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Mapa inédito encontrado nos Estados Unidos pode revelar onde surgiram os primeiros Quilombos dos Palmares do Brasil

Publicado em 15/12/2025 às 19:22
Assista o vídeoDescoberta de mapa inédito pode revelar a localização de antigos quilombos ligados a Palmares em Pernambuco e Alagoas, abrindo novas frentes de pesquisa arqueológica e preservação da memória negra.
Descoberta de mapa inédito pode revelar a localização de antigos quilombos ligados a Palmares em Pernambuco e Alagoas, abrindo novas frentes de pesquisa arqueológica e preservação da memória negra. Foto: Divulgação
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Descoberta de mapa inédito pode revelar a localização de antigos quilombos ligados a Palmares em Pernambuco e Alagoas, abrindo novas frentes de pesquisa arqueológica e preservação da memória negra.

Pesquisadores brasileiros trabalham com um mapa inédito que pode indicar a localização dos mais antigos quilombos associados ao lendário Quilombo dos Palmares, no Nordeste do país.

O documento, uma versão manuscrita do mapa Brasilia Qua Parte Paret Belgis, produzido em 1647 e encontrado no acervo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, será usado para guiar escavações arqueológicas a partir de janeiro de 2026.

A descoberta envolve arqueólogos, historiadores e cartógrafos de universidades federais, com financiamento da Fundação Cultural Palmares e autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O objetivo é localizar e estudar vestígios das comunidades onde pessoas escravizadas fugidas se organizaram em plena era colonial.

A iniciativa abre oportunidades inéditas de compreender como funcionavam os primeiros quilombos antes mesmo da consolidação do grande Quilombo dos Palmares em Serra da Barriga, Alagoas.

A partir do cruzamento do mapa com relatos históricos e tecnologias modernas, como imagens de satélite, a equipe espera confirmar onde essas comunidades se estabeleceram no século XVII.

Mapa histórico revela trilhas de resistência dos quilombos

O mapa inédito identificou trechos da ocupação holandesa no Nordeste brasileiro e foi essencial para reconstruir os trajetos de expedições contra quilombos no século XVII.

Ele faz parte de uma obra cartográfica produzida por George Marcgraf e publicada por meio de Johan Blaer.

A versão manuscrita encontrada por pesquisadores, porém, traz detalhes que ajudaram a preencher lacunas deixadas por reproduções impressas ao longo dos séculos.

Ao sobrepor o mapa antigo a imagens de satélite de alta resolução e referências geográficas modernas, os estudiosos conseguiram identificar possíveis locais de três quilombos descritos em relatos da época.

A análise combinada das cartografias e dos documentos históricos foi fundamental para estimar com mais precisão onde essas comunidades se localizaram.

Onde podem estar os primeiros quilombos?

Segundo as reconstruções, dois desses quilombos estariam nos atuais municípios de Correntes e Lagoa do Ouro, no Agreste de Pernambuco.

Um terceiro estaria situado entre Chã Preta e União dos Palmares, já na região de Alagoas.

Essas áreas foram mencionadas em relatos do comandante holandês Johan Blaer, que liderou expedições contra as comunidades quilombolas em 1645.

Enquanto o primeiro desses locais aparece abandonado nos documentos ultramarinos — possivelmente devido às condições insalubres — o segundo também foi deixado por seus habitantes após confrontos.

O terceiro, no entanto, teria permanecido ativo até mais tarde, o que reforça sua importância na história dos quilombos na região.

Pesquisas arqueológicas começam em 2026

Com o planejamento pronto, a equipe multidisciplinar vai iniciar as escavações em janeiro de 2026.

O projeto reúne arqueólogos da Universidade Federal de Alagoas (UFAL – Campus Sertão), geógrafos, historiadores e antropólogos, além do cartógrafo histórico responsável pela descoberta do mapa.

Nos trabalhos de campo, estão previstas varreduras de superfície, uso de drones e detectores de metal para localizar artefatos e estruturas enterradas.

Os pesquisadores desejam encontrar vestígios que revelem aspectos do cotidiano das comunidades quilombolas, como cerâmicas, utensílios, artefatos de ferro e até vestígios de construções.

A nova abordagem metodológica, que combina documentos históricos com tecnologia moderna de mapeamento e satélites, pode transformar a narrativa sobre os quilombos no Brasil.

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O estudo também faz parte de um esforço maior para preservar e reconhecer a memória negra no país, em sintonia com iniciativas contemporâneas que buscam valorizar a cultura e a história das populações quilombolas.

Com informações do Diário de Pernambuco.

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Andriely Medeiros de Araújo

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