Dana Perella começou vendendo biscoitos em um carrinho vermelho para ajudar uma amiga e transformou a iniciativa em uma campanha que financiou pesquisas sobre diferentes doenças pediátricas raras nos Estados Unidos.
Em 2017, Dana Perella tinha 7 anos, nunca havia preparado biscoitos sozinha e queria encontrar uma maneira de ajudar Mila, uma amiga que conhecera durante sessões de fonoaudiologia em Boulder, no Colorado, nos Estados Unidos.
Mila havia recebido o diagnóstico de uma forma rara e fatal da doença de Batten.
A ideia de Dana começou com uma meta de apenas US$ 1 mil, um carrinho vermelho e vendas de porta em porta.
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Quatro anos depois, o projeto já havia produzido 20.236 cookies e arrecadado US$ 161.270 para pesquisas sobre doenças pediátricas raras.
A iniciativa não ficou presa àquele momento.
Em setembro de 2026, o Cookies4Cures continua ativo, agora com diferentes campanhas destinadas a financiar pesquisas sobre doenças raras.
O próprio site da organização registrou um novo evento de venda de biscoitos em Boulder em fevereiro deste ano e mantém campanhas voltadas, entre outras condições, à gastrite eosinofílica, atrofia muscular espinhal e angioedema hereditário.
O que começou como uma criança puxando biscoitos pelo bairro acabou se tornando uma organização formada em torno de uma ideia simples: transformar pequenas vendas em financiamento para pesquisas que, em algumas doenças extremamente raras, encontram dificuldade até para atrair recursos.
Tudo começou por causa de uma amiga chamada Mila
Dana conheceu Mila durante sessões de fonoaudiologia.
As duas tinham dificuldades relacionadas à fala e se tornaram amigas. Com o tempo, Dana melhorou, mas percebeu que a situação de Mila seguia na direção oposta.
A família descobriu que a menina tinha doença de Batten, nome usado para um grupo de enfermidades neurodegenerativas hereditárias raras que afetam progressivamente o sistema nervoso.
Mila tinha uma forma associada ao gene MFSD8, conhecida como CLN7.
Pesquisadores conseguiram posteriormente desenvolver para ela um medicamento experimental personalizado chamado milasen, criado especificamente a partir de sua mutação genética.
O trabalho foi descrito em 2019 no New England Journal of Medicine.
Para Dana, naquele momento, a questão era bem menos técnica. Ela queria conseguir dinheiro para ajudar a amiga.
A primeira possibilidade considerada foi uma barraca de limonada.
Como o clima do Colorado limitaria as vendas a determinadas épocas do ano, os biscoitos pareceram uma alternativa mais prática.
Foi assim que nasceu a campanha Cookies4Mila.

Um carrinho vermelho e uma meta de US$ 1 mil
Nos fins de semana, Dana colocava os biscoitos em um pequeno carrinho vermelho e circulava pelas ruas do bairro.
Uma placa improvisada identificava a campanha.
A meta inicial era arrecadar US$ 1 mil.
O valor levou aproximadamente três meses para ser alcançado.
Em vez de encerrar a iniciativa quando conseguiu cumprir o objetivo, Dana decidiu continuar.
A família abriu uma campanha na internet e outras pessoas começaram a conhecer a história.
A arrecadação cresceu rapidamente.
Ao final do primeiro ano, Dana e os voluntários que passaram a ajudá-la haviam levantado cerca de US$ 56 mil para a campanha de Mila, segundo o registro mantido pelo Gloria Barron Prize e pela própria página do Cookies4Mila.
A arrecadação do Cookies4Mila integrou o esforço financeiro organizado em torno da pesquisa e do tratamento da menina.
A Mila’s Miracle Foundation esteve entre os financiadores do desenvolvimento científico que resultou no milasen, de acordo com o estudo publicado no New England Journal of Medicine.
O medicamento experimental conseguiu reduzir objetivamente as convulsões observadas durante o tratamento, embora não representasse uma cura para a doença.

A primeira campanha terminou, mas Dana decidiu continuar
Depois que Mila iniciou o tratamento, Dana poderia simplesmente ter encerrado as vendas.
Não foi o que aconteceu.
Outra criança próxima dela, Ollie, enfrentava PANS, sigla em inglês para síndrome neuropsiquiátrica pediátrica de início agudo.
Dana então lançou a Cookies4PANS.
Em 2018, a campanha arrecadou cerca de US$ 30 mil, valor destinado a apoiar pesquisas no Stanford PANS Clinic e a contratação de uma pesquisadora de pós-doutorado, de acordo com o histórico publicado atualmente pelo Cookies4Cures.
A iniciativa deixou de estar ligada exclusivamente a Mila.
Nascia o Cookies4Cures, uma organização que Dana define como conduzida “por crianças para crianças”, voltada ao financiamento de pesquisas sobre doenças pediátricas raras.
Os biscoitos também deixaram de circular apenas no carrinho vermelho.
Voluntários passaram a ajudar na produção, enquanto as vendas ganharam eventos temporários, encomendas, campanhas pela internet e pontos montados diante de mercados e restaurantes de Boulder.

