Bilhete identificava uma experiência da William Floyd High School sobre as correntes próximas a Fire Island. A conservação do papel permitiu ligar o recipiente ao professor responsável pela atividade, explicar a recompensa de US$ 50 escrita na mensagem e devolver o material à escola.
Uma garrafa usada por estudantes para observar o deslocamento das correntes costeiras acabou preservando por décadas o registro de uma atividade de Ciências. Encontrado em Bellport Bay, no estado de Nova York, o recipiente ainda guardava a mensagem que permitiu reconstruir sua origem.
Susan Hennes, moradora de East Patchogue, localizou a antiga garrafa de Grolsch enquanto caminhava pela margem da baía à procura de pedaços de vidro e moedas. O recipiente tinha tampa de porcelana, trava metálica e um papel enrolado em seu interior.
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Embora apresentasse sinais de desgaste, o bilhete continuava legível. A mensagem estava datada de 1º de dezembro de 1972, identificava a William Floyd High School e explicava que o material fazia parte de uma experiência científica sobre as correntes ao redor de Fire Island.
O William Floyd School District informou que o texto pedia a devolução da garrafa à escola e destacava a importância desse retorno para a atividade. No fim da mensagem, aparecia ainda a promessa de uma recompensa de US$ 50.
Experiência acompanhava o movimento das correntes
A origem do recipiente levou a escola até William Kiriazis, professor de Ciências que havia começado a trabalhar na William Floyd High School em 1972. Ele desenvolvia atividades relacionadas ao ambiente marinho e aproveitava a proximidade da instituição com áreas costeiras para realizar experiências com os estudantes.
Uma delas consistia em lançar recipientes ou mensagens e aguardar informações sobre os pontos em que fossem encontrados. Esses retornos permitiam à turma acompanhar o deslocamento causado pelas correntes e relacionar o conteúdo estudado em aula às condições naturais da região.
Em entrevista ao The East Hampton Star, Kiriazis relatou que experiências semelhantes continuaram nos anos seguintes. Em parte delas, os estudantes passaram a usar cartões-postais com endereço de retorno, o que facilitava o contato com quem encontrasse o material.
O professor afirmou ao jornal que cerca de 90% desses cartões chegaram a ser devolvidos. A garrafa lançada no início do projeto, porém, permaneceu fora dos registros da escola até reaparecer décadas depois, sem que a turma soubesse qual havia sido seu percurso.
A experiência dependia justamente da recuperação dos objetos. Cada localização informada por quem encontrasse uma mensagem podia acrescentar uma referência sobre o caminho percorrido na água, transformando a própria região costeira em parte prática da atividade desenvolvida pelos alunos.
Fire Island acompanha a costa sul de Long Island, em uma área formada por oceano, baías e outros ambientes costeiros. Esse cenário oferecia as condições que Kiriazis utilizava nas atividades de ciências marinhas realizadas com as turmas da William Floyd High School.
A garrafa de 1972 se diferenciava dos cartões-postais empregados posteriormente porque mantinha a mensagem enrolada dentro do recipiente. Sua tampa de porcelana e o fechamento metálico permaneceram com o objeto encontrado por Hennes, assim como o papel necessário para identificar a experiência.
Bilhete permitiu reconstruir a origem
Hennes encontrou a garrafa no fim da primavera de 2019, 47 anos depois da experiência escolar. A data, o nome da escola, a referência a Fire Island e o pedido de devolução reunidos no papel forneceram elementos suficientes para relacionar o objeto ao antigo projeto.
Depois da descoberta, Hennes chegou à instituição por meio de uma conhecida que trabalhava na escola. O contato permitiu localizar Kiriazis e aproximar novamente o professor responsável pela experiência do material preparado no início de sua carreira.
O distrito escolar organizou posteriormente um encontro entre Hennes, Kiriazis e Christine Rosado, então diretora de educação em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. A reunião ocorreu no local onde o recipiente havia sido encontrado, em Bellport Bay.
A recompensa de US$ 50 registrada no bilhete também ganhou explicação. Kiriazis contou ao East Hampton Star que o estudante responsável pela mensagem havia incluído o valor sem que ele percebesse e que a inscrição foi uma brincadeira dentro da atividade.
Hennes não condicionou a devolução do material ao recebimento da recompensa. Ao relatar o episódio ao jornal, explicou que inicialmente havia gostado da garrafa, mas considerou que o conjunto deveria voltar para a escola à qual estava ligado.
A preservação do papel foi decisiva para reconstruir a ligação entre o achado e a experiência. Mesmo após décadas fora da instituição, o bilhete ainda conservava a data, o nome da William Floyd High School, a referência às correntes de Fire Island e a orientação de devolução.
O reencontro também recuperou um episódio do começo da trajetória profissional de Kiriazis. O professor iniciou seu trabalho na William Floyd High School no mesmo ano indicado no bilhete e continuou conduzindo experiências semelhantes durante os anos seguintes.
Depois de confirmar a procedência do objeto, o distrito decidiu preservá-lo como parte de sua memória institucional. A garrafa, a mensagem e materiais relacionados à repercussão da descoberta foram destinados ao Rita Rech Museum of William Floyd School District History, onde o conjunto seria mantido em exposição.
