Startup criada por professor da universidade desenvolve bateria térmica com blocos de carbono e prepara demonstração integrada para 2026
Guardar eletricidade excedente como calor extremo e recuperá-la quando a rede precisar de energia. Essa é a proposta da Fourth Power, startup fundada pelo professor Asegun Henry, do MIT. Em vez de armazenar a carga em células de lítio, o sistema aquece blocos de carbono a até 2.400 °C. A empresa afirma que a tecnologia poderá oferecer de 10 a mais de 100 horas de fornecimento, mas ainda prepara uma demonstração integrada, conforme reportagem publicada pelo MIT em 18 de março de 2026.
O projeto mira um desafio das fontes renováveis. Painéis solares produzem eletricidade durante o dia, enquanto turbinas eólicas dependem do vento. Assim, uma rede com participação crescente dessas fontes precisa guardar parte da energia gerada em excesso para utilizá-la em outros horários.
Essa necessidade já impulsiona projetos convencionais de grande porte, como a bateria de 1.000 MWh planejada para uma antiga área nuclear na Alemanha. A Fourth Power, por sua vez, tenta usar temperaturas muito mais altas e materiais diferentes para armazenar energia por períodos prolongados.
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Eletricidade aquece blocos de carbono até que brilhem intensamente
Na etapa de carga, a instalação utiliza eletricidade excedente para aquecer blocos de grafite, um material à base de carbono. A temperatura pode chegar a cerca de 2.400 °C. Nesse ponto, os blocos acumulam energia térmica que o sistema poderá aproveitar depois.
Quando surge demanda por eletricidade, o calor aquece estanho líquido. Bombas e tubulações de grafite conduzem esse metal pelo equipamento. Em seguida, componentes superaquecidos emitem luz intensa, que células termofotovoltaicas convertem novamente em eletricidade.
Essas células funcionam de maneira semelhante às células solares, mas recebem luz produzida pelo próprio sistema aquecido. Pesquisadores ligados ao projeto já demonstraram uma célula capaz de converter mais de 40% da luz incidente em eletricidade. Esse resultado, porém, não representa a eficiência total da bateria, que envolve outras etapas e perdas.
A circulação de estanho líquido permite transportar calor sem depender de tubulações metálicas convencionais nas partes mais quentes. Ainda assim, a equipe precisa comprovar a durabilidade do conjunto sob ciclos repetidos de aquecimento e resfriamento.
Protótipo de 1 MWh deve testar a tecnologia antes da expansão
Segundo o MIT, a Fourth Power planejava colocar em operação, ainda em 2026, uma demonstração integrada de 1 MWh em Bedford, nos Estados Unidos. Até a publicação da reportagem, a empresa testava componentes do sistema nas temperaturas previstas para o funcionamento.
Para uma instalação em escala maior, a companhia projeta 25 MW de potência e 250 MWh de armazenamento. Isso corresponde, em termos nominais, a dez horas de descarga na potência máxima. A proposta modular permitiria acrescentar unidades de armazenamento para ampliar essa duração.
A empresa afirma que a tecnologia pode alcançar de 10 a mais de 100 horas e ter custo de armazenamento inferior ao de baterias de íons de lítio em aplicações de rede. São metas e estimativas da desenvolvedora. Portanto, ainda será necessário verificar o desempenho, o custo e a confiabilidade em instalações integradas.
Outras soluções também buscam armazenar excedentes por mais tempo, inclusive rochas subterrâneas capazes de receber ar comprimido. Enquanto isso, a indústria amplia a produção de sistemas convencionais de baterias para grandes projetos de energia.
No caso da Fourth Power, o próximo passo decisivo é mostrar que blocos, bombas, estanho líquido e células termofotovoltaicas conseguem funcionar juntos. Se a demonstração confirmar as projeções, o calor extremo poderá se tornar mais uma forma de reservar energia renovável para quando o sol e o vento não estiverem disponíveis.
