A NASA desenvolveu uma tecnologia de antena ultraleve e flexível para helicópteros da missão SkyFall, permitindo buscar gelo sob o solo de Marte com precisão.
O silêncio do solo marciano esconde segredos vitais. Para a NASA, o maior desafio das futuras missões tripuladas ao “Planeta Vermelho” não é apenas como chegar lá, mas como sobreviver ao longo prazo utilizando recursos locais.
O gelo enterrado sob a superfície é o “santo graal” dessa sobrevivência. Recentemente, a agência deu um passo fundamental para transformar essa busca em realidade, ao testar com sucesso uma nova antena que desafia as leis convencionais da engenharia aeroespacial.
Até o momento, a detecção de gelo em Marte dependia de sondas orbitais, que possuem uma visão ampla, porém pouco detalhada das camadas superficiais.
-
Peixes gigantes dos Grandes Lagos, conhecidos como esturjões, podem viver entre 200 e quase 300 anos, segundo novo estudo que analisou décadas de registros de crescimento e aplicou modelos usados no tubarão-da-Groenlândia, revelando que alguns desses animais de água doce podem carregar quase três séculos de história
-
Pesquisadores do MIT desenvolvem robôs subaquáticos para trabalhar ao lado de mergulhadores, localizar falhas em cabos, encontrar objetos suspeitos e orientar humanos até pontos críticos, deixando para as pessoas tarefas delicadas como reparos de infraestrutura e ações contra minas
-
Quase 6 mil litros de água do ar-condicionado por dia foram registrados em um prédio universitário com 113 aparelhos, mostrando como um gotejamento aparentemente pequeno pode se transformar em grande volume para irrigação, limpeza e outros usos que não exigem água potável
-
China acelera trem-bala experimental de levitação magnética de mais de 1 tonelada de 0 a 800 km/h em apenas 5,3 segundos, quebra pela terceira vez em seis meses o próprio recorde e testa tecnologia que pode ajudar no lançamento de foguetes e aeronaves
O projeto SkyFall, com lançamento planejado para o final de 2028, pretende mudar esse cenário. A ideia é utilizar um trio de helicópteros especializados, equipados com radares de penetração no solo, para realizar um “escaneamento” minucioso durante seus voos a baixa altitude.
O design da antena Vivaldi da NASA
Engenheiros do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA enfrentaram um dilema técnico: como instalar um radar potente em um veículo extremamente leve sem comprometer sua capacidade de voo ou de pouso?
Em um ambiente com atmosfera rarefeita, onde cada grama é crítico, uma antena de radar tradicional, rígida e pesada, seria inviável. Além disso, o curto espaço entre a aeronave e o solo — cerca de 15 centímetros — criava o risco constante de danos estruturais em cada aterrissagem.
A solução emergiu da criatividade inspirada: a antena “Vivaldi”. Com linhas sinuosas que lembram a forma de um violino, o dispositivo foi desenhado para ser ao mesmo tempo plano e flexível.
O nome, uma referência direta ao compositor Antonio Vivaldi, não é apenas um detalhe charmoso; a geometria da antena permite a transmissão e recepção de sinais em uma vasta faixa de frequências, entre 500 e 2.500 megahertz.
Essa versatilidade é o que permite identificar com clareza onde termina o solo seco e onde começa o gelo subsuperficial.

Proteção extrema
A antena precisou ser mais comprida que as pernas do helicóptero para funcionar corretamente, o que significa que, a cada pouso em solo irregular, o equipamento “dobra” fisicamente contra o terreno. Para garantir que ele não se quebrasse, a NASA aplicou soluções consagradas:
- Revestimento externo de poliéster de alta resistência;
- Camadas reforçadas com Vectran, o mesmo material utilizado nos airbags dos robôs Spirit e Opportunity;
- Estrutura interna composta por molas de fibra de vidro e magnésio para memória de forma.
Essa combinação garante que, após cada contato com as rochas marcianas, a antena retorne perfeitamente à sua posição original, mantendo a integridade necessária para a coleta de dados de radar.
O conjunto total pesa meramente 150 gramas — um feito de engenharia que prioriza a leveza absoluta sem sacrificar a durabilidade.

Resultados dos testes e a missão SkyFall
A robustez desse design foi provada em laboratório sob condições severas. O protótipo enfrentou 200 ciclos de pousos simulados, intercalados com choques térmicos brutais, variando até 94°C para replicar o ambiente extremo de Marte.
Ao final, a NASA confirmou que a tecnologia não apenas sobreviveu, mas manteve a precisão do sinal de radar intacta durante todo o processo.
A missão SkyFall, que se beneficiará de toda a experiência acumulada com o sucesso do helicóptero Ingenuity, tem como meta clara facilitar a vida dos futuros exploradores. Ao converter o gelo marciano em água, oxigênio e combustível para foguetes, a NASA reduz a necessidade de carregamentos pesados vindos da Terra.
O lançamento previsto para 2028, a bordo do foguete Freedom, promete ser o início de uma nova era, onde a tecnologia, a música das formas geométricas e a exploração espacial se encontram para garantir que humanos possam, enfim, caminhar — e viver — com segurança sobre o solo marciano.

