Projeto bilionário aprovado em Bangladesh tenta ampliar segurança hídrica, reduzir efeitos da escassez durante a estação seca e diminuir impactos históricos provocados pela disputa em torno das águas do rio Padma, essencial para agricultura, abastecimento urbano e equilíbrio ambiental no país asiático.
Bangladesh aprovou a primeira fase do projeto da Barragem de Padma, uma obra planejada para armazenar até 2,9 bilhões de metros cúbicos de água e ampliar a segurança hídrica em áreas afetadas pela redução do fluxo dos rios durante a estação seca.
Com 2,1 quilômetros de extensão sobre o rio Padma, a estrutura deverá beneficiar aproximadamente 70 milhões de pessoas, segundo estimativas apresentadas pelo governo local durante a divulgação oficial da proposta.
Além disso, o Comitê Executivo do Conselho Econômico Nacional autorizou a execução inicial do empreendimento, cujo custo foi estimado em 344,97 bilhões de takas apenas na primeira fase de implementação.
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A proposta também prevê a recuperação de sistemas fluviais, a redução da intrusão salina e o fortalecimento da irrigação agrícola em Bangladesh, país onde os rios exercem papel decisivo tanto na produção de alimentos quanto no abastecimento da população.
Barragem de Padma busca reforçar abastecimento de água

Durante o período de monções, a barragem deverá reter grandes volumes de água para utilização nos meses de menor vazão, quando diversas regiões do país enfrentam dificuldades relacionadas ao abastecimento e à irrigação.
Para o governo de Bangladesh, a estratégia é considerada essencial no enfrentamento da escassez hídrica, principalmente em áreas rurais que dependem diretamente da agricultura e do funcionamento regular dos canais de irrigação.
“Pelo menos 70 milhões de pessoas, ou seja, um terço do país, se beneficiarão deste projeto”, afirmou o ministro de Recursos Hídricos, Shahid Uddin Chowdhury Anee, ao comentar a aprovação da obra.
Anee também relacionou a construção da barragem aos efeitos da Barragem de Farakka, operada pela Índia no curso do Ganges.
Ao entrar em Bangladesh, o Ganges passa a ser chamado de Padma, rio que sustenta atividades agrícolas, abastecimento local e ecossistemas em diferentes áreas do país.
Disputa entre Bangladesh e Índia envolve águas do rio Ganges
Há décadas, a divisão das águas do sistema Ganges-Padma permanece entre os assuntos mais delicados na relação diplomática entre Bangladesh e Índia, sobretudo pela forte dependência agrícola existente nos dois países.

Construída pela Índia e em operação desde os anos 1970, a Barragem de Farakka foi projetada para desviar parte da água durante a estação seca, alterando o volume que chega ao território bangladês.
Segundo Bangladesh, a redução da vazão intensificou problemas relacionados ao abastecimento, ao avanço da salinização e à perda de produtividade em áreas rurais fortemente dependentes dos rios.
Enquanto isso, autoridades indianas historicamente sustentam que a estrutura é necessária e defendem que Bangladesh também precisa ampliar a utilização eficiente dos próprios recursos hídricos.
A nova barragem, nesse contexto, aparece como uma tentativa de Dhaka de ganhar mais controle sobre o armazenamento interno de água.
O governo bangladês apresenta a obra como uma resposta de infraestrutura a um problema antigo, mas sem encerrar a dimensão diplomática da disputa.
Agricultura e irrigação estão entre os focos do projeto
Além de ampliar o abastecimento de água, a Barragem de Padma foi aprovada com o objetivo de fortalecer os sistemas de irrigação e reduzir os efeitos da intrusão salina em regiões consideradas mais vulneráveis.
Esse avanço da salinização ocorre quando a água salgada invade áreas de água doce, comprometendo lavouras, atividades pesqueiras, consumo humano e o equilíbrio ambiental em diferentes partes do país.
Como a agricultura possui peso significativo na economia e na segurança alimentar de Bangladesh, a disponibilidade de água durante a estação seca passou a ser tratada como uma prioridade estratégica pelo governo.
O projeto também mira a recuperação de sistemas fluviais degradados.
Segundo informações divulgadas por veículos locais, a primeira fase foi estruturada para alcançar partes importantes do país, incluindo regiões ligadas às divisões de Khulna, Dhaka, Rajshahi e Barishal.

Bangladesh enfrenta pressão climática e desafios hídricos
Entre enchentes severas e períodos prolongados de escassez, Bangladesh convive há anos com extremos hídricos que pressionam a infraestrutura e ampliam os desafios ligados ao gerenciamento dos recursos naturais.
Recentemente, chuvas pré-monções somadas ao aumento do fluxo vindo da Índia elevaram o nível dos rios no nordeste do país e ameaçaram áreas produtoras de arroz, aumentando a preocupação das autoridades locais.
Diante desse cenário, o planejamento hídrico se tornou ainda mais complexo, já que o país precisa armazenar água suficiente para os períodos secos sem deixar de enfrentar cheias, erosão e danos estruturais provocados pela rápida elevação dos rios.
A aprovação da Barragem de Padma também ocorre antes do fim previsto do tratado de compartilhamento das águas do Ganges entre Índia e Bangladesh, citado pela imprensa indiana como um ponto relevante no debate bilateral.
Com a nova estrutura, Bangladesh busca reduzir a dependência do fluxo vindo de montante e reforçar sua capacidade de gestão interna.
A obra, no entanto, ainda dependerá da execução técnica, do financiamento completo e da capacidade do governo de administrar impactos ambientais e sociais associados a uma intervenção desse porte.

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