Mais de 20 mil biscoitos e US$ 161 mil
Em fevereiro de 2021, quando Dana tinha 10 anos, a dimensão alcançada pela iniciativa já estava muito distante daquela primeira meta de US$ 1 mil.
Segundo a revista 5280, 20.236 biscoitos haviam sido produzidos e US$ 161.270 arrecadados para financiar pesquisas relacionadas a cinco doenças pediátricas raras.
Uma das novas campanhas beneficiava Sophie Rosenberg, diagnosticada com osteólise multicêntrica carpotarsal, conhecida pela sigla MCTO, uma condição genética extremamente rara que provoca perda progressiva de tecido ósseo.
Até aquele momento, as vendas de Dana haviam levantado mais de US$ 11 mil para a Sophie’s Neighborhood, organização criada pela família da menina para apoiar pesquisas sobre a doença.
Outra frente foi dedicada à atrofia muscular espinhal, ou SMA, condição que afetava seu amigo Ben.
A meta de US$ 50 mil foi ultrapassada.
A página específica da campanha Cookies4SMA registra US$ 54.121 em doações, enquanto o site do Cookies4Cures informa que os primeiros US$ 50 mil foram combinados a outros US$ 50 mil fornecidos pela Cure SMA para financiar um projeto de pesquisa.
Aos 9 anos, Dana recebeu um prêmio de US$ 10 mil
O trabalho também ganhou reconhecimento fora de Boulder.
Em 2020, quando tinha 9 anos, Dana foi escolhida como uma das vencedoras do Gloria Barron Prize for Young Heroes, premiação norte-americana destinada a jovens envolvidos em iniciativas sociais e ambientais.
Naquele momento, o prêmio já registrava que ela havia mobilizado quase 100 famílias, produzido mais de 17 mil biscoitos e arrecadado mais de US$ 100 mil.
Os principais vencedores recebiam US$ 10 mil, que podiam ser destinados à educação ou ao próprio projeto social.
Dana direcionou o valor para pesquisas sobre atrofia muscular espinhal.
Mila morreu em 2021, mas a campanha continuou
A história que deu origem ao projeto teve um desfecho difícil.
Mila morreu em fevereiro de 2021, depois de anos convivendo com a doença de Batten.
A página original do Cookies4Mila foi atualizada naquele mês para informar sua morte e explicar que as novas doações seriam encaminhadas à Mila’s Miracle Foundation para continuar financiando pesquisas sobre tratamentos genéticos personalizados.
O desenvolvimento do milasen, embora não tenha conseguido impedir a progressão da doença de Mila, tornou-se um caso científico importante por demonstrar a possibilidade de desenvolver um medicamento altamente personalizado para um único paciente.
A própria Mila’s Miracle Foundation continua ativa e apresenta hoje essa pesquisa como parte do legado deixado pela menina.
O projeto ainda vendia biscoitos em 2026
Quase uma década depois do primeiro carrinho vermelho, há sinais concretos de que a iniciativa permanece funcionando.
O site oficial do Cookies4Cures anunciou uma venda presencial de biscoitos em 8 de fevereiro de 2026, diante do restaurante Santo, em Boulder, o mesmo local onde Dana já promovia eventos anos antes.
A organização também ganhou uma nova campanha depois que o irmão mais novo de Dana recebeu, em setembro de 2024, diagnóstico de gastrite eosinofílica, uma doença gastrointestinal imunológica rara.
A família criou a Cookies4EGID para apoiar pesquisas conduzidas pelo programa especializado do Children’s Hospital Colorado.
A campanha aparece como ativa no site da organização em 2026.
Outra frente ativa continua ligada à atrofia muscular espinhal.
Segundo o Cookies4Cures, uma parceria posterior com a Cure SMA ajudou a levantar mais de US$ 90 mil adicionais em três anos por meio da iniciativa Bake a Difference.
Anos depois, Cookies4Cures continua promovendo vendas, formando parcerias e direcionando recursos para pesquisas sobre doenças pediátricas raras, mantendo ativa a ideia que começou com Dana tentando ajudar uma única amiga.

