilo de vida que muitos desejavam.

Aos 28 anos, porém, Harrison percebeu que aquela rotina já não fazia sentido. Ele abandonou as noites de luxo, comprou uma câmera fotográfica e partiu como voluntário para a Libéria, onde passaria a documentar o trabalho realizado em um navio-hospital.

A experiência mostrou uma realidade completamente diferente daquela que conhecia. O contato com pessoas que conviviam com doenças agravadas pela falta de água limpa levou Harrison a retornar aos Estados Unidos com uma nova ideia. Anos depois, a iniciativa se transformaria na charity: water, organização internacional dedicada ao financiamento de projetos de água potável.

Durante dez anos, Scott Harrison promoveu festas e vendeu uma vida cercada por luxo

Scott Harrison construiu sua carreira na indústria noturna de Nova York. Seu trabalho envolvia organizar eventos, promover casas noturnas e reunir pessoas influentes em festas onde bebidas caras, roupas sofisticadas e acesso exclusivo faziam parte da rotina.

Em entrevista à Condé Nast Traveler, Harrison contou que passou uma década naquele ambiente. Ele chegou a recordar que vendia coquetéis de US$ 16, valor que mais tarde compararia ao custo de alimentar uma família durante um mês na Libéria.

Apesar do sucesso profissional, a rotina começou a provocar uma sensação crescente de insatisfação. O promotor percebeu que havia construído uma vida baseada em excessos, mas não encontrava nela um propósito que considerasse verdadeiro.

Aos 28 anos, decidiu interromper a carreira. Harrison trocou as festas de Manhattan por uma vaga voluntária em um navio-hospital que atendia pacientes em regiões pobres da África.

Uma câmera fotográfica levou Harrison até pacientes que não tinham acesso à água limpa

Sem formação médica, Harrison encontrou na fotografia uma maneira de contribuir. Ele embarcou com a organização humanitária Mercy Ships e passou a registrar pacientes antes e depois de cirurgias e tratamentos realizados a bordo do navio-hospital.

A missão o levou à Libéria, país que ainda enfrentava as consequências de anos de guerra civil. Enquanto documentava os atendimentos, Harrison conheceu comunidades sem sistemas adequados de abastecimento e viu pessoas coletando água em fontes contaminadas.

Segundo o relato concedido à Condé Nast Traveler, ele encontrou moradores consumindo água retirada de áreas pantanosas cobertas por algas e até com sanguessugas. Eram fontes que, como ele próprio observou, muitas pessoas não aceitariam oferecer nem mesmo a animais.

A falta de água limpa estava ligada a praticamente todos os problemas que Harrison encontrava. Água contaminada provocava doenças, dificultava a recuperação dos pacientes e obrigava mulheres e crianças a caminhar durante horas para abastecer suas famílias.

A experiência na Libéria mudou a maneira como o antigo promotor enxergava o dinheiro, o trabalho e as possibilidades de ajudar outras pessoas.

De volta a Nova York, ele transformou a própria festa de aniversário em uma arrecadação

Depois de retornar aos Estados Unidos, Harrison queria levar a crise da água ao mesmo público que conhecera durante os anos nas casas noturnas. Ele acreditava que muitos jovens não faziam doações porque desconfiavam das organizações tradicionais e não sabiam exatamente como o dinheiro era utilizado.

O antigo promotor decidiu começar utilizando aquilo que sabia fazer melhor: organizar uma festa.

Em 2006, Harrison realizou uma comemoração de aniversário em uma casa noturna de Nova York e cobrou US$ 20 de cada pessoa que entrava. Em vez de receber presentes, direcionou toda a arrecadação para projetos de água limpa.

A festa reuniu aproximadamente US$ 14 mil, conforme relatado pelo próprio fundador à Condé Nast Traveler. O valor foi usado para financiar os seis primeiros projetos de água em Uganda.

Após a conclusão das obras, Harrison enviou aos doadores fotografias e informações sobre as comunidades beneficiadas. A intenção era demonstrar, de maneira transparente, onde o dinheiro havia sido aplicado e qual diferença aquela contribuição tinha produzido.

A festa que poderia ter sido apenas mais uma noite em uma casa noturna tornou-se o ponto de partida da charity: water.

Criança coleta água limpa em galão amarelo diante de famílias em uma comunidade rural africana.
Criança enche um galão com água limpa em ponto comunitário de abastecimento, enquanto moradores aguardam com recipientes amarelos.

Os seis projetos em Uganda deram origem a uma organização internacional

A charity: water foi fundada oficialmente em 2006 com a proposta de financiar soluções de água potável em comunidades vulneráveis. O projeto também passou a adotar um modelo no qual as doações públicas seriam destinadas diretamente às obras, enquanto os custos operacionais seriam cobertos por apoiadores privados.

Fotografias, coordenadas de GPS e relatórios dos projetos tornaram-se parte da estratégia de transparência. Em vez de apenas pedir doações, a organização procurava mostrar aos participantes quais comunidades haviam recebido os recursos.

Uma reportagem da Vanity Fair mostra a rapidez da expansão. Apenas dois anos depois do início da iniciativa, Harrison já havia arrecadado US$ 3,5 milhões e ajudado a organizar 624 projetos em 11 países, levando água limpa a aproximadamente 250 mil pessoas.

O antigo círculo de contatos das casas noturnas também ajudou a ampliar a campanha. Eventos apoiados por artistas, empresários e figuras da moda aproximaram a crise hídrica de um público que até então tinha pouco contato com o problema.

O conhecimento usado anteriormente para promover festas foi direcionado à criação de campanhas, vídeos, fotografias e experiências capazes de mobilizar novos doadores.

A iniciativa que começou em uma festa já financiou mais de 209 mil projetos de água

A expansão ocorrida nas décadas seguintes levou a charity: water muito além dos seis primeiros projetos financiados em Uganda.

De acordo com os dados divulgados pela própria organização, a entidade já financiou mais de 209 mil projetos de água em 29 países, com potencial para atender aproximadamente 21,6 milhões de pessoas. Os números são atualizados à medida que novas informações são recebidas dos parceiros responsáveis pelas obras.

As soluções variam conforme cada região e podem incluir poços, sistemas de captação de água da chuva, redes de distribuição, filtros e outras estruturas de abastecimento.

Além de reduzir a exposição a doenças, a presença de uma fonte próxima permite que mulheres e crianças recuperem parte do tempo anteriormente gasto em longas caminhadas. Esse tempo pode ser destinado à escola, ao trabalho e às atividades familiares.

A mudança de Scott Harrison começou quando ele decidiu usar a própria experiência de outra maneira

Scott Harrison não iniciou a charity: water como especialista em engenharia, saúde pública ou abastecimento. Ele partiu de conhecimentos adquiridos em uma área aparentemente distante do trabalho humanitário: a promoção de festas.

A capacidade de reunir pessoas, contar histórias e organizar eventos foi reaproveitada para chamar atenção para a falta de água limpa. A câmera levada ao navio-hospital permitiu registrar o problema, enquanto a primeira festa mostrou que seu antigo público também poderia participar da solução.

O que começou com uma entrada de US$ 20 e uma arrecadação de US$ 14 mil financiou seis projetos em Uganda e deu origem a uma organização que alcançou milhões de pessoas.

A história de Harrison mostra que uma mudança de direção não apaga as experiências anteriores: em alguns casos, transforma aquilo que alguém já sabe fazer em uma ferramenta capaz de mudar outras vidas.

E você, teria coragem de abandonar uma carreira consolidada para transformar completamente a própria vida e ajudar pessoas que nunca conheceu?

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Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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