Estimativa citada por pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego revela que células microbianas podem superar numericamente as humanas no organismo.
O corpo humano abriga uma quantidade gigantesca de vida microscópica, mesmo após banhos, cuidados com a pele e outras rotinas de higiene. Trilhões de microrganismos vivem dentro e sobre o organismo, formando comunidades que passaram a ocupar posição central nas pesquisas sobre saúde.
Uma das estimativas mais conhecidas desse campo indica que apenas cerca de 43% das células contabilizadas no corpo são humanas. O restante corresponde principalmente a células microbianas, proporção que ajuda a demonstrar a dimensão do chamado microbioma humano.
Estimativa de 43% mostra que células microbianas podem superar numericamente as células humanas
O número ganhou repercussão em 2018, quando Rob Knight, pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego, explicou que aproximadamente 43% das células presentes no organismo seriam humanas. A estimativa considera a contagem celular e não significa que uma pessoa seja biologicamente apenas 43% humana.
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Durante décadas, uma proporção ainda mais extrema circulou amplamente. A ideia indicava que existiriam cerca de dez células bacterianas para cada célula humana, mas cálculos posteriores mostraram que essa diferença havia sido superestimada.
Em 2016, pesquisadores revisaram esses números e concluíram que a proporção real estava muito mais próxima de uma célula bacteriana para cada célula humana. Essa revisão ajudou a modificar a percepção científica sobre a quantidade de micróbios presentes no organismo.
Trilhões de microrganismos formam o microbioma presente dentro e sobre o corpo
O conjunto dessas comunidades microscópicas é conhecido como microbioma humano. Bactérias, vírus, fungos e outros microrganismos podem ocupar diferentes regiões do corpo e conviver continuamente com as células humanas.
A importância dessa comunidade não está apenas em sua quantidade. Cientistas passaram a investigar como sua composição pode se relacionar com diferentes aspectos da saúde, incluindo alergias, doenças e respostas do organismo a medicamentos.
Essa perspectiva mudou a maneira como os pesquisadores observam os micróbios. Em vez de tratá-los apenas como possíveis agentes de doenças, a ciência passou a estudar suas diferentes relações com o funcionamento do corpo humano.

Projeto lançado em 2007 colocou o microbioma humano no centro das pesquisas científicas
A investigação ganhou escala em 2007, quando os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, o NIH, lançaram o Human Microbiome Project. A iniciativa buscava caracterizar as comunidades microbianas encontradas no organismo e compreender melhor sua relação com a saúde.
O projeto reuniu pesquisas voltadas a diferentes regiões do corpo e ajudou a ampliar o conhecimento científico sobre bactérias e outros microrganismos associados aos seres humanos. O programa recebeu apoio do NIH entre 2007 e 2016.
A partir desse avanço, o microbioma passou a ocupar espaço crescente na pesquisa biomédica. Aquilo que antes era uma comunidade praticamente invisível tornou-se um campo importante para compreender como o organismo funciona.
Microbioma passou a ser investigado em estudos sobre alergias, Parkinson e medicamentos
O avanço das pesquisas levou cientistas a analisar possíveis relações entre mudanças no microbioma e diferentes condições de saúde. Entre os temas investigados estão alergias, doenças e alterações associadas ao funcionamento do organismo.
A doença de Parkinson também entrou nesse campo de investigação. Em 2017, um estudo publicado na revista Movement Disorders, com participação de Rob Knight, analisou o microbioma intestinal de pacientes com a doença.
Os pesquisadores identificaram assinaturas distintas associadas tanto ao Parkinson quanto aos medicamentos usados pelos pacientes. O resultado ampliou o interesse científico pelas possíveis conexões entre microrganismos, doenças e tratamentos.
Pesquisadores também investigam como microrganismos podem interferir na resposta aos medicamentos
Outra frente de pesquisa envolve a relação entre o microbioma e os medicamentos utilizados pelas pessoas. Cientistas estudam como comunidades microbianas podem participar de processos relacionados ao metabolismo de determinados compostos.
Essa possibilidade ajuda a explicar por que o microbioma passou a ser considerado em pesquisas sobre respostas diferentes aos mesmos tratamentos. As comunidades presentes no organismo variam, tornando essa relação especialmente importante para a ciência.
O campo ainda ampliou o debate sobre aquilo que define o funcionamento do corpo humano. As células humanas continuam sendo fundamentais, mas convivem permanentemente com trilhões de organismos microscópicos.
Número de 43% não significa que uma pessoa seja biologicamente apenas 43% humana
A frase de que uma pessoa seria “apenas 43% humana” funciona como uma maneira chamativa de representar uma estimativa de células. Cientificamente, porém, o percentual não determina identidade, genética ou composição corporal total.
O cálculo se refere exclusivamente à quantidade aproximada de células humanas em comparação com células microbianas presentes no organismo. Por isso, o número precisa ser interpretado dentro desse contexto.
A descoberta mais relevante está na dimensão do microbioma. Trilhões de microrganismos convivem com o corpo e passaram a ser investigados por suas relações com saúde, doenças, alergias e medicamentos.
Estudos sobre o microbioma estão mudando a forma de compreender o corpo humano
O avanço científico mostrou que o organismo não pode ser observado apenas como um conjunto de células humanas. Ele também abriga uma vasta comunidade microscópica que permanece em contato constante com diferentes partes do corpo.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego e de outras instituições continuam estudando esse universo para compreender melhor suas relações com diferentes condições e respostas a tratamentos.
A estimativa dos 43% ganhou destaque justamente por tornar essa realidade mais fácil de visualizar. Mais do que reduzir o que significa ser humano, ela evidencia como o corpo abriga um ecossistema microscópico muito maior e mais complexo do que parece.
