Uma megacidade perdida da Idade do Bronze, com 140 hectares, foi descoberta no Cazaquistão. O achado revela planejamento urbano, metalurgia em larga escala e um centro estratégico de comércio.
Arqueólogos anunciaram a descoberta de uma megacidade perdida da Idade do Bronze localizada no nordeste do Cazaquistão, em um sítio apelidado de “Cidade das Sete Ravinas”.
A antiga cidade de Semiyarka, ocupada por volta de 1600 a.C., ocupa cerca de 140 hectares e revela uma complexidade urbana até então inédita nas estepes da Eurásia.
A escavação, conduzida por instituições como a University College London (UCL), Universidade de Durham e a Universidade Toraighyrov do Cazaquistão, mostra que o local não era apenas uma vila, mas sim um centro industrial e político.
-
Cientistas criam os primeiros relógios nucleares do mundo e abrem nova fronteira na medição do tempo
-
Consumo de álcool diminuirá na próxima década, diz pesquisa que revela uma transformação silenciosa nos hábitos de milhões de pessoas no mundo
-
Família troca o chuchu por 100 mil frangos, abandona tradição agrícola após décadas e transforma propriedade no interior de SP em referência para exportações exigentes como as da China e outros mercados globais
-
RG para quem tem diabetes? Projeto aprovado pela Câmara prevê identificação no documento, novos direitos no SUS e mudanças em escolas e no trabalho
A descoberta, agora publicada na revista Antiquity, muda profundamente nossa compreensão sobre como as sociedades da estepe se organizavam e floresciam.
Uma megacidade perdida no coração das estepes
A chamada megacidade perdida de Semiyarka emergiu em uma elevação natural às margens do rio Irtysh, oferecendo amplo domínio visual sobre sete vales — daí o apelido “Cidade das Sete Ravinas”.
Sua localização estratégica sugere que tinha importância para controle territorial e comércio no Bronze Médio.
Com cerca de 140 hectares, Semiyarka é consideravelmente maior do que outros assentamentos contemporâneos da região, o que levou os pesquisadores a classificá-la como uma das primeiras “proto-cidades” urbanas nas estepes.
Os arqueólogos usaram imagens de drones para mapear o local.
Essas imagens revelaram filas de montes retangulares angulados — posteriormente identificados como estruturas residenciais com paredes de tijolos de barro e compartimentos internos.
No ponto de encontro dessas fileiras foi identificado um edifício maior, possivelmente monumental, com o dobro do tamanho das casas comuns.
Os pesquisadores acreditam que ali ocorriam atividades rituais, decisões políticas ou reuniões comunitárias.
Metalurgia em larga escala: o motor econômico da cidade
Uma das evidências mais impressionantes da megacidade perdida é a existência de uma zona industrial dedicada à produção de bronze.
Foram encontradas escórias, cadinhos e instrumentos relacionados ao trabalho com metal — indicando um sistema sofisticado de fundição de cobre e estanho.
Essa produção em escala é inédita para a região: muitos assentamentos da época tinham oficinas modestas, mas Semiyarka demonstra uma verdadeira estrutura de manufatura.
A proximidade das montanhas Altai pode ter favorecido o acesso a minérios de cobre e estanho, matéria-prima essencial para a fabricação do bronze, reforçando a ideia de que a cidade era um nó importante na rede comercial da Idade do Bronze.
Quem eram os habitantes da megacidade?
Antes desta descoberta, acreditava-se que as populações da estepe eurasiática eram majoritariamente nômades, vivendo em acampamentos temporários.
A megacidade perdida de Semiyarka altera essa visão: os pesquisadores afirmam que era uma comunidade sedentária, organizada e estável, capaz de sustentar uma economia complexa.
A arqueóloga Miljana Radivojević, da UCL e o professor Dan Lawrence, da Universidade de Durham, reforça que a escala e a forma das estruturas são muito diferentes de tudo que já foi visto nas estepes até agora.
Importância histórica e próximos passos
A descoberta desta megacidade perdida tem implicações profundas para o estudo da Idade do Bronze na Eurásia.
Ela revela que o desenvolvimento urbano e industrial pode ter ocorrido em regiões consideradas remotas, e que o mundo das estepes era mais sofisticado do que se supunha.
Além disso, Semiyarka pode ter desempenhado um papel central nas rotas de troca de metais, conectando minas das montanhas Altai a outras regiões distantes.
Os pesquisadores planejam continuar as escavações para desvendar mais sobre a vida política, social e ritual da cidade.
Espera-se que novas áreas do sítio sejam exploradas para entender melhor a relação entre os moradores, sua economia e seu poder na região.
Fonte: Revista Galileu

-
-
-
-
4 pessoas reagiram a isso.