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Mina baiana decide extrair mais valor do que já possui e transforma o mesmo minério em vanádio, cobre, ouro, platina, paládio e prata

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 06/10/2026 às 21:25
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Planta de processamento da mina Maracás Menchen, na Bahia, com estruturas industriais verdes e fornos usados na produção de vanádio.
Planta de processamento da mina Maracás Menchen, na Bahia, operação da Largo ligada à produção de vanádio. Crédito: Courtesy of Largo, via CIM Magazine.
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Mina Maracás Menchen, na Bahia, muda o foco para vanádio de alta pureza e concentrado de cobre-PGM, com vendas de US$ 4,7 milhões e margem operacional acima de 90%, além de expansão estudada para 2027.

A mina Maracás Menchen, na Bahia, entrou em uma nova fase de sua operação: a Largo Inc. decidiu reduzir a prioridade do volume total de vanádio e concentrar esforços nos produtos que entregam margens maiores. O plano pode elevar o vanádio de alta pureza para aproximadamente 68% de toda a produção do metal, ao mesmo tempo em que amplia a recuperação de cobre, ouro, platina, paládio e prata como subprodutos da mesma mina.

A mudança é expressiva porque o material de alta pureza representou cerca de 4% da produção de vanádio da empresa no primeiro semestre de 2026. A companhia pretende direcionar uma parcela muito maior do mix para clientes de aplicações de maior valor, incluindo defesa, aeroespacial e produtores de eletrólitos de vanádio para sistemas de armazenamento de energia.

O plano prevê uma produção total de pentóxido de vanádio próxima de 876 toneladas por mês, abaixo do limite superior de cerca de 1.000 toneladas mensais da projeção atual. A empresa espera compensar esse menor volume com preços e margens superiores, melhorando a geração de caixa da operação baiana.

Vanádio de alta pureza ganha espaço com contrato ligado à defesa dos Estados Unidos

Mina Maracás Menchen, na Bahia, operação da Largo Inc. que produz vanádio e amplia a recuperação de cobre e metais do grupo da platina. A companhia aposta em produtos de maior valor agregado e estuda expandir a produção de concentrado de cobre-PGM a partir de 2027. Foto: Divulgação/Largo Inc.
Mina Maracás Menchen, na Bahia, operação da Largo Inc. que produz vanádio e amplia a recuperação de cobre e metais do grupo da platina. A companhia aposta em produtos de maior valor agregado e estuda expandir a produção de concentrado de cobre-PGM a partir de 2027. Foto: Divulgação/Largo Inc.

Um dos pilares da estratégia é o fornecimento para a Defense Logistics Agency, órgão do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A Largo informou que já produziu e enviou seu primeiro lote de pentóxido de vanádio de alta pureza para a agência e que trabalhava na produção do segundo embarque quando divulgou a atualização estratégica.

O fornecimento abre espaço para o vanádio de Maracás em cadeias que exigem material de alta pureza e abastecem setores como defesa e aeroespacial. A companhia também cita produtores de eletrólitos de vanádio entre os clientes desse tipo de produto.

A empresa se beneficiou da mudança no ambiente tarifário norte-americano. Os óxidos de vanádio estão atualmente isentos das tarifas de importação aplicáveis nos Estados Unidos, o que permite à Largo elevar novamente a participação de produtos de alta pureza depois das dificuldades comerciais registradas em 2025 e no início de 2026.

O salto pretendido é grande: sair de uma participação de aproximadamente 4% no primeiro semestre para uma capacidade próxima de 68% do mix total. A empresa afirma que essa mudança pode produzir um impacto líquido positivo no caixa mesmo com uma taxa total de produção de vanádio menor.

Cobre, ouro, platina e paládio viram nova fonte de receita na mesma mina

A segunda frente está na recuperação de metais que acompanham o minério processado em Maracás Menchen. Depois de obter aprovação da Agência Nacional de Mineração, a Largo iniciou a produção e venda de concentrado de cobre com metais do grupo da platina, aproveitando parte da infraestrutura de flotação que já existia na unidade.

Os primeiros negócios deram um sinal forte do potencial econômico. Vendas recentes do concentrado de cobre-PGM geraram aproximadamente US$ 4,7 milhões em receita e margem de lucro operacional superior a 90%, segundo a empresa. Com esse resultado, o concentrado passou a ser tratado como o produto de maior margem dentro das operações da Largo.

O material contém cobre e também reúne ouro, platina, paládio e prata. Testes industriais divulgados anteriormente pela companhia encontraram ainda níquel, cobalto e traços de ródio em amostras do concentrado obtido a partir do minério da própria mina.

Em duas campanhas de testes contínuos, análises externas apontaram teores de cobre próximos de 16% a 17%, acompanhados por concentrações relevantes de ouro, platina, paládio e prata. Esses resultados ajudaram a sustentar o pedido apresentado à ANM e a decisão de transformar o concentrado em uma linha comercial.

A meta atual é produzir aproximadamente 300 a 380 toneladas de concentrado de cobre-PGM por mês. A empresa já estuda uma expansão que poderia dobrar essa capacidade em 2027, dependendo da conclusão dos estudos internos de engenharia e da viabilidade econômica do projeto.

Rejeitos acumulados por mais de uma década podem ganhar novo valor

A mina ainda possui outro ativo importante: mais de 12 anos de rejeitos não magnéticos acumulados que contêm metais potencialmente recuperáveis. Somados aos recursos minerais da operação, cuja vida útil é estimada em aproximadamente 30 anos, esses materiais criam uma base para ampliar a recuperação de subprodutos sem depender somente de minério recém-extraído.

A estratégia pode transformar a estrutura de receitas de Maracás Menchen. A operação passa a combinar um produto de alta pureza com cobre e metais preciosos recuperados durante o processamento, ampliando o valor obtido do mesmo corpo mineral e reduzindo a exposição a um único ciclo de preços.

A empresa também realiza testes para recuperar ilmenita a partir dos rejeitos gerados na flotação do cobre-PGM. A ilmenita é usada na produção de pigmento de dióxido de titânio, e a Largo afirma ter identificado interesse de clientes brasileiros nessa matéria-prima.

O movimento acontece enquanto a companhia trabalha na reestruturação de aproximadamente US$ 82 milhões de dívida bancária. Produtos de maior margem ganham peso ainda maior nesse momento, pois podem reforçar a geração de caixa sem exigir que a mina persiga apenas recordes de volume.

Se a estratégia funcionar, a mina baiana deixará de ser vista apenas como uma grande produtora de vanádio e passará a operar como uma fonte diversificada de minerais críticos e metais preciosos para diferentes cadeias industriais. A combinação de vanádio de alta pureza, cobre, ouro, platina, paládio e prata pode ampliar o valor extraído de uma estrutura que já está em operação.

O que você acha dessa estratégia de recuperar mais metais da mesma mina em vez de ampliar somente o volume de vanádio? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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