Porto pernambucano movimentou exatamente 2.726.020 toneladas em agosto de 2026, enquanto petróleo, derivados e outros líquidos concentraram 72,5% de tudo o que passou pelos terminais no mês
O Porto de Suape, em Pernambuco, atravessou pela primeira vez a barreira de 2,7 milhões de toneladas de cargas movimentadas em um único mês. Agosto de 2026 terminou com exatamente 2.726.020 toneladas, estabelecendo o maior resultado mensal desde o início das operações do complexo portuário.
A marca derrubou um recorde que pertencia ao próprio mês de agosto. Em 2024, Suape havia movimentado 2.670.132 toneladas, até então o maior volume mensal registrado. O novo resultado ficou cerca de 56 mil toneladas acima daquele patamar.
Mas a história de agosto não está apenas no número total. O que levou Suape para um novo nível foi principalmente o avanço dos granéis líquidos, segmento diretamente ligado à movimentação de combustíveis, petróleo, derivados e produtos químicos.
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Segundo o Tribuna do Agreste, foram 1.976.745 toneladas de granéis líquidos em apenas um mês, crescimento de 61% sobre agosto de 2025. Com isso, esse tipo de carga respondeu sozinho por 72,5% de toda a movimentação portuária de agosto.
Os próprios dados operacionais disponibilizados por Suape mostram a dimensão da atividade nos píeres dedicados a líquidos: somente o Píer de Granéis Líquidos 3B aparece com mais de 787 mil toneladas movimentadas em agosto, enquanto outras centenas de milhares de toneladas passaram pelos demais berços especializados.
Quase três de cada quatro toneladas movimentadas em agosto eram de granéis líquidos

A participação de 72,5% transforma os granéis líquidos no elemento central para entender o novo recorde.
Não se trata simplesmente de um aumento uniforme de todas as cargas que passam pelo porto. O resultado mostra uma concentração muito forte em um segmento específico da operação de Suape.
Segundo os dados divulgados sobre o desempenho mensal, o avanço foi favorecido pelo aumento da produção de refino da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), instalada dentro do complexo industrial portuário. A unidade está programada atualmente para processar até 130 mil barris de petróleo por dia.
Essa ligação entre refinaria e porto ajuda a explicar por que a expansão dos líquidos tem peso tão grande nos números de Suape. A infraestrutura portuária não recebe apenas navios de contêineres ou cargas gerais: parte relevante de seus píeres é dedicada justamente ao fluxo de produtos líquidos em grande escala.
O efeito não ficou restrito a agosto.
Entre janeiro e agosto de 2026, Suape já havia movimentado 12.735.507 toneladas de granéis líquidos, correspondentes a 67,6% de todas as cargas registradas no porto durante os oito primeiros meses do ano.
É uma diferença importante. No acumulado anual, aproximadamente dois terços da carga são líquidos. No mês recordista, essa participação avançou para quase três quartos do volume total.
Suape chega a 18,8 milhões de toneladas em apenas oito meses
O recorde de agosto aparece dentro de um ano que já vinha registrando crescimento.
De janeiro até o fim de agosto, passaram por Suape 18.835.314 toneladas de cargas. O volume representa expansão de 22,8% em relação aos mesmos oito meses de 2025.
Não foi apenas o peso transportado que aumentou. O complexo registrou 1.103 atracações no período, alta de 9,6% na comparação anual.
A diferença entre a expansão das toneladas movimentadas e o crescimento do número de atracações é um dado que merece atenção: o volume transportado cresce em ritmo superior ao número de escalas de navios. Os números divulgados, isoladamente, não permitem atribuir essa diferença a uma única causa operacional, mas mostram que o avanço de 2026 não depende apenas da chegada de mais embarcações.
Suape terminou agosto já próximo da marca de 19 milhões de toneladas movimentadas no ano.
Contêineres chegam a 442 mil TEUs, enquanto granéis sólidos também avançam
Apesar do protagonismo dos líquidos, outros segmentos contribuíram para o desempenho de 2026.
A movimentação de contêineres alcançou 442.321 TEUs entre janeiro e agosto, respondendo por 25,2% da movimentação, segundo os números divulgados pelo porto.
Somente em agosto, os registros operacionais de Suape mostram movimentação de contêineres nos berços do Tecon Suape, incluindo 25.575 TEUs no Berço 02 e 26.083 TEUs no Berço 03.
Os granéis sólidos tiveram participação de 5,6% no acumulado dos oito primeiros meses. Foram 1.046.052 toneladas, aumento de 27,2% na comparação com janeiro a agosto de 2025.
Essa categoria reúne mercadorias como clínquer, trigo e coque de petróleo.
Já a carga geral solta respondeu por 1,6% do movimento no período. Entre as mercadorias registradas em agosto aparecem veículos, produtos siderúrgicos, cereais e outros grupos de carga.
A composição ajuda a dimensionar Suape para além de um único fluxo. O porto combina terminais de contêineres, cargas gerais e granéis sólidos, mas a fotografia de 2026 é inequívoca: são os líquidos que estão puxando a expansão.
Recorde de agosto coloca pressão sobre capacidade e eficiência do porto
Ao comentar o desempenho, o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto, relacionou o novo recorde à capacidade da infraestrutura existente e defendeu a continuidade dos investimentos para acompanhar a expansão das operações.
Esse talvez seja o ponto mais relevante depois do próprio recorde.
Movimentar 2.726.020 toneladas em apenas 31 dias mostra até onde a estrutura atual conseguiu chegar. Manter uma trajetória de crescimento, porém, passa a colocar no centro da discussão capacidade de berços, produtividade, armazenagem, acessos terrestres e eficiência logística.
Suape completará 48 anos de funcionamento em novembro de 2026. O porto chega a essa marca depois de registrar o maior mês de sua história e com 18,8 milhões de toneladas acumuladas antes mesmo do fim do terceiro trimestre.
Agosto deixa, portanto, dois números para acompanhar nos próximos meses: os 2,726 milhões de toneladas, que se tornam a nova referência mensal a ser superada, e os 18,835 milhões acumulados até agosto, que mostram quanto a expansão de 2026 ainda poderá acrescentar ao resultado anual do complexo.
