Construído em Santa Catarina, o Starnav Elektra reúne dimensões impressionantes, tecnologia híbrida, baterias e uma missão ligada às operações offshore, em um projeto que ajuda a mostrar como a indústria naval brasileira está mudando.
À primeira vista, os 92 metros de comprimento e as quase 9 mil toneladas de porte bruto já colocam o Starnav Elektra em uma escala pouco comum para quem acompanha de fora a rotina da indústria naval brasileira.
O detalhe mais curioso, porém, está escondido dentro da embarcação construída em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina: um banco de baterias faz parte do sistema de propulsão híbrida criado para reduzir consumo de combustível e emissões durante as operações no mar.
O navio representa investimento da ordem de R$ 450 milhões e está perto de iniciar uma nova etapa.
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O cronograma mais recente divulgado pelo setor naval marca para 17 de setembro de 2026, no Rio de Janeiro, o batismo e a entrega do Starnav Elektra.
Depois desse processo, a embarcação será incorporada à frota da Starnav e destinada a operações para a Petrobras.
Construído pelo estaleiro Detroit Brasil, o Elektra é classificado como PSV, sigla em inglês para Platform Supply Vessel.
Na prática, trata-se de um navio criado para funcionar como uma espécie de elo logístico entre a costa e estruturas de exploração e produção de petróleo e gás em alto-mar.
Seu trabalho não está ligado ao transporte convencional de passageiros ou contêineres entre portos.
PSVs levam equipamentos, materiais, água, combustíveis, fluidos e diferentes tipos de suprimentos necessários às plataformas offshore, além de desempenharem funções de apoio dentro da complexa logística marítima.
O que representam as 8.857 toneladas do Starnav Elektra
O número de quase 9 mil toneladas ajuda a dimensionar o porte da embarcação, mas exige uma explicação.
Os 8.857 toneladas correspondem ao porte bruto, ou deadweight, medida usada no setor naval que não representa apenas a carga transportada.
Esse valor considera o peso total que o navio pode carregar com segurança dentro de suas especificações, incluindo carga, combustível, água, provisões, tripulação e outros itens consumíveis.
Dados de registro marítimo disponíveis para o Starnav Elektra indicam 92 metros de comprimento, 20 metros de largura e porte bruto de 8.857 toneladas.
As dimensões ajudam a entender por que um PSV pode parecer pequeno quando comparado aos enormes petroleiros que cruzam os oceanos, mas ainda assim carregar uma estrutura de grande porte.
Esses navios precisam combinar espaço para suprimentos, estabilidade, manobrabilidade e capacidade para permanecer próximos de instalações offshore em condições que podem mudar rapidamente.
No caso do Elektra, outra característica passou a ganhar importância: parte da energia utilizada a bordo pode ser administrada com auxílio de baterias, reduzindo a dependência contínua dos motores convencionais em determinadas situações operacionais.

