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Mistério geológico de 30 milhões de anos: placa tectônica “fantasma” reaparece sob a Califórnia e pode mudar o risco de grandes terremotos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 31/01/2026 às 12:38
Atualizado em 31/01/2026 às 12:49
Fragmento de placa tectônica perdido é identificado entre San Andreas e Cascadia e pode influenciar a dinâmica de terremotos.
Fragmento de placa tectônica perdido é identificado entre San Andreas e Cascadia e pode influenciar a dinâmica de terremotos.
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A identificação do Fragmento Pioneer, um remanescente de placa oceânica subductada há cerca de 30 milhões de anos, na junção tripla de Mendocino, amplia a área de contato entre placas do Pacífico, Cascadia e América do Norte e introduz novos elementos na avaliação do risco sísmico regional

Um fragmento de placa tectônica considerado perdido foi identificado sob o continente norte-americano, na porção sul da zona de subducção de Cascadia, segundo pesquisa publicada em 15 de janeiro na revista Science. O achado aponta para possíveis implicações na dinâmica sísmica regional.

A pesquisa revela que o chamado Fragmento Pioneer, remanescente de uma antiga placa oceânica subductada há cerca de 30 milhões de anos, encontra-se atualmente preso à base da Placa do Pacífico e se desloca para noroeste junto com ela, em uma região tectonicamente complexa.

O fragmento foi identificado na junção tripla de Mendocino, ponto onde a Falha de San Andreas se encontra com a zona de subducção de Cascadia. Trata-se de uma área onde diferentes regimes de movimento de placas coexistem e interagem diretamente.

Ao longo da Falha de San Andreas, as placas Norte-Americana e do Pacífico deslizam paralelamente entre si. Já na zona de Cascadia, que se estende do Cabo Mendocino até a Ilha de Vancouver, as placas oceânicas de Juan de Fuca e Gorda mergulham sob a América do Norte.

Esse processo de subducção é capaz de gerar terremotos de magnitude 9 ou superior, conforme dados da Rede Sísmica do Noroeste do Pacífico. Evidências anteriores sugerem que grandes eventos em Cascadia podem desencadear terremotos ao longo da Falha de San Andreas.

Embora o novo estudo não quantifique diretamente o aumento de risco, o primeiro autor da pesquisa, David Shelly, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, afirma que a descoberta contribui para compreender melhor a interação entre essas estruturas tectônicas.

Segundo Shelly, o Fragmento Pioneer amplia a área de contato entre o que é efetivamente a Placa do Pacífico e a zona de subducção de Cascadia, alterando a geometria conhecida das interfaces entre as placas na região.

Análise sísmica revelou movimentos sutis das placas

Para investigar a junção tripla de Mendocino, os pesquisadores analisaram pequenos terremotos e tremores de baixa frequência, eventos sísmicos profundos que não são perceptíveis sem sismógrafos sensíveis, mas que ocorrem com frequência em grandes falhas.

A partir desses dados, foi possível determinar direções de movimentos sutis das placas. Na região, a Placa do Pacífico desliza para noroeste contra a Placa Norte-Americana, enquanto colide com a Placa de Gorda, que se move sob o continente.

Até então, existiam explicações concorrentes sobre a localização exata das placas e o traçado das falhas. O estudo indica que a configuração é ainda mais complexa devido à presença de um fragmento inesperado da extinta Placa Farallon.

A Placa Farallon começou a sofrer subducção sob a América do Norte há cerca de 200 milhões de anos, durante a fragmentação do supercontinente Pangeia. A Placa Juan de Fuca é um de seus remanescentes conhecidos.

Fragmentos adicionais alteram o modelo tectônico da região

Os pesquisadores identificaram que outro remanescente da Placa Farallon permaneceu aderido à Placa do Pacífico. Esse fragmento, denominado Fragmento Pioneer, não está subductando, mas se movendo lateralmente contra o continente norte-americano.

Além disso, partes da Placa de Gorda que foram raspadas e transferidas para a Placa Norte-Americana durante colisões aparentam ter retornado à Placa de Gorda, podendo estar mergulhando novamente sob o continente.

Essa dinâmica, descrita por Shelly como uma “batata quente tectônica”, pode ajudar a explicar por que o terremoto do Cabo Mendocino de 1992 teve origem mais superficial do que o esperado pelos cientistas.

Segundo o pesquisador, a falha associada a esses fragmentos pode não seguir a crosta oceânica original, situando-se em níveis mais rasos, o que altera a compreensão sobre a profundidade dos processos sísmicos locais.

Entre o Fragmento Pioneer e a Placa Norte-Americana existe uma falha quase horizontal, comparada por Shelly à cobertura de um bolo em camadas. Essa estrutura não está atualmente incluída nos modelos de risco sísmico.

“Não sabemos se essa falha pode gerar grandes terremotos, mas é algo que precisamos considerar no futuro”, afirmou Shelly, ressaltando que a descoberta amplia as incógnitas sobre o comportamento sísmico da região e exige novas análises.

Este artigo foi elaborado com base em pesquisa publicada em 15 de janeiro na revista Science e em declarações do geofísico David Shelly, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, divulgadas pela Live Science, a partir de análises sísmicas da junção tripla de Mendocino, entre as falhas de San Andreas e Cascadia.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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