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Mamífero mais raro do mundo sobrevive isolado em uma única ilha brasileira com apenas 10 hectares, mantém população entre 40 e 60 indivíduos, desafia limites da conservação e expõe risco real de extinção definitiva

Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 25/01/2026 às 11:42
Preá-de-Moleques-do-Sul em ilha rochosa de Santa Catarina, mamífero mais raro do mundo.
Preá-de-Moleques-do-Sul vive exclusivamente em uma pequena ilha do litoral catarinense e é considerado o mamífero mais raro do planeta. Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.
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Isolado a poucos quilômetros da costa de Santa Catarina, um pequeno roedor com distribuição geográfica única no planeta revela como o acaso, a geologia e a conservação ambiental definem o destino de uma espécie inteira

Distante cerca de oito quilômetros da costa de Florianópolis, em Santa Catarina, um pequeno arquipélago rochoso abriga um dos maiores símbolos da biodiversidade brasileira e, ao mesmo tempo, um dos casos mais extremos de fragilidade ambiental já registrados no país. Em uma ilha com pouco mais de 10 hectares de área total, vive o preá-de-Moleques-do-Sul (Cavia intermedia), considerado atualmente o mamífero mais raro do mundo, com a menor distribuição geográfica conhecida entre todos os mamíferos.

A informação foi divulgada pela Gazeta do Povo, com base em entrevistas e dados fornecidos por pesquisadores do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, que acompanham a espécie há décadas. O animal existe exclusivamente na maior ilha do arquipélago de Moleques do Sul, área que integra o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a maior unidade de conservação do estado catarinense.

Esse isolamento absoluto, embora tenha permitido a sobrevivência do preá até hoje, também representa sua maior ameaça. Afinal, qualquer alteração ambiental, climática ou humana nesse espaço extremamente reduzido pode comprometer toda a espécie de forma irreversível.

Uma população minúscula que vive no limite da sobrevivência

Atualmente, a população do preá-de-Moleques-do-Sul é estimada entre 40 e 60 indivíduos, número que varia conforme a disponibilidade de alimento e as condições ambientais ao longo do ano. Em termos biológicos e ecológicos, trata-se de um contingente extremamente baixo, especialmente quando se considera que roedores costumam apresentar populações numerosas e ampla distribuição territorial.

“Quando pensamos em termos de espécie, ainda mais de roedores e mamíferos, esse é um número extremamente pequeno”, afirma o biólogo Marcos Eugênio Maes, do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina. Segundo ele, o risco é constante. Qualquer evento localizado — como uma seca prolongada, uma doença ou até um incêndio — pode afetar diretamente todos os indivíduos existentes.

Além disso, o preá ocupa apenas cerca de 4 hectares da ilha, área onde predominam gramíneas e vegetação aberta, que servem como base alimentar. Durante os períodos mais quentes do dia, os animais se refugiam em áreas de vegetação mais densa e retornam para se alimentar no início da manhã, ao entardecer e à noite, comportamento típico de pequenos roedores que buscam reduzir o estresse térmico.

Embora não possua predadores naturais conhecidos na ilha, a espécie enfrenta uma limitação severa de recursos. Quando a população cresce além da capacidade do ambiente, ocorre naturalmente a escassez de alimento, o que leva à redução do número de indivíduos. O ciclo de vida do preá-de-Moleques-do-Sul é relativamente curto, variando entre dois e quatro anos, com reprodução rápida, característica comum a roedores.

Isolamento geológico criou o mamífero mais raro do planeta

Limitado exclusivamente a uma pequena ilha no litoral de Santa Catarina, o preá-de-Moleques-do-Sul (Cavia intermedia) figura entre os mamíferos mais raros e mais ameaçados do planeta. (Foto: Luciano Candisani/Instituto Tabuleiro)

A explicação para a existência exclusiva do preá-de-Moleques-do-Sul remonta a um processo geológico iniciado há aproximadamente 8 mil anos, após a elevação do nível do mar no litoral catarinense. Segundo a teoria mais aceita entre os especialistas, as ilhas do arquipélago de Moleques do Sul eram, originalmente, topos de morros ligados ao continente.

Com o avanço do oceano, essas áreas foram sendo progressivamente isoladas, aprisionando pequenas populações de preás que antes se deslocavam livremente pelo território continental. Ao longo de milhares de anos, esse isolamento extremo levou à reprodução contínua em um grupo pequeno e fechado, desencadeando um processo conhecido como especiação, que deu origem à Cavia intermedia, uma espécie distinta de seus parentes continentais.

Esse processo evolutivo, embora fascinante do ponto de vista científico, resultou em uma espécie altamente vulnerável. Atualmente, o preá-de-Moleques-do-Sul está classificado como criticamente em perigo nos níveis global, nacional e estadual, figurando entre os 20 pequenos mamíferos mais ameaçados do mundo.

Curiosamente, a proteção do animal começou antes mesmo de sua descoberta oficial. O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro foi criado nos anos 1970, enquanto a confirmação científica da espécie ocorreu apenas na década de 1980, durante expedições voltadas inicialmente ao estudo de aves marinhas. Foi o achado casual de uma ossada com características incomuns que levou os pesquisadores a identificarem uma nova espécie de mamífero.

Acesso proibido e risco de extinção sem retorno

Apesar do interesse científico e do fascínio que a história do preá desperta, o desembarque no arquipélago é totalmente proibido. A área é classificada como zona intangível, e apenas pesquisadores autorizados e servidores de órgãos ambientais podem acessar o local, mediante protocolos rigorosos.

Segundo Maes, qualquer presença humana representa um risco significativo. Visitantes podem introduzir sementes, patógenos, bactérias, vírus ou parasitas que o sistema imunológico do animal não está preparado para enfrentar. Além disso, o arquipélago é uma importante área de nidificação de aves marinhas, cujos ninhos ficam diretamente no solo, aumentando o risco de impactos indiretos.

Há registros preocupantes de fogueiras feitas ilegalmente no local. Um incêndio, mesmo de pequenas proporções, seria catastrófico. “Se essa espécie se extinguir, não haverá possibilidade de recuperação. É uma perda definitiva”, alerta o biólogo.

A fiscalização da área é realizada pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, pela Polícia Militar Ambiental e pela Marinha do Brasil. Casos de desembarque irregular devem ser denunciados às autoridades ambientais. No caso do preá-de-Moleques-do-Sul, não há margem para erro: a sobrevivência da espécie depende integralmente da preservação absoluta de um dos menores e mais frágeis habitats do planeta.

Com uma espécie inteira confinada a apenas 10 hectares e dependente de um equilíbrio ambiental frágil, o que acontecerá quando não houver mais espaço, tempo ou margem para erro na conservação da vida selvagem?

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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