Por que um navio desse tamanho precisa de baterias
Um sistema híbrido em uma embarcação não funciona exatamente como em um automóvel, embora a ideia básica tenha semelhanças.
Em vez de depender de apenas uma fonte de energia durante todo o tempo, o projeto permite combinar diferentes formas de geração e armazenamento conforme a demanda.
O banco de baterias pode auxiliar o sistema elétrico em momentos específicos e ajudar a evitar que os motores trabalhem continuamente em condições pouco eficientes.
Segundo informações divulgadas sobre a série, a propulsão híbrida foi projetada justamente para contribuir para a redução do consumo de combustível e das emissões.
Essa característica ganha relevância em navios de apoio porque a rotina de um PSV é diferente da navegação contínua de uma embarcação que simplesmente parte de um porto e segue durante dias em velocidade relativamente constante.
Durante o atendimento a plataformas, o navio pode precisar permanecer em uma posição bastante precisa no mar enquanto realiza operações de apoio.
A demanda energética varia conforme navegação, equipamentos acionados e condições da operação, cenário no qual sistemas híbridos podem oferecer formas adicionais de gerenciamento da energia.
O Starnav Elektra também foi preparado para utilizar HVO, sigla para Hydrotreated Vegetable Oil, combustível produzido a partir de matérias-primas renováveis e que pode ser utilizado como alternativa ao diesel fóssil em motores compatíveis.
A possibilidade não significa que o navio abandonará imediatamente os combustíveis convencionais.
A disponibilidade do HVO e a infraestrutura necessária para abastecimento também fazem parte das condições para ampliar sua utilização nas operações.
Um projeto desenvolvido em Santa Catarina
Outro aspecto que diferencia o Starnav Elektra está no processo de engenharia.
Segundo informações divulgadas pelo setor naval, o projeto básico foi desenvolvido integralmente pela equipe de engenharia do estaleiro Detroit Brasil, em Itajaí.
A embarcação foi contratada em 2025 e deverá ser entregue cerca de dois anos antes do prazo estabelecido originalmente.
O cronograma passou por previsões anteriores ao longo de 2026, mas a atualização divulgada em 2 de setembro confirmou a cerimônia para o dia 17 do mesmo mês, no Rio de Janeiro.
O Elektra faz parte de uma carteira maior de novas embarcações construídas para a Starnav.
A programação divulgada pelo Sinaval aponta uma série de 10 PSVs híbridos, com investimento total superior a US$ 700 milhões pelo Grupo Detroit e participação de recursos ligados ao Fundo da Marinha Mercante, tendo o BNDES como agente financeiro.
Esse movimento se conecta a uma retomada mais ampla das encomendas no setor naval.
Em setembro de 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que a Starnav havia assinado financiamento de R$ 2,5 bilhões com o BNDES para oito embarcações a serem construídas no Detroit Brasil, sendo quatro PSVs e quatro navios especializados em resposta a derramamentos de óleo.

Lula e Magda Chambriard conheceram o navio em Itajaí
Antes da entrega, o Starnav Elektra recebeu uma visita que ajudou a colocar o projeto em evidência.
Em 26 de junho de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve no estaleiro Detroit Brasil acompanhado de integrantes do governo durante uma agenda relacionada à indústria naval.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, também participou da visita às embarcações em construção.
O Ministério de Portos e Aeroportos confirmou que a agenda envolveu obras de embarcações destinadas às operações da Petrobras e integrantes do Programa Mar Aberto.
Durante a passagem pelo estaleiro, também ocorreu o descerramento de uma placa em homenagem a Antonieta de Barros que será instalada no Starnav Elektra.
Magda Chambriard foi escolhida como madrinha da embarcação para a cerimônia de setembro, segundo a programação atualizada divulgada pelo setor naval.
De Itajaí para as operações offshore da Petrobras
Depois do batismo e da entrega, o destino do Starnav Elektra será diferente daquele sugerido por uma simples transferência de um navio entre empresas.
A embarcação será incorporada à frota da Starnav e operará a serviço da Petrobras, dentro das atividades de apoio marítimo.
É nesse ambiente que os sistemas desenvolvidos para o navio passarão do período de construção para a rotina operacional.
O Elektra chega a essa etapa em um momento de novas encomendas para a indústria naval brasileira.
Em junho, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que havia dez embarcações em construção em Itajaí e outras seis em Navegantes relacionadas ao movimento de ampliação das operações marítimas, mobilizando mais de 2 mil trabalhadores nos dois estaleiros citados pelo governo.
Por trás dos R$ 450 milhões, dos 92 metros e das 8.857 toneladas, portanto, está uma característica menos visível que ajuda a explicar por que o Starnav Elektra ganhou espaço nas discussões sobre a nova geração de embarcações de apoio: um navio construído no Brasil combinando grande capacidade operacional, baterias, propulsão híbrida e preparação para combustíveis alternativos.
A cerimônia prevista para 17 de setembro marca a passagem do projeto construído em Santa Catarina para a etapa em que essa engenharia começará a ser aplicada na rotina de apoio às operações offshore.

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